Quinta-feira, 25 de Abril de 2019
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Cineasta Moacyr Massulo pretende lançar o documentário em dezembro
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Craque

Cineasta amazonense fará documentário sobre amistoso internacional entre Fast e Cosmos

A partida que aconteceu no dia 9 de março de 1980 reuniu mais de 50 mil pessoas no Vivaldão, onde agora temos a Arena da Amazônia. O recorde de público nunca foi batido no Amazonas


07/04/2015 às 08:58

Há 35 anos o futebol amazonense viveu um momento incrível, algo que até hoje é lembrado por muitos torcedores – pelos que testemunharam o acontecimento dentro do Vivaldão e até por aqueles que não conseguiram entrar no estádio. No dia 9 de março de 1980, Manaus recebeu um amistoso que colocou a cidade no mapa internacional do futebol e marcou a história do esporte “baré”.

O amistoso entre Fast Clube e New York Cosmos – um dos times mais populares das décadas de 70 e 80, que mesmo sem Pelé (que jogou no clube entre 1975 e 1977), possuía nomes como Beckenbauer e Carlos Alberto Torres (capitão do Tri da Seleção Brasileira, Copa do México de 1970). Pelo lado da equipe amazonense, a grande estrela era o ex-campeão mundial Clodoaldo – que depois chegou a fazer outros jogos pelo Tricolor de Aço.

O confronto fez o então Vivaldo Lima bater recorde de público - 56.950 pessoas assistiram à partida, que apesar de contar com vários astros em campo, ficou no 0 a 0. Até hoje, mesmo depois da Copa do Mundo, o número de torcedores do dia 9 de março de 1980 não foi superado no Amazonas.

Um fato inusitado, que chamou a atenção do cineasta amazonense, Moacyr Massulo, que aos 27 anos decidiu levar essa história para as telonas, para que aqueles, que por algum motivo, desconhecem esse fato tão importante e “tenso” do futebol “baré”, possam, assim como ele, descobrir que um dia houve tumulto em um estádio amazonense, não por conta da rivalidade entre torcidas, mas sim pela vontade de todos em assistir a um grande jogo de futebol, em casa.

A capacidade máxima do Vivaldo Lima era de 43.000 pessoas, mas ninguém queria ficar de fora daquele momento glorioso. Por isso, qualquer espaço dentro do estádio foi muito disputado. O público invadiu as marquises e até o túnel, e claro, que isso gerou um grande tumulto e alguns torcedores deixaram o local machucados.

Mas por que em mais de 30 anos o Amazonas não conseguiu bater recorde do público de 1980? O que falta para que as pessoas voltem a lotar um estádio local? O que exatamente aconteceu no dia 9 de março de 1980? Por que o time de maior sucesso dos anos 70 e 80 resolveu fazer um amistoso em Manaus? E justamente contra uma equipe sem grande expressão no cenário nacional do País do futebol? Qual era a real intenção com esse “evento apoteótico”?


Mais de 50 mil pessoas foram ao Vivaldão assistir ao amistoso entre Fast e Cosmos

O documentário
As respostas para esses questionamentos estarão no documentário “Cosmos”, que Moacyr Massulo pretende lançar ainda este ano, 35 anos após o inesquecível espetáculo futebolístico no Colosso do Norte, onde agora temos a Arena da Amazônia – estádio multiuso, palco de quatro grandes partidas da Copa do Mundo no Brasil e que ano que vem deve receber oito jogos do torneio de futebol das Olimpíadas do Rio 2016.A descobertaAssim como a maioria dos jovens, Moacyr Massulo gosta bastante de futebol. No Amazonas, ele acompanhou uma fase boa, no final dos anos 1990, quando o São Raimundo vivia um momento de ascensão. Nessa época, ele conta que ia ao Vivaldão assistir aos jogos, mas mesmo assim nunca tinha ouvido falar do tal amistoso entre Fast e Cosmos nos anos 1980.

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“Um dia a minha mãe – depois de uma viagem de férias – voltou para casa com uma revista, dessas que a gente encontra em aviões, e que tinha uma reportagem sobre o amistoso entre Fast e Cosmos. Ela conseguiu ir ao estádio e começou a me contar como foi aquele dia 9 de março... Então, eu comecei a ler a reportagem sobre o jogo e não acreditei, era inusitado pra mim ter acontecido aquele jogo e poucas pessoas saberem disso. A partir desse momento, por trabalhar com audiovisual, eu já tive a ideia de contar essa história, fazer esse registro”, contou.

O cineasta resolveu então pesquisar a respeito, colher depoimentos de pessoas que estiveram no Vivaldão nesse dia memorável para o futebol local, para assim começar a produzir o documentário. “Conheci o empresário Joaquim Alencar, que foi quem negociou a vinda do Cosmos para Manaus. Ele me passou alguns dados e fotos do dia do jogo. E me apresentou algumas pessoas que estiveram no Vivaldão no dia do evento”, comentou Massulo.

Crítica
Além de contar o que aconteceu no dia do amistoso, o cineasta revela que o documentário também vai traçar um diálogo sobre o futebol amazonense contemporâneo. Como por exemplo, tentar explicar a falta de público em jogos locais.

“O lado crítico é como eu pretendo encerrar o filme. Todos os convidados, entrevistados.. terão que responder: “O que Manaus precisa fazer para voltar a ter estádios cheios?”, esse é o primeiro ponto. E depois vem outros questionamentos, como os torcedores estarem presentes nos estádios, mas torcendo pelos seus próprios times e não irem aos estádios torcer por equipes de fora”, completou.

O cineasta tem a intenção também de fazer um curta sobre a Arena da Amazônia – “Paixão Nacional”, mas esse é um projeto que deve ficar para o próximo ano, já que a prioridade em 2015 deve ser mesmo o documentário “Cosmos”. “É engraçado, o Cosmos ainda nem foi produzido e já é o meu filme mais comentado. Por conta dessa proporção que ele ganhou, decidi que este ano ele será a minha prioridade”, afirmou o cineasta.

Nome
O documentário se chamará “Cosmos”. “É outra crítica, afinal é um documentário sobre o maior público do Vivaldão, que só aconteceu por conta de um time internacional”, comentou Moacyr Massulo – que já produziu 12 filmes. O Cosmos será o 13º. O cineasta faz parte do grupo “Planos em Sequência”, que conta com a participação de cinco realizadores audiovisuais.


Entrevistados
Historiador Abrahim Baze (que fará a introdução do documentário e lembrará a inauguração do Vivaldão). Jornalistas esportivos:, Amarildo Silva, Eduardo Monteiro de Paula e Teófilo Mesquita. O empresário Joaquim Alencar, além dos médicos que socorreram as pessoas e Carlos Alberto Torres – capitão do Tri – e o ex-campeão mundial, Clodoaldo.

Escalação
FAST Miguel Banana, Carlos Alberto, Joãozinho, Marcão e Juldecy; Clodoaldo, Zé Luís e Tauiris (Fabinho); Rogério, Bené e Orange (Pesado). Técnico: Juarez Bandeira.COSMOS Biekemeier, Eskandariam, Carlos Alberto Torres, Oscar e Bruce Nilson; Beckenbauer e Romerito; Seninho, Richi Davis, Chinaglia e Marck Liveric.

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