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Esportes
FUTEBOL FEMININO

Com novas regras, ano de 2019 deve ser de revolução para o futebol feminino no Brasil

Devido à obrigatoriedade dos clubes da Série A investirem na formação de clubes femininos, a modalidade tem tudo para explorar novos ares 15/01/2019 às 11:51 - Atualizado em 15/01/2019 às 14:40
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Iranduba e 3B tem calendário para disputar competições nacionais em 2019. (Foto: Jair Araújo)
Valter Cardoso Manaus

O ano de 2019 deve ser de revolução para o futebol feminino no Brasil. Com a obrigatoriedade dos clubes masculinos da Série A investirem na formação de times femininos a partir deste ano, a modalidade tem tudo para explorar novos ares.

Para acompanhar o novo cenário, o calendário de competições também mudou. Neste ano, tanto a primeira quanto a segunda divisão do Brasileirão Feminino vão contar com grandes novidades. O anúncio oficial está previsto para esta terça-feira (15), mas já foram confirmadas pela CBF.  Na Série A1, a fórmula de disputa mudou: ao invés de contar com dois grupos, agora todas as equipes vão se enfrentar em sistema de pontos corridos. “Acho que a mudança mais significativa é que não existe mais a divisão de grupos, jogam todos contra todos em turno único. Antes você tinha 14 rodadas, mas restritas ao confronto com outros 7 adversários. Agora não, você vai enfrentar 15 equipes. Isso é uma mudança  significativa”, destacou Romeu Castro, gerente de futebol feminino da CBF.

A diretoria do  Iranduba viu a mudança de maneira positiva, destacando a competitividade que deve ser elevada. “Hoje aumentou, no mínimo, mais uma rodada para cada equipe e quem passar, avançar até a final, fará 21 jogos. Com jogos de todos contra todos o campeonato fica mais justo porque antes um grupo podia ser mais forte que o outro. O que muda é que agora as equipes vão se classificar de acordo com as suas forças, não vai haver disparidade”, comentou Lauro Tentardini, diretor  de futebol do Hulk.

Ainda mais significativas devem ser as mudanças na Série A2, segunda divisão do futebol feminino, que passa a contar com 36 clubes, 20 a mais do que na última edição. “Como você está tendo o ingresso muito significativo dos clubes de massa, de grande investimento, então você já sabe que há um progresso nítido em termos de qualidade técnica que é esperada para a divisão. Então vemos o investimento muito forte de equipes que vem do futebol masculino com investimento, pensando no título. Acho que vai ser um campeonato muito interessante, ele não tem mais fase seletiva, então todas as equipes disputam a primeira fase em grupos de 6, com mínimo de 5 jogos por equipe. É uma competição histórica, a maior da história no futebol feminino do Brasil”, destacou Romeu.  O representante amazonense na segunda divisão, 3B, deve iniciar agora a busca por jogadoras e ainda não confirmou participação na disputa.

Outra novidade no calendário é a criação do Brasileirão Feminino Sub-18. O Iranduba tem direito a uma vaga, mas ainda acerta detalhes antes de confirmar a participação na disputa. “Claro que precisamos sentar para ver o que teremos de apoio, conversar com secretaria (Sejel), Federação (FAF), possíveis patrocinadores, para ver até onde nós conseguimos ir. Não adianta fazer um trabalho mau feito para tomar goleada, isso queima a imagem do clube e das atletas locais, mas também o Iranduba não tem condição de fazer um trabalho sozinho neste momento, então estamos negociando para ver se conseguimos alguns patrocinadores e aí sim veria de que forma encarar o sub-18”, revelou Tentardini.

Mercado

Com mais clubes disputando as competições nacionais, a concorrência aumenta até na busca por reforços e o novo cenário já reflete nos clubes. “Está muito complicado. Tem jogadoras, nos times de camisa, ganhando R$ 7 mil, R$ 8 mil, que é completamente fora da realidade do Iranduba. É mais um motivo para trabalhar com meninas novas, tentar criar uma base, que já temos, mas precisa manter, porque fazer contratação tá muito difícil. Estávamos negociando com uma atleta, foi lá um clube de camisa e ofereceu R$ 7 mil, isso é completamente inviável. O  mercado está muito concorrido. É uma situação que vai se complicar, quem não conhecer jogadoras vai acabar ficando sem time”, concluiu Lauro Tentardini.

Esse novo desenho de mercado tem preocupado não apenas as equipes do Amazonas. Em todas as regiões os clubes começaram uma nova caça por reforços. “Talvez o mercado não estivesse 100% preparado para uma demanda tão alta, então estamos vendo muitos clubes brasileiros indo buscar atletas no exterior”, analisou Romeu Castro.

Vale lembrar que o próprio Iranduba, por exemplo, já contratou dois reforços estrangeiros para a temporada 2019.

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