Quarta-feira, 25 de Novembro de 2020
VIDA DUPLA

Conciliando a enfermagem e a natação, aluna-atleta alerta para a Covid-19

Luisa Marillac já foi convocada quatro vezes para a Seleção Brasileira. Mesmo liberada do período de 'internato' em hospitais, a amazonense se considera preparada para 'servir' no combate ao coronavírus



capa_32382B6A-E78B-4367-BDC5-3543E5058A62.JPG Foto: Acervo pessoal
29/03/2020 às 08:14

No final do mês de fevereiro, a pandemia global do novo coronavírus chegava ao Brasil. Da primeira vítima, um senhor de 61 anos de idade, em São Paulo, até a última sexta-feira (27), foram mais de 3.400 casos e 92 mortos em todo o país, segundo dados do Ministério da Saúde.

Sem o conhecimento total que é a doença e temendo um maior contágio, capitais e centenas de cidades do Brasil aderiram à quarentena, diminuindo a circulação de pessoas nas ruas.



Porém, entre tantas, uma classe precisou se manter ativa. Os profissionais da saúde estão sendo a linha de frente no combate à Covid-19.

Médicos, enfermeiros e colaboradores tentam diminuir o número de infeccionados pelo vírus em meio à preocupação pela própria saúde levando em consideração o contato com pacientes que já foram contagiados. E mesmo quem ainda não foi selecionado para ‘servir’ a população, sente-se pronta para ajudar.

É o caso de Luisa Marillac, atleta de natação que também é aluna finalista do curso de enfermagem. Conciliando a vida de nadadora de elite com os estudos, a amazonense aprendeu a conviver com a pressão por resultados nos dois ‘lados’ da vida.

Com 20 anos, Luisa iniciou 2020 concluindo uma disciplina em um hospital da Zona Leste da capital, mas o período de internato foi interrompido por conta do primeiro caso de coronavírus no Amazonas.

“Passei um mês lá, mas fui liberada pela faculdade depois do primeiro caso na cidade por precaução. Naquele momento foi bem tenso, pois qualquer paciente ou acompanhante queria mais informações sobre o vírus, se já tinha vacina e como era a doença. Criou um certo pânico. Além de exercer a função de enfermeira, precisei conversar e tranquilizar muitas pessoas”, relatou Luisa.


Com 20 anos de idade, Luisa Marillac é nadadora e também estudante de enfermagem. Foto: Acervo pessoal 

Preparada para ‘servir’

Atualmente fora dos hospitais e do serviço de saúde, a nadadora que precisa ser veloz nas piscinas acredita estar pronta para atuar na ‘linha de frente’ se for preciso.

Os cuidados com a prevenção em quarentena não mentem qual é o curso da vida de Luisa - e uma de suas versões além de nadadora.

Tem até indicação para um 'boom' de imunidade que consiste em um shot de 100 ml de água, 1 scoop de glutamina, 5 gotas de própolis, 1 colher de chá de cúrcuma e 1 limão espremido.

“Não é necessário pânico, mas é fundamental termos a consciência de diminuir o contato com outras pessoas. Não é só uma ‘gripezinha’, um resfriado, é uma doença séria para a qual ainda não temos um tratamento específico. Então quem puder evitar o risco, o melhor é ficar em casa. Indico que todos tenham cuidado com a higienização das mãos e da casa”, declarou a estudante, que aproveita o período em casa para se especializar no assunto e manter a forma.

“Tenho feito um curso online do Albert Einstein que é justamente sobre o coronavírus e está sendo bem interessante, tenho gostado. Se precisarem de mim, estarei pronta para ajudar e dar o meu melhor. Por enquanto, como minha equipe foi uma das primeiras a suspender as atividades, tenho treinado em casa. Todos os exercícios estão sendo voltados para a natação. Quero diminuir ao máximo o impacto dessa paralisação”, afirmou a nadadora quatro vezes convocada para a Seleção Brasileira da modalidade.

Conciliação das áreas

Se na enfermagem Luisa já se mostrou capaz, na natação os números são ‘casos’ de sucesso. Além de ter sido a primeira amazonense a nadar os 50m borboleta abaixo dos 30 segundos, foi campeã do Norte-Nordeste, finalista do Campeonato Brasileiro 100m borboleta e 3ª colocada em duas edições da Copa Pacífico (Lima 2013 e Santa Cruz de La Sierra 2017).


Atualmente, Luisa treina na equipe Asa CMM e aguarda o novo calendário de torneios. Foto: Acervo pessoal

Para ela, conciliar a enfermagem e o esporte de alto rendimento exige muito foco e disciplina. “Sempre consegui conciliar os dois lados, porque sei que os dois são fundamenteis. Esporte e estudo têm o mesmo valor e a mesma importância, então procuro dar o meu melhor.

De mais semelhante, imagino que seja a pressão, que enfrento tanto na enfermagem, lidando com vida, e na natação, precisando evoluir sempre”, analisou Luisa, que treina na equipe Asa CMM com a amazonense ex-atleta olímpica Lucianne Barroncas.

Para 2020, o foco e a preparação estavam sendo voltados para o Troféu José Finkel, que é o Campeonato Brasileiro Absoluto e aconteceria em agosto.

Com a paralisação do calendário, é provável que a competição seja suspensa - até porque o Troféu Maria Lenk, que precisaria ser realizado antes do Finkel como uma seletiva, também foi adiado. A longo prazo, o desejo é Olimpíadas.

“Acho que essa é a meta de todo atleta de alto rendimento, é um grande sonho. Como Tóquio, mesmo com o adiamento, ainda está muito em cima, a preparação será para edições futuras”, projetou a aluna-atleta, que ajuda a salvar e conscientiza vidas na área da saúde e ‘corre’ contra o tempo nas raias das piscinas brasileiras.

 

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Repórter do Craque
Jornalista em formação na Universidade Federal do Amazonas (Ufam) e repórter do caderno de esportes Craque, de A Crítica. Manauara fã da informação e que procura aproximar o leitor de histórias – do futebol ao badminton.

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