Quinta-feira, 05 de Dezembro de 2019
DISCRIMINAÇÃO

Aos 18 anos, zagueira Natália luta em duas frentes: racismo e machismo

Jogadora de futebol, a zagueira Natália já sofreu injúrias raciais. Mesmo assim sonha com um futuro melhor através do esporte



ZCR0420-01_p01_155511B6-74D0-43B0-9AE1-766DCCA77EA2.jpg Foto: Lane Azevedo
20/11/2019 às 16:46

A presenças das mulheres nos esportes cresceu, mas o preconceito não diminuiu.

“Meninas brincam de bonecas e meninos de futebol”. O preconceito com mulher no futebol acontece mais cedo que pensamos, além, do machismo, jogadoras negras precisam lidar com o preconceito racial. 



Desde cedo, existe o tabu  “mulher x futebol”, se não é o machismo ou a falta de investimentos na modalidade, tem também espaço  para o racismo. Casos que mancham a alegria  que o esporte traz.

A atleta Natalia Kimberly Carvalho da Silva,18, do time feminino do Nacional-AM, é uma jovem que busca no futebol uma oportunidade de melhoria de vida. O amor pela modalidade começou aos 12 anos de idade, ela costumava brincar na rua de sua casa no bairro Redenção, zona Centro-Oeste, com tijolos ou quando não tinha, colocava chinelos para demarcar a trave.  Logo depois, aderiu a jogar em quadra, sempre sem calçados, não era apta a jogar com chuteira tipo society. 

“Comecei a jogar descalça e foi difícil para me acostumar  usar chuteira. Joguei nos Jogos Escolares (JEJs) e meu professor, Reinaldo Thompson, deu a oportunidade de defender o Recanto da Criança, onde fomos campeãs, em 2014. Depois disso, fui chamada por outros times e fui me desenvolvendo como atleta”.

O futebol relata histórias de superação e determinação. E, foi isso que a jogadora teve que obter, após o seu primeiro campeonato de futsal feminino onde sofreu injúria racial.

“Meu primeiro campeonato de futsal feminino, ocorreu na Vila Olímpica. Na partida, eu ‘roubei’ a bola da adversária e ela acabou caindo, logo, me prontifiquei e ofereci ajuda, ela recusou e bateu na minha mão, falando que não aceitava ajuda de gente ‘preta’. Naquele momento, eu não aguentei e me retirei do jogo, me abalou aquela situação”, relata. 

A jogadora do Leão da Vila Municipal  relatou que sofreu inúmeras vezes por conta de sua cor, mas que diminuiu as ofensas por conta das leis que se firmaram em nossa legislação. 

“Ficava bem triste, abalada, ninguém merece ser discriminada pelo tom de pele. Graças a Deus, as leis melhoraram e pararam de me ofender tanto, porém, não podemos fechar os olhos para esse crime, as pessoas sofrem”, enfatizou a zagueira.

A atleta vive um novo momento em sua carreira. Atualmente, compõe o elenco do Naça  no Campeonato Amazonense, onde as “Leoas da Vila” avançaram à semifinal, depois de passar nas três seletivas que o Naça realizou este ano. Motivo de alegria da atleta que sonha um futebol com oportunidades e menos preconceitos para as mulheres.

News portal1 841523c7 f273 4620 9850 2a115840b1c3
Jornalismo com credibilidade

Mais de Acritica.com

Sobre Portal A Crítica

No Portal A Crítica, você encontra as últimas notícias do Amazonas, colunistas exclusivos, esportes, entretenimento, interior, economia, política, cultura e mais.