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Brasil x Japão: Japoneses estão confiantes para a estreia na Copa das Confederações

Torcedores residentes na cidade fazem as suas apostas, mas destacam superioridade da Seleção brasileira 15/06/2013 às 11:24
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Mestres da Escola Japonesa de Manaus: amor ao futebol
André Viana ---

A milenar cultura japonesa tem como pilares a disciplina e o respeito. Foi com esses alicerces que a Escola Japonesa de Manaus foi criada há 31 anos. Construída para que os filhos dos empresários nascidos na Terra do Sol Nascente transferidos para o Pólo Industrial de Manaus seguissem o rígido aprendizado em que foram criados no Japão, o local abriga hoje 27 alunos (12 deles japoneses e 15 brasileiros filhos de japoneses), entre seis aos 15 anos de idade. Na área que delimita a escola tudo faz lembrar o país asiático que enviou imigrantes para o Brasil, tudo é escrito em japonês, a maioria dos professores não dominam o português, mas uma palavra do nosso idioma é conhecida por todos: futebol.

Os nossos adversários de hoje, na estreia da Copa das Confederações, que lecionam na Escola Japonesa de Manaus, admitem que tiveram dificuldade de evitar que os alunos volta e meia citassem o confronto entre Brasil e Japão em sala de aula. “O fato do Japão iniciar a Copa das Confederações jogando contra o Brasil, no Brasil, é um motivo de orgulho para todo japonês. O povo japonês sabe que devemos muito do nosso progresso no futebol a um brasileiro: o Zico. A passagem vitoriosa dele por lá e sua identificação com o País fez com que os japoneses se apaixonassem por futebol”, disse Sumiko Maruoka, professora de língua japonesa, nascida em Tóquio, que vive no Brasil há 35 anos e não pensa mais voltar.

Diferente

Casada com um paraense, Maruoka tem um filho brasileiro e graças aos dois costuma torcer pelo Brasil quando os dois países se enfrentam, mas desta será diferente. “Confesso que só gosto de futebol em época de Copa do Mundo, a alegria do povo brasileiro é contagiante. Não tem como não se envolver. A Seleção Brasileira é sempre muito forte. Entra nas competições para ser campeã, com o Japão é diferente. Agora é que estamos evoluindo. Por isso sempre torci pelo Brasil, mas desta vez vou torcer pelo Japão. Só desta vez. Meu marido e o meu filho, que torcem pelo Vasco e pelo Paysandu, que me perdoem”, avisa.

Se Maruoka e “quase” brasileira, seu colega Shigeaki Kasmiwa, de Osaka, e professor de inglês, não titubeia em afirmar que torcerá pelo Japão, mas aponta o favoritismo e a responsabilidade para o Brasil. Kasmiwa acredita que sua torcida será em vão. “Acho que perderemos de 3 a 0. Torcerei pelo Japão, mas será muito difícil segurar o Brasil, com o apoio da torcida e disposto a fazer bonito em casa”.

Próximo de retornar ao país natal – seu contrato de três anos com a Escola Japonesa de Manaus, de três anos, termina no fim deste ano, Kasmiwa é torcedor do Kashima Antler – maior vencedor da J-League, com sete títulos – diz que sentirá saudade do Brasil e de Manaus quando voltar e guardará para sempre a hospitalidade e a alegria do nosso povo. Ao ser perguntado quem é o craque japonês que os comandados de Felipão devem ficar de olhos aberto, Kasmiwa é enfático: “Kagawa. Ele é muito bom. É o nosso Neymar (sorri). E joga em um dos melhores times do mundo; o Manchester United”, diz ele, que é torcedor do Flamengo, no Brasil.

Diretor é o mais otimista

O diretor da Escola Japonesa de Manaus, Norio Katakura, assumiu o comando do local em março. Fala poucas palavras em português, mas é o mais otimista ente o corpo docente do local. “Vou torcer para o Japão, claro. Sou japonês. Vai ser difícil, isso todo mundo sabe. O Brasil sempre é uma força do futebol mundial. Mas vamos surpreender e vencer por 2 a 1”.

Além de diretor, Katakura, que também é torcedor do Kashima Antler, como o professor Shigeaki Kasmiwa, aponta como o craque do time o meia Keisuke Honda, do CSKA-RUS. Ainda em fase de adaptação ao Amazonas, Katakura ainda não se acostumou com a temperatura da capital amazonense. Não tinha como ser diferente, ele é natural de Saporo, uma das cidades mais frias do Japão, localizada no Norte do país. “A diferença do clima é muito grande. São vários graus de diferença. Mas os primeiros meses foram mais complicados”, explica.

Além da responsabilidade de administrar a Escola Japonesa de Manaus, Norio Katakura, leciona três disciplinas: matemática e ciência e estudos sociais. Ele destaca a importância que um conterrâneo dá a um espaço em que a cultura do país é preservada. “Aqui os próprios alunos arrumam a sala de aula no fim do horário letivo. Não é só o aprendizado das matérias, é o aprendizado dos costumes”, comenta.

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