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Brasileirão: uma década de pontos corridos

CRAQUE faz o balanço da competição nacional que completa 10 anos com a forma de disputa 25/05/2013 às 11:02
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Era dos pontos corridos faz 10 anos
André Viana Manaus (AM)

Há dez anos, a Confederação Brasileira de Futebol (CBF) adotou o sistema de pontos corridos na disputa do Campeonato Brasileiro. Nos primeiros dois anos, a Série A era composta por 24 equipes. No terceiro ano, esse número caiu para 22. Somente no quarto ano chegou-se à quantidade de times que é utilizada até hoje: 20.

A fórmula de pontos corridos nasceu sobre críticas de torcedores, dirigentes e parte da imprensa – muitos ainda a questionam. As principais são: a falta de emoção de jogos decisivos e a elitização do principal campeonato brasileiro. A primeira queixa caiu por terra com o passar dos anos. A disputa de um campeonato onde todas as equipes se enfrentam em turno e returno sempre premia o time mais regular, e com o tempo, clubes, torcedores e céticos aprenderam que no lugar de jogos mata-mata na reta final, como aconteceu durante décadas, todas as partidas da competição são decisivas. Da primeira a última rodada, cada jogo é uma final. Seja essa partida contra um time inferior tecnicamente e economicamente, dentro ou fora de casa, ou um clássico contra rivais estaduais e regionais, o peso é igual.

A segunda crítica, porém, tem seu fundamento – ao menos no que diz respeito aos campeões das dez edições disputadas até aqui. Todos eles são clubes de uma única região do País: o Sudeste. Sendo que, destes, apenas o primeiro campeão, o Cruzeiro, não é do eixo Rio-São Paulo. A centralização tem explicação. Por ser a região mais rica do País, com torcedores espalhados em todo território nacional, o Sudeste tem, ao todo, dez dos 12 maiores clubes do Brasil .

No entanto, os maiores clubes brasileiros não colecionaram somente alegria com a adoção da fórmula. No ano da primeira edição (2003), dois dos 12 gigantes do futebol brasileiro não estavam na Série A. Botafogo e Palmeiras disputaram a segunda divisão e conseguiram o acesso à elite dentro de campo para 2004. No ano seguinte, ainda com 24 participantes, foi a vez do Grêmio (último colocado) cair. Em 2005, o Atlético-MG foi rebaixado. Dois anos depois, o segundo clube de maior torcida do País, o Corinthians, campeão no ano da queda do Galo mineiro, sucumbiu à Série B. Em 2008, o Vasco foi navegar na segundona. O último rebaixamento de um gigante foi no ano passado, com o Palmeiras.

Ano do equilíbrio

O Brasileirão do ano passado, conquistado pelo Fluminense, teve uma peculiaridade: a divisão de blocos distintos entre as equipes. Os quatro primeiros colocados se destacaram por fazer campanhas de aproveitamento bem superior a da média histórica da competição. A diferença entre o quarto colocado, na zona da Libertadores, para o quinto, o primeiro fora da zona do torneio continental, foi de oito pontos.

A luta pelo título teve apenas três times no primeiro turno: Atlético-MG, que virou o turno na liderança, Fluminense e Vasco. No segundo turno, a polarização ficou restrita entre o Tricolor e o Galo, graças à queda vertiginosa do Vasco, após a eliminação da Libertadores para o Corinthians. O lugar do Vasco foi assumido pelo Grêmio, que chegou a passar o Galo, mas terminou a competição em terceiro lugar.

Enquanto isso, os quatro últimos também fizeram sua parte. Um esforço fora do comum - e comovente - para caírem. Nunca houve uma zona cujos times tivessem uma pontuação tão baixa. A primeira equipe fora da zona da degola foi a Portuguesa, com quatro pontos a mais do que o rebaixado Sport, com 41.

Aprendendo a jogar

A adoção dos pontos corridos modificou muitos hábitos na forma de gestão dos clube brasileiros - principalmente os de grande torcida. Algumas lições são claras para um time ser bem sucedido na competição: ter elenco forte, manter o treinador (dos campeões, apenas o Corinthians, em 2005, e o Flamengo, em 2009, trocaram de técnico durante a competição) e vencer dentro e fora de casa. Jogar pelo empate é útil apenas aos times que não ambicionam a conquista do título.

Com um campeonato tão disputado como o Brasileirão, os estaduais perderam força, apesar de ainda serem inchados. Hoje, os estaduais funcionam apenas como um laboratório para a maratona de 38 jogos do Campeonato Brasileiro, e para os times mais fortes observarem jogadores promissores dos clubes pequenos.

Vencer o estadual não significa a garantia de uma boa participação na Série A, B, ou mesmo a C e D. Disputado em sua maioria por times de pouco investimento, os jogos dos campeonatos estaduais só servem de alerta aos que vão muito mal neles. Não é à toa que “a luz amarela” foi acesa no Flamengo e no Vasco, após a vexatória campanha do Carioca deste ano.

Nesta década de Brasileirão disputado em pontos corridos, em apenas três ocasiões os campeões estaduais se sagram campeão nacional no fim da temporada: o Cruzeiro, em 2003, que também faturou a Copa do Brasil; o Flamengo, em 2009 e o Fluminense, no ano passado. Nesta temporada, Botafogo, Corinthians e Internacional podem entrar para esta seleta lista.

 

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