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DO BRASIL PARA O MUNDO

'A filosofia brasileira é jogar bem', diz jogador do Real Madrid e da Seleção Sub-20

Augusto Galvan, que completa 18 anos neste dia 25 de março, integra o time do Real Madrid e também faz parte do time canarinho Sub-20 25/03/2018 às 08:59 - Atualizado em 25/03/2018 às 09:07
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Augusto Galvan se destacou no São Paulo, o que abriu portas para ele ser visto pelo Real Madrid (Fotos: Euzivaldo Queiroz/A crítica)
Jéssica Santos Manaus (AM)

A Seleção brasileira Sub-20 entra em campo neste domingo para um jogo amistoso contra o México, na Arena da Amazônia, às 18h. Em Manaus, os garotos bons de bola do elenco brasileiro se preparam para o Sul-americano 2019, e entre eles está Augusto Galvan, que completa 18 anos neste domingo, e, apesar da pouca idade, já chegou aonde a maioria dos jogadores gostaria de estar, pois, integra, além da seleção canarinho, o elenco Júnior de um dos maiores times do mundo, o Real Madrid.

Ex-camisa 10 da equipe Sub-17 do São Paulo, Augusto assinou contrato de três milhões de euros com o time espanhol no ano passado e, neste mês de março, foi convocado pelo técnico Carlos Amadeu para integrar a Seleção brasileira. Nesta entrevista exclusiva ao CRAQUE, o jogador falou, entre outras coisas, sobre seu início no futebol, vida de jogador profissional, sobre a ida para o Real Madrid, participação na Champions League Sub-19, Seleção brasileira, é claro, sobre o futuro. Confira.

AC- Você foi convocado assim, na última hora, para a Seleção, então, como foi receber essa notícia e como está sendo a sua experiência aqui com os outros brasileiros?

Tô muito feliz por estar voltando ao Brasil, depois de praticamente um ano na Espanha, e acho que eu precisava voltar, pra relembrar, matar um pouco a saudade porque estava lá sempre tentando melhorar, e estava buscando um refrigério. Sempre acompanhei a lista e as convocações do Amadeu, já fui convocado para uma semana de treinos, e fiquei no aguardo porque vi que os meninos do Palmeiras não iriam, que o clube não tinha liberado, e fiquei com um pouco mais de esperança, mas o Real Madrid não tinha me informado nada antes do jogo contra o Chelsea (na Champions League Sub-19), e eu não joguei bem naquele jogo, saí no intervalo, mas estava em paz, porque sabia que aquele que trabalha sempre tem sua recompensa, e achei que poderia surgir a oportunidade... Chegando aqui, estou muito feliz, muito feliz mesmo, a família tá toda chorando, e a sensação é muito boa.

AC- Na quinta (22), a Seleção fez o primeiro jogo contra o México, que foi fechado ao público, mas o Brasil empatou em 1 a 1, com contribuição sua no gol brasileiro, né? Como foi essa partida pra você?

A filosofia brasileira é jogar bem, agradar o público e sempre vencer, mas, infelizmente, a gente foi surpreendido com o gol deles logo no início, isso deu uma desestabilizada, mas depois foi tudo se encaixando. No segundo tempo, a gente conseguiu controlar mais o jogo, ditar o ritmo brasileiro com a intensidade internacional e, assim, com o toque de bola rápido, a gente dominou, conseguiu fazer as jogadas, dribles, e acabou saindo o gol. Creio que foi uma fatalidade não termos feito o segundo gol, por termos dominado o segundo tempo, mas é o futebol.

AC- Você vai ter essa oportunidade de fazer esse gol neste domingo, dia do seu aniversário, né? Parabéns! O que representa passar esse aniversário, assim, na Seleção.

Obrigada! Eu tinha pensado em fazer um jantar com a minha família e quando eu vi a notícia, falei: mãe, vou passar o aniversário na Seleção. Então acho que não tem aniversário melhor, se for pra representar a Seleção todo aniversário, estarei feliz porque vestir essa camisa e estar com pessoas com quem você trabalhou junto, os meninos do São Paulo e de outros clubes, nesse nível de qualidade, é gratificante.

AC- Conta um pouquinho do seu início, dos seus primeiros anos no futebol até se tornar profissional.

Meu início foi igual ao da maioria. Meu pai tentou ser jogador profissional, chegou até o amador, e o meu tio foi profissional, era zagueiro, então, assim, minha família inteira sempre foi apaixonada por futebol. Daí, quando eu tinha quatro anos de idade, meu pai, que ainda jogava, fez amizade com um jogador profissional, que passou pelo Santos, por time de fora do país também, e que estava abrindo uma escolinha, então comecei a jogar bola pequeno, meu pai já pensava no futuro, então continuei jogando e, aos nove anos, fui fazer um jogo em Cotia (onde fica um centro de treinamento do São Paulo), e comecei a fazer essa monitoração que eles fazem até os 14 anos, quando fui para o São Paulo, onde fiquei por quatro anos, e fui para o Real Madrid.

AC - E como foi, primeiramente, a sua primeira experiência no São Paulo?

Cheguei lá muito cedo. Na época em que eu tinha nove anos, o Casemiro e o Lucas ainda estavam lá; também peguei a geração de 96, Evandro, Auro, esse pessoal que está aí, e todos diziam que seria passo a passo, que iria demorar muito, mas o tempo foi passando e eu fui vendo que estava mais próximo... Porque com 16 anos já estava jogando com os mais velhos, já tinha ido pro Catar participar de campeonato internacional e foi aumentando a responsabilidade, então foi nessa fase que percebi que poderia me tornar jogador profissional.

AC - Então você nunca passou por aquela fase de dizerem que você não era forte o suficiente para jogar com jogadores mais velhos?

Em princípio sim. O São Paulo tinha a filosofia de trabalhar com cada jogador na sua faixa etária, por conta de times internacionais olharem... Mas quando mudou a filosofia do clube, que tem prós e contras, comecei a me destacar entre os mais velhos, e assim foi seguindo.

AC - Isso que eu ia te perguntar agora.  Como foi para o Real Madrid chegar até você e ver o seu talento?

Eu não sabia, mas, com certeza eles têm olheiros no mundo todo e já estavam me observando bem antes, muito antes, em campeonatos, mas não me comunicavam nada, eu não sabia, até que o meu empresário disse que o pessoal do Real Madrid estava acompanhando e que eles iam assistir a um jogo em Piracicaba; eu tinha quase 17 anos e foi a primeira vez que eu soube onde eles estavam indo atrás, que buscavam informações sobre a minha família, sobre mim como pessoa, e comecei a me preparar como profissional de verdade. A partir daí, surgiram alguns problemas, mas eu estava ciente de que eu poderia jogar no Real Madrid.

AC- Li que houve interesse de outros clubes, mas você decidiu ir pra lá. Foi assim, uma decisão sua?

Sim. Até os meus 15 anos, quando meu pai era meu empresário, a gente fazia esse processo. Ele dizia para eu analisar tudo, para a gente ver em família, mas para eu dar a palavra final. Foi assim antes dos 14 anos, quando eu poderia ter ficado no alojamento do São Paulo desde antes dos outros da minha geração, era o que eu queria, mas minha mãe não deixou, disse que eu era muito novo. E eu chorava: - mãe, quero ir, preciso ir. Até que meu pai disse para eu não ir ainda, ir no ano seguinte então, e assim foi, todos foram ouvidos.

AC- Você está a quase um ano no Real Madrid. Como foi esse primeiro ano no time?

O começo foi bastante complicado porque eu fiquei quase um ano parado, pela questão entre São Paulo e Real Madrid; fiquei muito tempo sem jogar futebol, e quando eu cheguei lá estava com o pensamento de que precisava me adaptar, jogar, voltar à rotina de jogos e campeonatos que eu tinha antes, mas a gente fez uma pré-temporada na Alemanha e eu tive uma lesão na coxa, e aí eu fiquei um mês parado; tentamos voltar o mais rápido possível para começar a temporada bem, mas tive outra lesão em seguida, no mesmo local, um pouco acima e um pouco mais séria, e aí a gente começou a rever alimentação, tempo que eu fiquei parado, arcada dentária, pra ver o que estava acontecendo pra continuar, então, juntando tudo foram quatro meses parado, metade da temporada sem jogar, mas fui voltando aos poucos, entrando alguns minutos até jogar 90, para adaptar, mas hoje estou muito bem, graças a Deus.

AC- Você disse em outra entrevista que é muito especial jogar lá... Como é a torcida, o clube, o país?

É como num clube brasileiro, o profissionalismo total, mas você fica com aquele pensamento, jogo um dos melhores campeonatos do mundo, e eu queria me adaptar o mais rápido possível, me preparei um ano antes, comecei a aprender espanhol, a interagir mais com a realidade do país porque já tinha viajado algumas vezes pra lá, e a pesquisar com quem eu iria jogar para chegar bastante preparado, porque eu sabia que mesmo eu preparado seria difícil a adaptação, assim como foi pra mim, pra minha irmã e pra minha mãe, que também estão lá comigo. Mas eu acordava todo dia dizendo: eu estou no Real Madrid, e é uma alegria até hoje acordar, ir pra lá e olhar... É de outro mundo.

AC - A sua negociação envolveu um valor milionário, mas tem essa cláusula de atingir o valor total se você atingir metas, é isso?

Em princípio, o São Paulo não quis fazer um acordo, por isso, eu fiquei um bom tempo sem jogar e, ao final, eles aceitaram a proposta do Real Madrid, até porque a índole do Real Madrid é fantástica. Então o Real disse: vamos fazer a compra do atleta, mas fazemos as cláusulas para ele atingir metas. Isso porque o São Paulo pediu um valor absurdo, mas eles entraram no acordo de que eu preciso estar no clube atingindo as metas, que inclui jogar com a primeira equipe para o valor ir aumentando.

AC - Como foi disputar a Champions League? Você esteve nesse último jogo contra o Chelsea, acabaram perdendo, mas como foi estar lá num campeonato como esse?

A sensação é maravilhosa, é viciante... Até comentei com os meninos da Seleção, porque eles me perguntam. No primeiro jogo em que pude ir, fui pro banco porque tinha voltado da lesão, e a vontade de estar ali dentro bateu forte. Logo depois, fomos pra Alemanha jogar contra o Bayer, também não pude jogar ainda, e logo a gente pegou o Chelsea, sabíamos da qualidade deles, e foi muito gostosa a sensação de estar ali, infelizmente não passamos de fase, eles foram superiores, mas a aprendizagem valeu demais.

AC - E o que um garoto de 18 anos, que está num dos clubes onde todo jogador gostaria de estar, espera pro futuro, o que você gostaria que viesse por aí?

Eu gostaria de, ao máximo, estar jogando em alto nível, sempre estar feliz entrando em campo, adaptado ao clube e, aos poucos, com bastante paciência e muito trabalho, jogar entre os melhores, mas creio no tempo, que tudo tem seu tempo.

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