Segunda-feira, 19 de Agosto de 2019
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COI anuncia nomes dos dez refugiados que vão disputar a Olimpíada

A delegação terá um papel de destaque na abertura dos jogos e desfilará antes do Time Brasil, que tradicionalmente seria o primeiro por ser o anfitrião. Os refugiados ainda carregarão a bandeira olímpica.



coii.jpg O abertura das Olimpíadas acontece dia 5 de agosto (foto: Divulgação/COI)
03/06/2016 às 18:09

O Comitê Olímpico Internacional divulgou nesta sexta-feira (3) a lista dos dez atletas que formarão a delegação de refugiados na Olimpíada de 2016. A delegação é uma novidade desta edição dos jogos e contará com os judocas congoleses Yolande Bukasa Mabika e Popole Misenga, que treinam desde o ano passado no Rio de Janeiro.

A delegação terá um papel de destaque na abertura dos jogos e desfilará antes do Time Brasil, que tradicionalmente seria o primeiro por ser o anfitrião. Os refugiados ainda carregarão a bandeira olímpica.

Em comunicado divulgado, o presidente do COI, Thomas Bach, afirmou que a participação dos refugiados deve estimular a esperança e a inclusão. "É também um sinal para a comunidade internacional de que os refugiados são nossos companheiros", disse.

A maior parte dos refugiados escolhidos é do atletismo, com Yiech Pur Biel (Sudão do Sul), James Nyang Chiengjiek (Sudão do Sul), Yonas Kinde (Etiópia), Anjelina Nada Lohalith (Sudão do Sul), Rose Nathike Lokonyen (Sudão do Sul) e Paulo Amotun Lokoro (Sudão do Sul).

Os cinco atletas do Sudão do Sul mantêm o treino no Quênia, enquanto o etíope Yonas Kinde se prepara em Luxemburgo. Os refugiados da Síria Rami Anis e Yusra Mardini vão competir pela natação. Rami treina na Bélgica e Yusra, na Alemanha.

Judoca sonha reencontrar família

No Brasil desde 2013, a judoca congolesa Yolande Bukasa Mabika disse que ficou muito emocionada com a sua convocação, anunciada hoje (3), para a delegação de refugiados do Comitê Olímpico Internacional. Outros nove atletas, incluindo seu compatriota Popole Misenga, farão parte do time, que é uma novidade dos jogos de 2016.

Yolande concedeu muitas entrevistas hoje no Instituto Reação, onde treina para os jogos, e nem teve tempo de conversar com Popole, que também está refugiado no Brasil. Os dois vieram para participar da Copa do Mundo da modalidade, em 2013, mas contam que foram abandonados no hotel pela comissão técnica de seu país.

"É um sonho que vou realizar. Cheguei aqui no Brasil para lutar a Copa do Mundo e não lutei. Estou muito emocionada e muita coisa está voltando na minha cabeça. Nem sei como vou falar. Estou lembrando da minha familia".

Yolande se separou da família quando sua vila foi bombardeada na República Democrática do Congo, quando ela tinha 10 anos. Depois disso, foi levada com outras crianças para a capital de seu país, e nunca mais teve notícias dos familiares. Ela espera que a visibilidade dos jogos dê mais uma chance de reencontrá-los:


Os judocas refugiados Popole Misenga e Yolande Bukasa (foto: Vinicius Lisboa/Agência Brasil)

"Vou mudar a vida e procurar a minha família. Um dia, nós todos vamos ficar juntos", disse ela, que mora em uma casa em Cordovil, na zona norte do Rio, com a ajuda de custos que recebe do COI. "Agora, vou trabalhar muito forte para buscar a medalha, com muito foco e muita coragem".

Os congoleses são treinados pelo veterano do judô brasileiro Geraldo Bernardes, que também é o treinador de Rafaela Silva e Victor Penalber, convocados para a seleção olímpica brasileira. "É uma sensação muito boa, de muita emoção, saber que eles vão participar, e que esse movimento começa a transformar as vidas deles", comemora o técnico.

Geraldo disse que eles agora estão na fase de "polimento", em que é preciso se atentar aos mínimos detalhes, reforçar as regras e conferir a condição psicológica dos atletas. Entre os dias 12 e 17, eles devem ficar concentrados com a seleção brasileira de judô em Pindamonhangaba, para depois ficarem mais separados e se preparem para a possibilidade de, inclusive, enfrentar um dos brasileiros.

"Vai ser a última vez que eles ficarão com a seleção, porque também querem ter a privacidade. Não podemos deixar juntos com atletas com quem podem competir", diz Geraldo, que conta que treinamentos conjuntos com a seleção já aconteceram outras quatro vezes.

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