Terça-feira, 15 de Outubro de 2019
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‘Competência na Copa nos deu Jogos Olímpicos', afirma diretor-presidente da FVO

Referência no esporte brasileiro,  Aly Almeida, hoje diretor-presidente da Fundação Vila Olímpica, fala de suas experiências aqui e fora do País, diz o que já fez pelo setor e afirma que temos muito a avançar



1.png A experiência dos 63 anos de vida, destes 53 destinados para o crescimento e desenvolvimento de várias categorias esportivas, principalmente a natação
09/05/2015 às 15:18

Pouco mais de meio século de vida dedicados para o esporte amazonense ainda revelam que muito mais ainda está por vir. A experiência dos 63 anos de vida, destes 53 destinados para o crescimento e desenvolvimento de várias categorias esportivas, principalmente a natação, permitiu ao professor licenciado do Instituto Federal do Amazonas (Ifam), Aly Almeida, se tornar o diretor-presidente da Fundação Vila Olímpica (FVO).

Prestes a completar um ano à frente do órgão responsável pelas principais praças esportivas do Amazonas, e também de gerenciar a prática esportiva dentro da Vila, Aly Almeida já acumula conquistas e benfeitorias para o esporte.

Com bagagem internacional, até mesmo em ter disputado a Olimpíada de Barcelona em 1992 como técnico do nadador Eduardo Piccinini, o gestor da pasta se orgulha em ter sido escolhido pela experiência e dedicação ao longo dos anos ao esporte e não apenas por questão política pelo governador do Estado José Melo.

Na busca de honrar a escolha, Aly já realizou mudanças significativas na Vila, facilitou o acesso do público para praticar aproximadamente 20 modalidades e ainda aguarda liberação para reformas e ampliação das instalações do complexo esportivo. A primeira delas já foi concluída com a entrega, na última sexta-feira (08), da reinaugurada pista de corrida de atletismo.

Na entrevista a seguir, o diretor-presidente da Fundação Vila Olímpica revelou o passado e presente dedicados ao esporte e falou dos planos para o desenvolvimento da área esportiva para os próximos anos, para a Arena da Amazônia e os atletas amazonenses que possuem possibilidades de estarem nas Olimpíadas Rio 2016.

Como iniciou sua carreira no esporte?

Começou em 1962 dentro do Atlético Rio Negro, o clube que mantinha todos os esportes de Manaus. Comecei na natação com o professor Valdir de Oliveira, com 10 anos de idade. De lá até 2015 eu durmo e acordo no esporte.

Então, com 53 anos no esporte, como foi a caminhada até aqui?

Foi uma trajetória longa. Fiz o curso de Educação Física, depois resolvi ser treinador de natação. Depois tive uma coisa paralela que foi o jiu-jítsu. O Rio Negro para mim foi o berço do esporte amador do Estado, porque dentro do Rio Negro se fazia a melhor natação; futebol, voleibol, basquete e era uma honra dos outros clubes ganharem do Rio Negro. Criei a Associação Aquática Manauara, e foi no clube que fizemos grandes campeõesn e paralelo a isso criei a Federação Amazonense de jiu-jítsu. Depois foram criadas as outras federações.

O que fez para se tornar um dos poucos treinadores com diploma Olímpico?

Fiz um trabalho na piscina do Parque Aquático Júlio Delamare, no Rio de Janeiro. Nesse ano quebramos cinco recordes brasileiros, em uma só competição. E nesse momento eles (Confederação Brasileira de Desportos Aquáticos) estavam escolhendo o melhor treinador do ano. Como fui o único treinador a quebrar um maior número recorde e fui escolhido o melhor treinador do Brasil, e como existia um projeto de ciclo olímpico, feito por uma grande empresa, aprendemos a trabalhar com ácido lático (ligado a fisiologia do exercício) e passamos quatro anos na Argentina, aprendendo isso tudo. Foram os 15 melhores treinadores e 15 nadadores. E lá estavam treinadores da região Sul, Sudeste, Centro-Oeste e eu, o único do Norte e Nordeste.

Em 1992, o senhor e o nadador amazonense Eduardo Piccinini  estiveram participando das Olimpíadas de Barcelona. Como foi para isso acontecer?



Fizemos um trabalho com ele e veio à convocação para a Seleção Brasileira para participar dos jogos Pan-Americanos. Mas antes dessa participação a gente já vinha mostrando para quê a gente veio. Nós fomos ao Sul-Americano de Natação e quebramos quatro recordes, fomos à Copa Latina na França e fomos terceiro lugar. O nosso objetivo era ficar em evidência. Tinha que estar no pódio, não valia quarta colocação. Fomos ao Pan-Americano e ganhamos duas medalhas de bronze e em seguida nós fizemos o índice olímpico em Cuba, em 1991.
 
E como foi nas Olimpíadas?

Fizemos um período de adaptação no Arizona (EUA) e fomos para Barcelona. Fomos com nove nadadores e o Gustavo Borges foi o único medalhista (prata nos 100 metros livre) e os outros foram para as finais e semifinais. O Piccinini ficou na sétima colocação da Série B. Naquele, época, em 1992, aquela participação Olímpica da Seleção foi a melhor de todos os tempos do Brasil. Ainda teve a segunda convocação para a segunda Olimpíada, mas ele já estava
nos Estados Unidos e ficou estudando, trabalhando e hoje é
um empresário.  

E qual avaliação o senhor faz do estágio da natação amazonense e do Brasil?

Com o conhecimento abrangente (fisiologia no esporte) e com a facilidade da tecnologia, o conhecimento do treinador aumentou. Antes o atleta treinava nos Estados Unidos e voltava para Brasil. O Cielo quando quebrou o recorde mundial dos 50m livres estava treinando no Pinheiros (em São Paulo). Tivemos o nadador de peito (Felipe França) que quebrou o recorde mundial (2009), a garota de Pernambuco (Clarissa Rodrigues) que  quebrou o recorde mundial (2012) nadando costas. Nisso a natação brasileira aumentou. Enquanto aqui no Amazonas temos uma dificuldade, a saída do Estado. Os atletas daqui têm que ir para a rua com medalhas no pescoço pedir sua esmolinha. Isso não acabou. A distância do Amazonas dificulta muito. Mas tem solução: a FAB (Força Área Brasileira) nos ajudar com os aviões, a levar as delegações e trazer... O governo ou prefeitura bancar o combustível...

E o que mudou com a sua vinda para a FVO?

Cheguei aqui no dia 4 de julho (2014) e vim a pedido do governador José Melo. Quando cheguei aqui fiquei muito triste. A FVO estava entregue dentro da esfera de políticos que não olharam para a FVO. Prova disso foi a pista que ficou dois anos pegando sol e chuva. Uma pista que custa sete milhões e meio de reais e estava dois anos pronto para ser colocada e não colocaram. A cola da pista foi estragada e tive que ligar para a empresa italiana, pedindo uma nova cola alegando que o clima quente e úmido de Manaus... Fiz isso para dizer que ninguém tinha dinheiro para comprar uma nova cola. E houve um descaso infelizmente. Mas hoje está pronta e é uma realidade.

Além da pista de atletismo, o que mais mudou?

Nos tínhamos uma precariedade muito grande com iluminação da Vila. Muitos assaltos. Os atletas que treinavam aqui dentro eram assaltados. Havia roubo de automóveis e tínhamos só cinco seguranças. Hoje temos luzes devido à parceria com a Prefeitura, levantamos o mudo da Vila e colocamos arames farpados. Fizemos parcerias com a Polícia Militar que ‘espantou’ todo mundo e vamos reformar o alojamento e transformar em um hotel para os atletas, reformar do parque aquático, o ginásio e reformar o restaurante. A reforma já está na licitação.

A Vila é para todos, agora?

Existia uma regra aqui na vila que só podia frequentar a vila até 14 anos de idade. E se completava 15 não podia mais. Fiz essa alteração e qualquer pessoa pode frequentar. Na Arena da Amazônia o jovem e estudante não paga entrada. Ordem do governador.

Teremos competições, como o antigo Troféu Brasil de atletismo que chegou a ser realizado em Manaus?

Nós fizemos uma Copa com competência e trouxemos os jogos olímpicos pela competência que mostramos na Copa. A pista estava parada há dois anos. Agora com a nova pista tudo vai mudar e vamos solicitar da confederação brasileira, Sul-americana, a mundial de atletismo, competições para cá. Se temos uma pista de alto nível como não vamos ter uma competição de alto nível?

Sendo assim, teremos novamente o intercâmbio com técnicos de outros países?

Sim. Estamos em conversa com técnicos da Alemanha, Estados Unidos, Rússia com a luta livre olímpica, e todos verão o que a Rússia vai fazer nas Olimpíadas do Rio de Janeiro.

Como está a preparação para as Olimpíadas?

Dia 25 agora teremos uma reunião e virão os coordenadores de segurança, mobilidade urbana, voluntariado... A mesma coisa da Copa do Mundo. Então, junto com a Prefeitura e do Estado uma equipe única. Não vai ser preciso criar nenhuma secretaria. Quanto aos locais para treinos teremos a Colina e o Zamith, vamos inaugurar o estádio da Zona Norte e do Sesi. O máximo que vamos mudar é o gramado do estádio da Zona Norte e Sesi para o bermuda, semelhante ao dos estádios da Copa.

E quanto à Arena da Amazônia, será bastante usada neste ano?
Elefante branco é aquilo que foi construído e não tem uso. Exemplo: Os estádios da África, que estão sem uso. Na Grécia também, e estamos falando de país de primeiro mundo. A Arena tem dez meses, ainda não tem um ano. Em dez meses foram feitos 20 eventos. E agora estamos trazendo uma Olimpíada. Já pensou se amanhã me ligam e pedem para usar a Arena? Não vou me preocupar. A Arena está pronta. Coisa que na África e em outros países não estão. Aqui está tudo pronto sem faltar nada. Há trabalho todos os dias na Arena e com o campeonato brasileiro já começou a procura para a utilização do estádio. Já vamos
ter o jogo do Flamengo e Vasco com jogadores do passado. Garanto que este ano vamos ter muito jogos e shows. Elefante branco é quando
está fechado.


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