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CBF escolherá novo vice para ocupar vaga deixada por Marin e linha sucessória pode mudar

Presidente da Confederação Brasileira de Futebol, Marco Polo Del Nero se licenciou do cargo no mesmo dia em que um procedimento foi aberto contra ele no comitê de ética da Fifa e em que foi indiciado na Justiça dos Estados Unidos acusado de receber propina em contratos 05/12/2015 às 13:11
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CBF até retirou o nome de José Maria Marín da fachada de sua sede no Rio de Janeiro após escândalos
Reuters Rio de Janeiro (RJ)

A Confederação Brasileira de Futebol (CBF) marcou para o dia 16 uma assembleia-geral para escolher um novo vice-presidente que ocupará a vaga deixada pelo ex-presidente da entidade José Maria Marin, uma escolha que pode mudar a linha sucessória do presidente licenciado da CBF, Marco Polo Del Nero, acusado de irregularidades. Isso porque o estatuto da CBF prevê que o primeiro na linha sucessória da presidência em caso de vacância e renúncia é o vice-presidente mais velho da casa.
 
Quem ocupa esse posto atualmente é o presidente da federação de Santa Catarina, Delfim Peixoto, opositor de Del Nero, mas quem desponta como favorito para ocupar a vaga que era de Marin é o presidente da Federação Paraense de Futebol, Antonio Carlos Nunes de Lima, mais velho que Peixoto.

"Os presidentes de federações entendem que têm que dar ao coronel Nunes esta oportunidade. É um nome que nasce forte, um candidato de consenso e o mais possível candidato", disse o presidente da federação do Mato Grosso do Sul, Francisco Cezário de Oliveira, que participou de reunião com presidentes de federações estaduais na sede da CBF.
 
"O fator idade pode ser que tenha pesado na escolha, mas não é um boicote ao Delfim. Estamos numa situação emergencial, em que o Marco Polo pode ser banido ou afastado do futebol", disse.

Marin foi preso em maio, acusado de envolvimento no esquema global de corrupção no mundo do futebol. Pelo estatuto da CBF, depois de 180 dias de vacância do cargo um novo membro deve ser escolhido.
 
Del Nero se licenciou do comando da CBF após ser indiciado pela Justiça dos Estados Unidos acusado de participar do esquema de corrupção no esporte. A escolha dessa vice-presidência da entidade é importante pois há dúvidas sobre se Del Nero voltará ao cargo.Nesta sexta-feira, Peixoto disse em entrevista à Reuters nesta sexta que Del Nero perdeu as condições para permanecer à frente da CBF.

Para que uma chapa seja inscrita na disputa, é preciso ter apoio de ao menos oito federações estaduais e cinco clubes. Participam da assembleia-geral os 27 presidentes de federação e 40 presidentes dos clubes das séries A e B do Campeonato Brasileiro. Pelo edital da assembleia, as chapas têm de ser inscritas até semana que vem. Pela primeira vez os clubes terão mais peso e votos numa eleição da casa com base novo estatuto aprovado neste ano.

O presidente interino da CBF, o deputado federal Marcus Vicente (PP-ES), disse que vai ficar pouco tempo no cargo e espera que Del Nero retome em breve o comando da CBF. "Vou pedir licença do cargo de deputado federal por 30 dias a 60 dias e poderei mergulhar na CBF sem pressa para voltar para Brasília", declarou. "Tenho que ter pé no chão, cabeça no lugar mas espero ficar por um tempo não muito longo", finalizou o ex-presidente da federação de futebol do Espírito Santo.

'Del Nero perdeu condições de comandar CBF'

O presidente licenciado Marco Polo Del Nero, não tem mais condições de permanecer à frente da entidade após o indiciamento do dirigente na Justiça dos Estados Unidos, disse nesta sexta-feira Delfim Peixoto, vice-presidente mais velho da confederação e primeiro na linha sucessória de Del Nero.

Segundo Peixoto, que é presidente da Federação Catarinense de Futebol e faz oposição a Del Nero, as denúncias que forçaram o licenciamento do presidente da entidade “são graves, lamentáveis e precisam ser apuradas”. "Isso que está acontecendo não é bom para o futebol brasileiro", disse o vice-presidente em entrevista à Reuters pelo telefone. “Acho que fica difícil ele permanecer. É difícil tocar o futebol brasileiro na situação como está”, acrescentou.
 
Del Nero foi eleito presidente da CBF no ano passado, mas assumiu o cargo em abril deste ano ao suceder o presidente José Maria Marin, que foi preso em maio na Suíça junto com outros dirigentes do futebol mundial na maior operação já feita contra a corrupção neste esporte.
 
Peixoto não esconde o desejo de assumir o comando da entidade que comanda o esporte no país. Como vice mais velho da CBF, de acordo com o estatuto da entidade, ele assumiria o posto em caso de saída em definitivo de Del Nero. “Você sabe que quem está no mundo do futebol tem que aceitar qualquer missão", disse, para em seguida questionar: “quem não gostaria de ser (o presidente da CBF)?”

O estatuto da CBF determina, também, que em caso de licenciamento do presidente da entidade, ele pode escolher qual dos vice-presidentes comandará a confederação durante sua ausência. O escolhido de Del Nero foi o deputado federal Marcus Vicente (PP-ES), que durante anos presidiu a Federação Capixaba de Futebol. O licenciamento de Del Nero pode ter duração de até 180 dias, com possibilidade de renovação por período igual. Mas para Peixoto, as chances de ele voltar ao comando da CBF são muito pequenas.
 
Reestruturação

Outro ex-presidente da CBF, Ricardo Teixeira, que deixou a entidade em 2012 em meio a denúncias de irregularidades, também foi indiciado pela Justiça dos EUA. Ele teria recebido, de acordo com as investigações, propina referente a contratos de patrocínio com uma empresa de material esportivo.

Para Peixoto, o mau momento vivido pelo futebol brasileiro, que na Copa do Mundo de 2014 sofreu sua pior derrota ao ser goleado por 7 x 1 pela Alemanha, é causado pelos sucessivos escândalos envolvendo dirigentes da CBF. “Nós precisamos fazer uma reestruturação grande do futebol brasileiro, começando pela base. Essas mudanças não contribuem“, declarou.

Desde as prisões de dirigentes em maio, Del Nero não viaja ao exterior para acompanhar a seleção brasileira em amistosos e partidas oficiais. Ele também se ausentou de encontros da Fifa e da Conmebol e decidiu nomear outro vice-presidente, Fernando Sarney, para representá-lo no comitê executivo da Fifa. “É no mínimo constrangedor um presidente não poder sair do país com a seleção...estão acontecendo coisas no futebol brasileiro e no mundial que deveriam acontecer“, afirmou Peixoto.

A estratégia de não deixar o país deve ser mantida, segundo uma fonte da CBF, mas existe a possibilidade de a Justiça dos EUA enviar para as autoridades brasileiras documentos e informações para que investigações sejam conduzidas também no Brasil.









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