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Brasileira destaque do ano na natação mundial sonha alto com a próxima Olimpíada

“Devemos chegar em 2016 com a melhor equipe de todos os tempos”, diz a otimista nadadora, sobre os Jogos no Brasil; ela, que já disputou a Travessia Tamandaré, falou sobre vários assuntos, entre eles, do seu ótimo momento 13/12/2014 às 14:06
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Ana Marcela é a sensação da natação brasileira
Felipe de Paula Manaus (AM)

Ana Marcela Cunha é a menina-prodígio da natação brasileira. Com apenas 22 anos, a baiana de sorrisos largos, com as braçadas em alto mar, já é a maior nadadora de águas abertas da história do esporte brasileiro. No começo do mês, foi eleita pela Federação Internacional de Natação (Fina) como a melhor nadadora de maratonas aquáticas do mundo em 2014. Tricampeã mundial neste ano, ela foi a primeira nadadora a subir no pódio em todas as etapas do circuito.

Fazer história, aliás, é algo corriqueiro na vida da atleta. Em 2011, ao conquistar o primeiro título mundial, ela se tornou a primeira mulher brasileira a ostentar uma medalha de ouro num campeonato mundial de natação.

Em 2008, foi às Olimpíadas de Pequim com apenas 16 anos, ficando com o histórico quinto lugar. Em 2012, não obteve a vaga para os Jogos de Londres, mas deve chegar a 2016 no auge da carreira como nadadora.


Com tamanho currículo e tão pouca idade, é natural que Ana Marcela seja cotada como uma das maiores candidatas à medalha de ouro olímpica na primeira e histórica edição dos jogos em território brasileiro.
“Devemos chegar em 2016 com a melhor equipe de todos os tempos”, diz, otimista, a nadadora, que concedeu entrevista exclusiva ao CRAQUE nesta semana e falou, entre outros assuntos, sobre o ano de 2014, a projeção para as Olimpíadas do Rio e até lembrou de uma prova cujo cenário é bem conhecido do amazonense, a Travessia Almirante Tamandaré, no Rio Negro. “Uma prova diferente, desafiadora... gostei muito do formato”, disse ela, que ganhou a prova em 2007, com apenas 15 anos de idade.


Você recebeu o prêmio de melhora nadadora do ano da Fina. Satisfação, trabalho reconhecido? Que sentimentos ou pensamentos vieram ao receber o prêmio?

Certeza que conseguimos atingir os objetivos traçados no início do ano, com reconhecimento internacional.


Você já competiu em Manaus, na travessia do Rio Negro, a chamada prova Almirante Tamandaré, vencendo a prova. Que lembranças você tem dela?

Uma prova diferente, desafiadora, com uma temperatura da água variando em determinados locais, a maior parte mais quente na superfície, lembro que de vez em quando dava umas golfinhadas submersas para sentir a água mais fria. Gostei do formato de sair num lugar em direção a outro. A chegada também é muito bacana, bastante público prestigiando, um show dos militares. Marcante!

E da cidade de Manaus, você gostou?

Gostei muito da cidade, pontos turísticos muito interessantes, o teatro, o hotel dentro da mata. Aproveitei a culinária local, deliciosa!

Você conquistou pela 3ª vez o título mundial de natação esse ano. Qual foi o momento mais inesquecível dessa conquista e a importância dele na caminhada para as Olimpíadas?

O pódio na última Etapa marcou pela confirmação de ter conseguido fechar o Campeonato Mundial indo ao pódio em todas as oito Etapas, um feito inédito, entre homens e mulheres, desde a criação do Circuito. Faz parte do planejamento visando chegar nas Olimpíadas do RJ 2016 pronta para brigar pelo ouro.

Você participou das Olimpíadas de Pequim, na China, em 2008, mas não se classificou para os Jogos de Londres. A vontade de conquistar um ouro olímpico está acumulada?

Sim, em 2008 obtive o 5ª lugar, o melhor resultado feminino do Brasil em Olimpíadas. Não me classifiquei em 2012, agora estou caminhando com braçadas firmes rumo a 2016; quero chegar e ganhar!

Se na última vez que competiu você não tinha conquistado ainda um título mundial, como você chega agora para a competição? Qual o peso de ser trimundial?

É natural que eu tenha virado referência para minhas adversárias, certamente um alvo, a atleta a ser batida. Mas isso até me ajuda, conviver desde já com essa responsabilidade alivia a pressão, dá mais confiança.

No Mundial, você subiu ao pódio em todas as etapas do circuito de 10 km, que é o mesmo circuito olímpico. Acredito não ser mera coincidência... Isso dá confiança para as Olimpíadas também?

Realmente não foi coincidência, foi o principal desafio do planejamento, subir no pódio em todas as etapas, conseguimos! Estamos no caminho certo para a seletiva olímpica e depois é focar a prova olímpica.

Como você avalia o nível da natação brasileira para os Jogos Olímpicos do Rio em 2016?

Há uma evolução em curso, devemos chegar em 2016 com a melhor equipe de todos os tempos.

Aquele titulo mundial em 2011 foi o primeiro título mundial da natação feminina. Você tem consciência de estar escrevendo parte da história do esporte brasileiro?

Meus resultados falam por si, mas quero deixar um legado para os nadadores e nadadoras que vierem nas próximas gerações, consolidar o Brasil como o País das maratonas aquáticas.


Na sua opinião, o Brasil continua formando nadadores tão bons quanto antes? Como você vê a formação de atletas na base da natação brasileira?

Sim, continuam surgindo novos valores a cada ano, mas precisamos de mais piscinas, mais quadras, mais incentivo, o esporte vinculado à educação pode transformar o Brasil numa potência olímpica.

Neste ano, você também venceu a tradicional travessia Capri-Napoli, logo na primeira vez que você competiu lá, baixando o recorde da competição em quase seis minutos. Que ano, hein? Como você celebrou esse título?

Foi algo muito especial, um desafio à parte. Passar mais de seis horas nadando num ritmo forte, sendo cerca de cinco horas conseguindo acompanhar o pelotão masculino, foi uma prova inesquecível.


Durante uma prova longa como é a maratona aquática, é preciso muita concentração. O que passa na sua cabeça quando você está nadando?

Procuro dividir a prova em partes, de acordo com o número de voltas, e sempre de olho nas adversárias. A evolução da prova dita o ritmo e as alternativas de estratégia. E, apesar de ser longa, não dá para descuidar dos detalhes, os momentos de hidratação, a hora de atacar ou conservar determinada posição no pelotão. É uma dinâmica bem interessante de executar porque você não tem uma fórmula pronta, cada prova tem suas particularidades, mas vencer é sempre meu objetivo.

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