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Episódio III - A expansão do Império

Com gol heroico de Alberto, São Raimundo se torna o Rei do Norte

No terceiro capítulo da série São Raimundo 20 anos depois - Ascensão e Queda do Rei do Norte lembramos o terceiro título da Copa Norte e a participação do Tufão da Colina na Copa Conmebol 28/11/2016 às 11:52 - Atualizado em 28/11/2016 às 12:45
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Alberto recorda com saudade dos áureos tempos em que o antigo Vivaldão vibrava com as conquistas do São Raimundo, o Rei do Norte
Denir Simplício Manaus (AM)

Por três vezes seguidas conquistador do título Estadual (1997/1998/1999) e com a ascensão garantida à Série B, o Amazonas ficara pequeno para o São Raimundo. Assim como todo grande imperador, o Tufão da Colina necessitava expandir seu império e partiu para a conquista definitiva da região Norte do Brasil.

No terceiro capítulo da Série “São Raimundo 20 anos depois - Ascensão e Queda do Rei do Norte”, o CRAQUE conta um pouco da trajetória do Tufão da Colina na conquista do tricampeonato da Copa Norte e das aventuras do time colinense na disputa da Copa Conmebol, competição internacional em que o Rei do Norte arrebatou súditos no Peru e na Colômbia.

Tripla coroação

Algoz em 1998, o Sampaio Correa - vencedor da competição sobre o São Raimundo - caiu aos pés do Tufão da Colina no ano seguinte, em decisão por pênaltis. Em 2000 foi a vez de outro time maranhense sentir a força do time comandado por Aderbal Lana. O MAC não viu a cor da bola e, de joelhos, presenciou a festa da torcida colinense após gols de Delmo e Araxá.

Em 2001 foi a vez de um inimigo ainda mais forte e que também lutava pelo império do Norte: o Paysandu. No duelo de ida, no caldeirão da Curuzu, o Papão foi beneficiado com um pênalti duvidoso no fim do jogo e acabou vencendo a batalha por 1 a 0. Por ter melhor campanha, O Tufão só precisava vencer pelo mesmo placar pra ficar com o título. Nunca o reinado do São Raimundo esteve tão ameaçado. Mais do que nunca o Mundico precisava de seus súditos e, principalmente, de um heróico guerreiro.

Alberto - o iluminado

No clube desde sua meteórica ascensão, o volante Alberto era um dos titulares até o dia da grande final contra os paraenses. Mas na preleção, acabou indo pro banco.

Minutos após entrar em campo, Alberto aproveita o rebote do chute de Guara e, com rapidez de raciocínio, gira o corpo e chuta de voleio para desespero dos zagueiros do Papão da Curuzu (Foto: Arquivo/AC)

“O professor Lana fez a reunião e decidiu na hora não me colocar como titular do time”, relembra Alberto, contando que fez uma espécie de premonição na reunião com o elenco. “Tinha toda aquela cautela, o pessoal da defesa se preocupando pra não tomar gol, pedindo apoio do meio de campo. No final da reunião um dos jogadores veio e disse: ‘Poxa, Alberto, você está tão calado. Você sempre fala alguma coisa’. Eu disse: ‘vocês estão preocupados aí em não pegar um gol, eu concordo com vocês. Mas, se a gente não pegar gol, pode deixar que quando eu entrar, eu faço!”, recorda.

Curuzu2A bola viaja em direção ao fundo das redes do Paysandu, enquanto o goleiro Júlio César apenas observa, rezando por um milagre que não veio. No fundo, o infernal Luíca no chão contempla o gol do título (Foto: Arquivo/AC)

O pressentimento de Alberto estava correto. Usando a camisa 13, o volante entrou no jogo e aos 42 minutos do segundo tempo marcou o gol do título, o que resultou na tripla coroação do Rei do Norte. Porém, até entrar em campo, o herói do tri da Copa Norte sofreu até a escolha definitiva do técnico Aderbal Lana.

3É Gooooooool! O Vivaldão treme com a explosão da torcida do Tufão da Colina. Na arquibancada ao fundo, os arquirrivais paraenses, indrédulos, se rendem sabendo que perderam a coroa de Rei. (Foto: Arquivo/AC)

“O primeiro tempo terminoou 0 a 0 e o professor Lana começou as substituições. Ele chamou o primeiro, o segundo e quando vi ele chamar o Niltinho, que foi o terceiro, pensei: não entro mais. Só que quando ele foi bater no ombro do Niltinho pra mandá-lo entrar em campo, ele me viu atrás do Niltinho. Aí ele olhou pra mim, olhou pro Niltinho e disse: Niltinho, vai sentar que o Alberto vai entrar”, conta o emocionado Alberto narrando o gol do título.

4Predestinado, herói improvável, iluminado... Alberto corre para os súditos em êxtase. Três vivas ao Rei do Norte! Viva! Viva! Viva! São Raimundo, tricampeão da Copa Norte 1999/2000/2001. (Foto: Arquivo/AC)

“Depois que entrei, o Luíca fez uma jogada pela linha de fundo e cruzou pra traz, o Guara bateu de primeira, o goleiro rebateu e eu vim e bati de voleio. No que foi o gol do título”, recorda o heroi do Tufão que fez o Vivaldão explodir em festa, fazendo calar a torcida do Paysandu, que em grande número já gritava é campeão!

Rei do Norte amendronta a América Latina 

Se hoje clubes brasileiros como a Chapecoense - que está na final da Copa Sul Americana - começam a trilhar caminho em competições internacionais, há 17 anos o São Raimundo já deixava sua marca pelo continente na extinta Copa Conmebol.

Em 1999, o Rei do Norte, cansado da mesmice de conquistas como o Amazonense e a Copa Norte, foi em busca de novos territórios. Os primeiros a sentir o poder do Tufão da Colina foram os colombianos do Atletico Huila. Diante de 20 mil torcedores, na cidade de Neila, o São Raimundo venceu por 2 a 1. O mesmo placar se repetiu a favor dos amazonense no jogo da volta, no Vivaldão.

Depois foi a vez de amedrontar o milenar império Inca. Pelas quartas de final do torneio, o Rei do Norte empatou com o Sport Boys, do Peru, na casa dos peruanos e dentro do Vivaldão abarrotado com 48 mil súditos, o Rei do Norte foi impiedoso e goleou o time cor de rosa por 4 a 0.

Na semifinal do torneio contra os alagoanos do CSA, 35 mil sãoraimundenses viram o Rei do Norte bater o time nordestino por 1 a 0, no Vivaldão. Na volta, porém, preocupado com o acesso à Série B, o Tufão acabou superado nos pênaltis, diante de 40 mil pessoas no estádio Rei Pelé, terminando na 3ª posição da Copa Conmebol daquele ano.

Três perguntas:

Alberto, autor do do título

Antes da final com o Paysandu, como o grupo estava, havia clima de tensão?

Resposta: Teve aquela conversa entre os atletas e tal, que o jogo era muito difícil, muito importante e que nós precisaríamos da vitória, porque o empate era do Paysandu. Mas nossa equipe era muito boa, sabíamos que poderíamos vencer e foi o que aconteceu.

Verdade que você ficou à beira do campo pedindo do Lana pra entrar?

Resposta: Não, isso não é verdade. Isso não é coisa de profissional. Todos ficamos aquecendo atrás do banco e foram acontecendo as substituições. Mas claro que eu estava doido pra entrar e quando restavam coisa de oito minutos o professor Lana me colocou.

Alberto, quais as principais lembranças da torcida do Tufão naquela época?

Resposta: A torcida sempre lotou o estádio. Toda aquela torcida voltou pelo São Raimundo. Não apenas pelo clube São Raimundo, mas voltou pelo futebol amazonense. Porque nós começamos a ganhar de times de outros estados e isso dava orgulho pro torcedor

Isaac, volante e um dos líderes do Tufão

Isaac, em algum momento você sentiu que o título estava perdido?

Reposta: Em nenhum momento senti que deixaríamos de conquistar aquele título. Nosso time tinha muita qualidade e nós sabíamos que a qualquer momento nós poderíamos fazer o gol, como saiu no final do jogo. Isso veio coroar o grupo que a gente tinha.

Dos três títulos da Copa Norte, qual na sua opinião foi o mais importante?

Resposta: Todos foram importantes, mas acho que o último, pelo drama que a gente passou, por ter feito gol no final da partida e por ter sido contra um dos maiores rivais dos times do Amazonas, que foi o Paysandu, foi mais empolgante. A adrenalina tava à mil.

Qual a sua maior saudade daquela equipe do São Raimundo?

Reposta: Primeiro, tenho saudade do grupo, do nosso trabalho e do comprometimento que todos tinham com a equipe. Outra coisa que sinto falta é de ver o estádio lotado com a torcida empurrando e nós dentro de campo correspondendo e dando espetáculo.

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