Terça-feira, 17 de Setembro de 2019
PARAPAN

Com 16 anos, Mikaela Almeida ignorou a pressão e trouxe o ouro para Manaus

Superando a perda recente da irmã, Mikaela conquistou a medalha de ouro no parabadminton, modalidade que estreou em Jogos Parapan-Americanos neste ano, na cidade de Lima, no Peru



mika_almeida_ECA5E611-A11B-4397-A015-586537385397.jpg Foto: Winnetou Almeida
08/09/2019 às 07:59

Encerraram neste domingo (1°) os Jogos Parapan-Americanos de Lima, no Peru. Neste ano, na sexta edição do evento, o Brasil fez história não somente ao quebrar o recorde do país, mas por ter tido o melhor desempenho geral desde o Parapan de 1999. Naquele ano, o evento que passava a ser disputado de maneira oficial viu a delegação do México, em casa, subir ao pódio 307 vezes.

Foi por pouco, mas a marca foi batida. Em Lima, a delegação brasileira subiu ao pódio em 308 oportunidades. E a amazonense Mikaela Almeida foi responsável por umas das 124 conquistas douradas. No parabadminton, Mika - como é chamada carinhosamente por amigos e professores -, ganhou a medalha de ouro na classe SU5 (incapacidade no braço) de forma invicta. Vitória que emocionou a amazonense de 16 anos de idade.

Representatividade

Após conquistar a sua inédita medalha de ouro no Parapan de Lima, Mikaela disse que a vitória servia de inspiração para outras pessoas, palavras de quem deseja ser exemplo. “Desde pequena eu sempre quis fazer algo que servisse de exemplo. Quero ganhar as pessoas com minha simpatia e meu jeito doce. Minha irmã foi um grande exemplo que tive em minha vida, sendo sempre humilde com os demais”, comentou Mika, que perdeu a irmã, a quem considera uma referência, há poucos meses.


A medalha de ouro de Mikaela Almeida foi uma das 124 conquistas douradas da delegação brasileira. Foto: Winnetou Almeida

Precisando superar dificuldades, entre elas a perda de um ente querido, a amazonense conta que a pressão por bons resultados não a atrapalhou em momento algum no Parapan-Americano de Lima. “Não senti a pressão por ser mais nova. Sentia apenas que eu tinha que mostrar em quadra o que eu aprendi e treinei. Tinha que dar meu melhor”, afirmou a amazonense, que foi a caçula da equipe brasileira de parabadminton.

E o esforço dos aprendizados e treinos foi recompensado. Lembrando da caminhada até o Parapan como um filme na cabeça, Mikaela exalta a conquista construída na base da superação. “A sensação foi muito boa de saber que, eu não ter desistido depois de tantos bronzes, valeu a pena. Lembrei de tudo quando subi ao pódio”, contou a medalhista de ouro, que agora passa a mirar nos Jogos Paralímpicos de Tóquio.

Guiando rumo a Tóquio

Treinador de Mika, Fernando Taffarel não esteve em Lima, mas acompanhou toda a caminhada de sua atleta. Passada a euforia da conquista no Parapan, Fernando projeta o futuro de corrida paralímpica. “Ainda estamos buscando a vaga em Tóquio. Para conseguir, precisamos pontuar melhor no ranking internacional. Com essa medalha de ouro pontuamos bastante, mas ainda é preciso competir em outros torneios internacionais”, ressaltou Fernando, principal responsável pela inserção de Mika no parabadminton.

No radar, o Torneio Internacional da Dinamarca, que acontece em outubro deste ano, será um importante passo rumo a Tóquio. Além desse, Fernando e Mikaela pretendem participar do Torneio de Dubai, em abril do ano que vem, próximo do período de divulgação dos classificados aos Jogos Paralímpicos. “A nível mundial, as asiáticas são as maiores adversárias. Elas lideram o ranking. A perspectiva é de que através dos torneios internacionais nós possamos encontrá-las”, concluiu Fernando Taffarel.

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