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‘Caso Rita’ causa indignação na CMM: Vereadores questionam os critérios do Bolsa Atleta

Os vereadores Fabrício Lima (SDD), Waldemir José (PT) e Luís Mitoso (PSD) criticaram os critérios adotados pela Secretaria Municipal de Juventude, Esporte Lazer (Semjel), que deixou a terceira melhor judoca do mundo, assim como outros atletas com potenciais olímpico, de fora do programa  que oferece uma quantia de R$ 4 a R$ 5 mil aos atletas de alto rendimento 27/10/2015 às 11:01
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Waldemir José, Fabrício Lima e Mitoso criticaram os critérios da Semjel na CMM
Anderson Silva Manaus (AM)

Aos 20 anos, a judoca amazonense Rita de Cássia, 20, fez história ao conquistar a medalha de bronze no Campeonato Mundial de Judô, na última sexta-feira, em Abu Dhabi, nos Emirados Árabes.  A conquista veio junto com um desabafo por parte da atleta, que recentemente foi excluída do programa municipal Bolsa Atleta. E o desabafo de Rita, publicado em reportagem exclusiva de A CRÍTICA, ganhou eco, ontem, na Câmara Municipal de Manaus (CMM).

Os vereadores Fabrício Lima (SDD), Waldemir José (PT) e Luís Mitoso (PSD) criticaram os critérios adotados pela Secretaria Municipal de Juventude, Esporte Lazer (Semjel), que deixou a terceira melhor judoca do mundo, assim como outros atletas com potenciais olímpico, de fora do programa  que oferece uma quantia de R$ 4 a R$ 5 mil aos atletas de alto rendimento.

“Esse fato mostra que nossa legislação não dá conta da realidade. Ela (Rita) era uma atleta incentivada pela prefeitura e agora a prefeitura deixou de fazer esse incentivo. É preciso efetivamente revisar os critérios Bolsa Atleta. A Rita deixou de ter o patrocínio e ainda teve o resultado, mas pode ter gente que por perda do Bolsa Atleta deixe de avançar”, analisou o vereador Waldemir José (PT), cobrando os responsáveis.

“Faço essa chamada da atenção à prefeitura, em particular ao secretário Sildomar (Abtibol) para que reveja esses critérios e chame pessoas mais balizadas para que possam construir uma lista de beneficiados”, sugeriu.

Também sem entender os critérios que deixaram uma das três melhores atletas do judô mundial de fora do Bolsa Atleta, o vereador  Luís Mitoso (PSD) classificou como erro deixar a atleta de fora do programa.

“Eu verifico que houve um erro com a Rita, que hoje é medalhista. Ela estava no Bolsa Atleta. Não pode deixar uma atleta de tamanha envergadura que faz parte da Confederação Brasileira de Judô (CBJ) fora do programa.  Entendo que ela deveria constar no programa. Por um erro de avaliação cortaram a Rita e isso pra mim é injustiça... Ela é uma atleta que leva o nome de Manaus, o Amazonas e não é abençoada por este programa. Se ela não é abençoada por este programa, então quem vai ser aproveitado? Quais critérios estão sendo usados para aproveitar os atletas?”, indagou em tom de revolta.

Potencial

O ex-secretário de esporte, Fabrício Lima, que acompanhou a implantação do Bolsa Atleta em 2011 por meio do Projeto de Lei de 5 de outubro de 2011 do ex-prefeito Amazonino Mendes, abriu a discussão na Casa Legislativa e criticou a atitude do colega, licenciado desde maio quando se tornou titular da Semjel.

“Quando mudaram a legislação do Bolsa Atleta, o secretário atual (Sildomar Abtibol) disse que os critérios não eram os mais corretos, que de repente o projeto estaria errado... E é um direito dele achar isso, como foi um direito meu de criar o Bolsa Atleta. E a Rita mostrou na sexta-feira que eu estava correto e que ele (Sildomar) está errado...”, alfinetou o vereador.

“Peço que revejam os conceitos. Temos a Rafaela Barbosa, Rayfran, Isabele Nobre, atletas do tênis de mesa e mais alguns atletas que estão fora do programa... É hora de fazer economia, mas não com o esporte... O esporte não é um custo, é um investimento em pessoas que estão chegando longe”, desabafou o vereador.

“A Rita é uma sementinha que foi plantada lá atrás. Os primeiros quimonos da Rita eu tirei dinheiro do bolso, levei ela em farmácia, fisioterapia... tem que ser revisto esses critérios”, pontuou Fabrício Lima.

Semjel emite nota


A Secretaria Municipal de Juventude, Esporte Lazer (Semjel) enviou à redação do CRAQUE uma nota de esclarecimento sobre o caso.

De acordo com a nota, “a atleta foi cortada por não ter apresentado a convocação pela Seleção Brasileira no ano de 2014, já que integrou a seleção de judocas brasileiros por adesão e não convocação, que é uma das principais exigências previstas na lei para a concessão do benefício”.

A atleta Rita de Cássia declarou que enviou o documento.  “A CBJ (Confederação Brasileira de Judô) mandou documento de que eu fazia parte da seleção, que eu competia pela seleção. Eles não aceitaram”, disse.

Na nota, a Semjel considera pagar o benefício para a atleta. Mas somente em 2016.

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