Sábado, 20 de Julho de 2019
Craque

Clima de Mundial: Calor do ‘cão’ e de copa

Mundial do próximo ano será marcado por forte temperatura, o que será um problema preocupante principalmente para os europeus



1.jpg Calor poderá ser obstáculo para seleções na Copa do Mundo de 2014 (Na foto: Nigéria e Espanha)
07/07/2013 às 12:02

Os ensolarados. Era desta forma que os espanhóis chamavam a fantástica Seleção Brasileira de 1982, que disputou a Copa do Mundo daquele ano realizada no país deles e ficou marcada na história dos mundiais pela impensada eliminação diante da Itália – que acabou conquistando o tricampeonato – nas quartas de final. A denominação fazia referência à cor da camisa, à alegria de jogar, à forma como se comportava a nossa torcida nas arquibancadas e ao clima predominante de nosso País.

Em território brasileiro, a Seleção conta com um poderoso aliado: o calor humano. Enquanto os adversários sofrem com o calor desumano. O primeiro gerado pelo apoio apaixonado da torcida. O segundo oriundo das temperaturas elevadas para os padrões europeus encontradas em pleno inverno tropical.

Sentindo na pele

Durante a Copa das Confederações, 31 anos depois da fatídica eliminação da Seleção Brasileira, não só os espanhóis, como também os nossos algozes italianos, sentiram na pele que o curioso apelido se justifica ainda mais quando o Brasil atua em casa. Reclamações não faltaram.

“Todos estão lamentando esses horários. Não acho que seja possível jogar o máximo às 13h e às 16h com esse calor”, reclamou o meia italiano Giaccherini, um dos poucos jogadores a “sobreviver” aos 120 minutos da semifinal contra a Espanha, realizada em Fortaleza, sem sentir lesão ou reclamar de fadiga.

Situação pior

Para outro integrante da Azzurra, o lateral-direito Maggio, a situação foi pior. “Em alguns momentos da partida, eu não conseguia respirar. A Espanha também sentiu muita dificuldade. É problema geral”, emendou pouco depois da derrota italiana nos pênaltis, que tirou a tetracampeã mundial da final contra o Brasil e a “puniu” obrigando a decidir o terceiro lugar contra o Uruguai em Salvador, às 13h, com os termômetros marcando 28º.

Para azar dos jogadores da Squadra Azzurra, eles tiveram que atuar mais 120 minutos de partida. Mas desta vez, o suor foi transformado em glória com a vitória sobre a Celeste Olímpica, em grande performance do experiente goleiro Buffon nas penalidades. Nem isso impediu que os atletas italianos deixassem o campo bufando contra o calor.

Variações

Todas as 19 edições de Copa do Mundo já realizadas aconteceram no meio do ano. A escolha tem relação com o fato de esta época ser verão na Europa e por ser o intervalo da temporada de futebol da maioria dos países (o Brasil é uma exceção à regra entre os gigantes). A Copa do Mundo do ano que vem será a quarta realizada no continente sul-americano (além do Brasil, que foi sede em 1950, a Argentina, em 1978, e Uruguai, que sediou a primeira edição, acolheram o maior torneio de futebol do mundo). A Fifa não está em dívida somente com o continente sul-americano - o hemisfério sul também padece. Apenas na última edição, a Copa do Mundo foi sediada em um país localizado na parte de baixo da linha do equador, fora do continente onde as temidas seleções do Brasil, da Argentina e do Uruguai estão situadas. A honra coube a África do Sul.

Entre todos estes países da parte de baixo do globo terrestre, apenas o Brasil tem dimensões continentais que proporcionam grandes variações de clima. Os outros possuem temperaturas amenas no verão, pois são localizados próximos ao Pólo Sul. Vale lembrar que em 1950, quando sediou a primeira Copa do Mundo, a maioria dos jogos se concentrou nas regiões Sul e Sudeste (de climas temperados) - apenas uma partida foi disputada fora deste eixo: a goleada chilena de 5 a 2 nos Estados Unidos, em Recife.

‘Nada se compara ao clima daqui’

Depois da desgastante experiência na Copa das Confederações, as principais seleções europeias – e até Uruguai e Argentina temem jogar em horários ruins e fazer longos deslocamentos na Copa do próximo ano. Mas é inevitável. Uma delas jogará em Manaus. Será a cabeça de chave do Grupo E. O preparador físico Gilsomar, 43, do Princesa, prevê dificuldade para as seleções do Velho Continente.

“Dificilmente os europeus obterão sucesso na Copa de 2014. O sistema fisiológico deles não está acostumado com as altas temperaturas de algumas cidades do Brasil, ainda mais em jogos que acontecerão às 14h e às 15h. Estarão desgastados após uma temporada”, diz.

Para o experiente preparador físico Ronaldo Sperry, 47, que trabalhou no São Raimundo no estadual deste ano, o horário de quatro das três partidas agendadas para Manaus impedirá que o amazonense assista a um bom espetáculo. “Apenas o primeiro jogo será disputado no período noturno (às 21h de Manaus), os outros serão realizados à tarde (dois às 15h e outro às 16h). Pela experiência que tenho no futebol amazonense sei que o tempo mínimo de adaptação de um atleta que vem de fora é de 21 dias. Isso se o organismo dele for privilegiado. Como as seleções não terão este tempo para se adaptar é provável que estes jogos da tarde sejam disputados em um ritmo bem lento”, alerta o gaúcho de Alpestre.

Responsável pelo condicionamento do Nacional, o também gaúcho Pedro Pérez, 45, acredita que a Fifa ainda pode rever os horários dos jogos: “O calor de Manaus é diferente de qualquer calor do mundo. É um calor úmido. Já trabalhei em outras cidades quentes, mas nada se compara ao clima daqui. Esta é minha segunda passagem pelo futebol amazonense, a outra foi de 1999 a 2001, e quando retornei há três anos, a impressão que tive é de que está mais quente”.

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