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Conexão Rio 2016: dupla campeã do vôlei de praia Alison e Bruno Schmidt em entrevista exclusiva

“Mamute e o Mágico”, apelido da dupla, falam sobre o início da parceria, a temporada fantástica de 2015 e o desejo de repetir a dose neste ano, além da preparação para a Rio 2016 10/02/2016 às 12:34
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Alison e Bruno Schmidt falam com exclusividade ao CRAQUE.
Denir Simplício Manaus (AM)

Nos Jogos Olímpicos do Rio de Janeiro o vôlei de praia completa 20 anos no programa olímpico, e nessas duas décadas que a modalidade faz parte dos Jogos, o Brasil já conquistou 11 medalhas. Desde Atlanta 1996, quando a dupla formada por Jacqueline e Sandra conquistou ouro, o vôlei de praia brasileiro é sinônimo de conquistas. Classificados para a Rio 2016 desde julho do ano passado, a dupla Alison e Bruno Schmidt, líder do ranking mundial, é favorita a levar o Brasil, novamente, ao lugar mais alto do pódio, desta vez em areias brasileiras.

O “Mamute” e o “Mágico” (apelidos de Alison e Bruno, respectivamente) são amigos de longa data e a sintonia de ambos levou a dupla a conquistar, não apenas o Circuito Mundial do ano passado, mas também o Campeonato Mundial de Vôlei de 2015, na Holanda, e de forma espetacular. Em partida épica, os brasileiros venceram a dupla holandesa Reinder Nummerdor e Christiaan Varenhorst por 2 sets a 1, de virada e na casa dos adversários.


A vitória na “Batalha de Haia” carimbou o passaporte da dupla para a Rio 2016 e os coloca como chances reais de medalha nos Jogos no Brasil. Alison e Bruno Schmidt, que é sobrinho do ídolo do basquete Oscar Schmidt, pretendem repetir o feito da dupla Ricardo e Emanuel, nos Jogos de Atenas 2004, e levar o ouro nas areias de Copacabana. Vale lembrar que Alison já “beliscou” o ouro nas Olimpíadas de Londres, em 2012. Na ocasião, o gigante de 2,03m de altura fazia dupla com Emanuel e, como ele próprio diz, não perdeu o ouro, mas sim, conquistou a prata. Alison relembra o feito de quatro anos atrás e quer subir um degrau a mais nos Jogos do Rio.

Seguindo com a série de entrevistas especiais “Conexão Rio 2016”, que traz atletas olímpicos e paralímpicos brasileiros, que já confirmaram ou ainda lutam para disputar a Rio 2016, o CRAQUE conversou com a dupla, que entre diversos assuntos falou sobre a preparação para as conquistas de 2015, afinidade, Manaus Olímpica e a expectativa para os Jogos Olímpicos do Rio de Janeiro. Confira a entrevista.

Quando e como a dupla foi formada e o que ambos acham que fortalece o conjunto?

ALISON - Estamos juntos há dois anos, desde o começo de 2014. Na verdade, foi a segunda vez que nos juntamos, já que disputamos algumas etapas em 2005, 2006, quando estávamos começando a carreira na praia. Acho que a amizade que temos ajuda e muito, o respeito e o comprometimento que temos com a equipe é fundamental. Hoje somos uma dupla que faz parte de um time: temos 15, 20 pessoas trabalhando com a gente e pela gente, e foi graças a isso, à união de todos e ao apoio que temos de família, amigos, fãs e patrocinadores, que hoje estamos classificados para as Olimpíadas.

A dupla teve um 2015 fantástico, a pressão por uma medalha dourada na Rio 2016 aumenta por conta do sucesso no ano passado?

BRUNO SCHMIDT - Procuramos levar isso para dentro de quadra como motivação e não como pressão. O atleta está sob pressão o tempo todo, pressão por resultados, mas a maior pressão quem coloca na gente somos nós mesmos. É uma pressão por melhora, por evolução, por crescimento. Os resultados são consequência do trabalho e estamos muito focados, concentrados no planejamento feito pela comissão técnica. Queremos uma medalha, claro, queremos estar no pódio, mas não estamos pensando nisso agora, estamos pensando na próxima etapa, na nossa preparação. Disputar as Olimpíadas é algo especial, ainda mais aqui no Brasil, há muitos adversários duríssimos, são oito, dez duplas em condições de conquistar uma medalha.

Vocês são pessoas diferentes e devem divergir em algo, já aconteceu de a dupla “desafinar” em algum momento? Como foi resolvido?

ALISON - Não. Não que me lembre. Temos uma sintonia muito fina, apesar de personalidades e gostos bem diferentes. Talvez por isso nosso relacionamento seja tão bom. Eu gosto de hip-hop, de rock pesado, Bruno gosta de jazz, eu gosto de carros antigos, Bruno gosta de esportes radicais...

Na Rio 2016 o vôlei de praia completa 20 anos de Olimpíada e o Brasil já conquistou 11 medalhas desde então. O que falta pro vôlei de praia se tornar o esporte do brasileiro?

BRUNO SCHMIDT – Acho que o brasileiro gosta de vôlei de praia. E digo isso pelo que a gente vê pelo país afora, disputando as etapas do circuito nacional, pela quantidade de pessoas que vem falar com a gente nas ruas, que param nos treinamentos para assistir e que torce pelas duplas brasileiras, inclusive, fora do país. O vôlei de praia tem características muito particulares e que, na minha opinião, fazem o brasileiro se identificar: é um esporte bacana de se ver, sempre disputado em lugares bonitos, que está sempre ligado à alegria, à vibração, ao sol, à energia das pessoas, é uma modalidade que milhares de pessoas praticam por diversão, que qualquer um pode jogar e eu, com 1,85m, acabo sendo um exemplo de que não é um esporte só de gigantes.

Vocês se sagraram campeões mundiais na Holanda num jogão contra os donos da casa. Jogar nas areias de Copacabana, com o apoio da torcida vai ser mais tranquilo?

ALISON - Tranquilo, nunca. Olimpíadas é a competição mais importante do esporte e estamos muito orgulhosos de representar o Brasil nessa edição tão especial, no nosso país, com a nossa família, nossos amigos e nossa torcida. Poder jogar com o calor do povo brasileiro junto é, sem dúvidas, maravilhoso. Será o nosso terceiro jogador em quadra. Será uma competição dura, um torneio curto que não permite erros, e estamos muito motivados.

Vocês já vieram ou jogaram em Manaus? O que acham de uma cidade tão longe do Rio também ser sedes dos Jogos?

BRUNO SCHMIDT – Joguei um “Challenger” (Etapa do Circuito Banco do Brasil, quando fazia dupla com Tiago), em 2005, se não me engano. Espero que não demore a voltar a ter uma etapa em Manaus. Tenho curiosidade de poder conhecer melhor e pretendo visitar o Amazonas, o norte é uma região vital para o país. Dizem que é muito bonito e é um local que quero ir. Acho ótimo não só Manaus, mas todas as outras cidades que estarão envolvidas. Esses não serão os Jogos do Rio, serão as Olimpíadas do Brasil e quanto mais o povo estiver envolvido, tiver oportunidade de participar e aproveitar, melhor.

Alison, por que o apelido Mamute? Bruno, tem apelido? Qual e por quê? 

ALISON – Meu apelido vem de quando eu comecei na areia. Eu vim da quadra, cheguei ‘pesadão’, não era muito ágil, não tinha velocidade na praia e estava passando, naquela época, o filme ‘A Era do Gelo’. De uma brincadeira, veio o apelido de ‘Mamute’. Gostei tanto que tatuei um mamute. Bruno é chamado de ‘Mágico’ e não à toa. Com a altura que tem e a habilidade que tem ele é um dos melhores jogadores do mundo. Claro que isso não é mágica, é fruto de muito trabalho e dedicação, mas que ele costuma fazer umas mágicas, umas defesas inacreditáveis, ataques incríveis, isso ele faz, é um jogador inteligente e fora-de-série.

Bruno, será sua estreia em Olimpíada, está apreensivo? Tem recebido dicas do parceiro, medalha de prata em Londres?

BRUNO SCHMIDT – Não (está apreensivo). Estou feliz. Sinto uma ansiedade boa, pela proximidade do evento, porque todo mundo vem falar com a gente sobre as Olimpíadas, mas estamos bem tranquilos e nisso é importante eu ter o Alison do meu lado, me ajuda bastante. Ter um parceiro já com experiência olímpica está sendo fundamental, pois tudo é novo para mim, ele vem me dando um bom suporte nisso.

Alison, em 2012 o ouro passou perto, o que não deu certo com o Emanuel que pode dar certo com o Bruno?

ALISON - Acho que as coisas deram certo e espero que eu consiga repetir com o Bruno nas Olimpíadas. Com o Emanuel, fizemos uma preparação maravilhosa, chegamos muito bem em Londres, alcançamos a final e perdemos no tie-break por 16 a 14. Não dá para dizer que algo não deu certo, que não tivemos sucesso. Apesar da tristeza depois da derrota, ainda mais como ela foi, por uma diferença tão apertada, eu não perdi a medalha de ouro, nós conquistamos a medalha de prata, subimos ao pódio. Sou um privilegiado, tenho uma medalha olímpica e valorizo muito, sei o quanto ela tem de suor, de trabalho, do sacrifício e do apoio de tantas pessoas.

Bruno, seu tio Oscar é um ícone do basquete, mas não tem medalha olímpica, vai tirar “onda” com ele caso a medalha venha?

BRUNO SCHMIDT – Acho que, se conseguirmos sucesso, se conseguirmos uma medalha, a família toda vai comemorar muito. Meu tio é um entusiasta, um dos caras mais patriotas que conheço e sei que vai torcer muito para que os atletas brasileiros tenham bons resultados. Ainda mais nas Olimpíadas aqui no Brasil. Ele é uma lenda olímpica, disputou cinco vezes os Jogos, tem uma carreira brilhante. Mas temos um medalhista olímpico na família já. Meu pai é campeão de vôlei de praia, campeão master, e acaba sendo uma inspiração também, com certeza.

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