Segunda-feira, 23 de Setembro de 2019
Craque

Comemoração de 60 anos de Zico, o eterno camisa 10

O apelido que seria conhecido nos quatro cantos do mundo foi dado pela prima Ermelinda e é derivado do diminutivo do seu nome



1.jpg Zico, ex-jogador de futebol
03/03/2013 às 15:17

Aproximadamente 40 milhões de brasileiros têm a data deste domingo (3) como uma espécie de segundo Natal. Para esta parcela da população, estamos no ano 60 D.Z. O motivo é simples. Em 3 de março de 1953 nascia, no humilde bairro carioca de Quintinho Bocaiuva, Artur Antunes Coimbra, o Zico. (Clique aqui e confira entrevista exclusiva)

Origem do apelido
O apelido que seria conhecido nos quatro cantos do mundo foi dado pela prima Ermelinda e é derivado do diminutivo do seu nome. Assim, o franzino Arthur passou a ser chamado de Arthurzinho, depois Arthurzico, e finalmente Zico.

Abençoado
Filho caçula (de um total de seis) do casal português formado por, José Antunes Coimbra e Matilde Ferreira da Costa Silva, o menino já veio ao mundo abençoando a nação rubro-negra, sem que ela soubesse.

Em 1953, o Flamengo saía de um incômodo jejum de títulos de oito anos, com a conquista do Estadual, o primeiro da era Maracanã, que daria início ao seu segundo tricampeonato carioca na história do Mais Querido do Brasil.

Pé-quente
O amor pelo Flamengo nasceu antes mesmo de assistir a uma partida do clube, que aconteceu quando Zico tinha apenas 8 anos. O Flamengo não decepcionou o pequeno messias, vencendo o Corinthians, por 2 a 0, no dia 23 de abril. Quatro anos mais tarde, a profecia seria cumprida.

Messias
Conduzido pelo radialista Celso Garcia (falecido em 2008), flamenguista fanático e amigo da família, Zico pisou na Gávea sob grande expectativa. Encantado com a grande atuação a que assistiu do menino em um campeonato de bairro, quando Zico marcou dez gols, Celso Garcia tinha certeza de que estava levando para o Flamengo, um jogador que transformaria para sempre a história do clube, sendo tão amado quanto a bandeira, o escudo e o “manto sagrado” do rubro-negro carioca.

Talento nato
A habilidade privilegiada, a visão de jogo diferenciada, o drible objetivo, o toque perfeito, a forma categórica de bater na bola (fosse no passe ou na bola parada) e a facilidade de marcas gols, foram aprovadas de imediato. Mas o corpo franzino necessitava de uma preparação muscular jamais realizada por um clube de futebol no Brasil. O trabalho foi perfeito, e a dedicação de Zico fundamental.

Primeiros anos
Em 1971, enfim a estreia no time profissional do Flamengo, contra o Vasco. Vitória por 2 a 1, com Zico dando o passe para o folclórico atacante Fio Maravilha fazer o gol da vitória. Este foi a primeira benção do deus rubro-negro, que ainda atuava pelo time juvenil. A titularidade absoluta e inquestionável viria três anos depois, em 1974. Dois anos antes, porém, Zico conquistou seu primeiro título profissional pelo clube. O Carioca de 1972, quando atuou em apenas duas partidas, em nenhuma delas com a 10 que o consagrou. O Flamengo tem torcedores de todas as etnias, classes sociais e credos, mas, até os ateus, ou os que não tiveram o privilégio de ver o Galinho de Quintinho jogar, se ajoelham diante de Zico.

Um craque família

Casamento

Zico é casado há 38 anos com Sandra Sá Carvalho, irmã da esposa do irmão Edu. O Galinho tem três filhos: Arthur, Bruno e Thiago.

Goleador

Ao todo, Zico marcou 826 gols na carreira, sendo 516 em partidas oficiais. Uma marca que notável para qualquer atacante, ainda mais para um meia (posição dele).

Três Copas do Mundo pelo Brasil

“Se Zico não conquistou uma Copa do Mundo, azar da Copa do Mundo”. É desta forma que o jornalista Fernando Calazans responde aqueles que tentam minimizar a história de Zico com a camisa da Seleção Brasileira. No total, o Galinho disputou três Mundiais com a camisa verde e amarela (1978, na Argentina, 1982, na Espanha e 1986, no México), mas apenas na segunda atuando como titular. Na primeira participação, Zico jogou apenas nas duas primeiras partidas.

Quatro anos depois, Zico, no auge da forma, fez parte de uma equipe que encantou o planeta, ao lado de Sócrates, Falcão, Júnior, Cerezo e Cia. Foi na Espanha que Zico esteve mais perto de conquistar uma Copa. Mas, o Brasil foi surpreendido pela Itália em uma tarde inspirada do carrasco Paolo Rossi, que marcou todos os gols da Azzurra, na partida que entrou para a história das Copas como “A tragédia do Sarriá”. A Seleção jogava pelo empate para avançar às semifinais, porém, caiu por 3 a 2.

No México, em 1986, Zico quase não atuou por conta de problemas físicos. O Galinho só aceitou a convocação por insistência do técnico Telê Santana. Perdeu um pênalti, contra a França, no tempo normal. Marcou na disputa de cobranças alternadas, mas o Brasil foi derrotado.

Década dourada e o adeus

O primeiro ano de titularidade no time profissional do Flamengo foi inesquecível. Em 1974, Zico comandou o Rubro-Negro carioca a mais um título estadual, desta vez sendo protagonista. Nesta temporada, Zico fez 49 gols com a camisa do Flamengo, um recorde que dura até hoje. Nos três anos seguintes, um hiato de títulos.

Em 1978, mais forte fisicamente, Zico começou sua jornada que o colocaria no altar de divindade rubro-negra, tendo o Maracanã como templo. Em 1978, o Galinho de Quintino conquistou seu terceiro título estadual. Em 1979, como prova de divindade, operou o milagre da multiplicação dos títulos ao dar para o clube dois campeonatos cariocas – no mesmo ano! Tornando o Flamengo o primeiro time – e único do mundo – a ser tricampeão em dois anos (em 1979, o estadual do Rio de Janeiro teve uma edição especial).

A era Zico, no entanto, começou em 1980, quando o time de maior torcida do Brasil comemorou seu primeiro Campeonato Brasileiro. A conquista valeu a classificação para a Libertadores da América de 1981. Era a primeira participação do Flamengo na competição. Ao lado de grandes jogadores e um artilheiro nato, Nunes, Zico conduziu o Flamengo ao título mais cobiçado das Américas. Para fechar o ano, um show de bola sobre o Liverpool. O placar de 3 a 0, em Tóquio, valeu o mundial de clubes (o único de um time carioca até hoje). Após o termino da decisão, os súditos da rainha Elizabeth II tiveram que ser curvar ao deus rubro-negro e seus apóstolos.

Zico ainda conquistaria mais três títulos brasileiros com o Flamengo na década (1982,1983 e 1987), só não conquistou mais por dois motivos: foi negociado para a Udinese, da Itália, após o título de 1983, onde atuou por duas temporadas. Ao retornar para os braços de seus devotos, em 1985, sofreu uma falta criminosa do zagueiro Márcio Nunes do Bangu, no estadual, que lhe custou três cirurgias no joelho esquerdo (a jogada foi tão violenta que Zico ainda torceu os dois tornozelos, o outro joelho, machucou a cabeça na queda ao gramado e teve cortes profundos na perna direita). Mesmo assim, o deus do Flamengo, tido por muitos como “morto” para o futebol, ressuscitou a tempo de voltar a jogar no ano seguinte e conquistar seu último Brasileiro, em 1987.

Dois anos depois, Zico se despediu do Flamengo. O último jogo pelo clube como profissional foi uma goleada de 5 a 0 sobre o Fluminense, sendo o último gol marcado por ele, em mais uma das geniais cobranças de falta. O Fla-Flu do adeus aconteceu em Juiz de Fora (MG).

Por tudo que fez pelo Flamengo fica fácil explicar a razão da nação rubro-negra comemorar o dia de hoje como o Natal. Para ela, estamos no ano 60 D.Z. Afinal, diferente de muitas crenças, graças a Zico o flamenguista não precisou morrer para poder se sentir no paraíso.



Mais de Acritica.com

Sobre Portal A Crítica

No Portal A Crítica, você encontra as últimas notícias do Amazonas, colunistas exclusivos, esportes, entretenimento, interior, economia, política, cultura e mais.