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Confira o que especialistas procurados pelo CRAQUE dizem sobre luta de José Aldo

CRAQUE conversou com o primeiro treinador de Aldo, Márcio Pontes, e com o comentarista do SporTV Carlão Barreto, que analisaram a luta e projetaram futuro do lutador 21/12/2015 às 18:26
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McGregor nocauteou Aldo com apenas 13 segundos de luta no UFC 194.
Felipe de Paula Manaus (AM)

Aos 13 segundos do primeiro round da luta principal do UFC 194, no último sábado, em Las Vegas, era interrompida uma das mais longas hegemonias do UFC. A derrota de José Aldo para Conor McGregor, que valeu ao irlandês o cinturão unificado dos pesos pena, chocou o mundo da luta e deixou não só o lutador amazonense, mas o Brasil inteiro órfão de um cinturão.

Uma semana depois da luta, ainda são muitas as questões que repercutem o combate-relâmpago. A maior parte dos especialistas é unânime em dizer que, independente da rapidez com que a luta teve desfecho, não se tratou apenas de um golpe de sorte, mas também de tudo aquilo que está em jogo no esporte: o estudo do adversário, o fator mental, a noite de cada um e, claro, a própria sorte.

Mas, mesmo os escolados no assunto ficaram com um gostinho de quero-mais, uma irresistível necessidade de questionar, ainda que seja impossível dizer: e se a luta fosse mais longa? E se Aldo, que desde que tem o cinturão, estudasse mais as distâncias e o jogo do adversário antes de partir para o ataque, contra o defensor canhoto? Teria ele entrado no jogo psicológico do adversário, que promoveu a luta como ninguém com suas provocações?

O primeiro treinador e amigo pessoal de José Aldo, Márcio Pontes, da MPBJJ - Nova União, e o comentarista Carlão Barreto, que trabalhou durante a luta, conversaram com a reportagem do CRAQUE sobre essas questões. Para eles, no altíssimo nível em que estão estes lutadores, qualquer erro pode ser crucial e a derrota não é só parte do processo competitivo, como pode ensinar e fortalecer ainda mais os grandes campeões. Em outras palavras, quem é rei, jamais perde a majestade.

“Aldo é um monstro, é um rei e nunca vai perder a majestade. Nós temos que valorizar mais os nossos ídolos”, diz Carlão, criticando também os comentários depreciativos divulgados principalmente na internet.

Márcio Pontes lembrou um dos maiores lutadores da história do MMA, Fedor Emelianenko, que também passou por revezes na carreira e fez lobby pela revanche, que até então não tem nem previsão de acontecer, segundo o chefão do UFC, Dana White. “Todos os campeões tiveram revanche: (Renam) Barão, Anderson Silva, Saint Pierre, a Ronda vai ter. Aldo merece isso por tudo o que representa pra comunidade do MMA e do mundo como um todo”, disse Pontes.

Mas se faltou memória e respeito ao pessoal do ‘tribunal do Facebook’, também não faltou apoio ao campeão.. Personalidades dentro e fora do mundo da luta prestaram apoio ao lutador. Anderson Silva, Fabrício Werdum, Rodrigo Minotauro foram alguns dos quais manifestaram publicamente seu suporte a Aldo.

cleo piresA atriz Cleo Pires, que interpretou a esposa de Aldo na cine-biografia do lutador, publicou um depoimento emocionante em seu Facebook, em que comparava a derrota com um momento dramático de sua vida, que teria a fortalecido mais ainda (quando tinha 15 anos, boatos maldosos sobre sua família a fizeram cair em forte depressão). “Mais cedo ou mais tarde o vencedor consegue transformar a derrota em degrau pra vitória. Tamo junto Aldo”, escreveu atriz.

Duas perguntas para Carlão Barreto, ex-lutador e comentarista do SporTV

Carlão, você é um grande conhecedor do MMA e já viu quase de tudo no octógono. Mas qual foi sua reação naquele fatídico 13º segundo da luta mais esperada do ano?

Sem dúvida, foi um surpresa, até os mais otimistas dos irlandeses não imaginaria esse desfecho. Existia a possibilidade de vitória, claro, são dois lutadores de alto nível, quando fecha a gaiola, tudo é possível. Favorito e azarão é bom pra bolsa de aposta, mas não pra realidade. Não esperava tão rápido o golpe ser conectado. Todo mundo ficou meio sem ar, sem respiração, um olhando pro outro. Foi um momento muito emocional.

Qual sua análise fria da luta?

É até uma certa injustiça dizer que o Aldo errou. Se for uma análise técnica, até sim, ele foi pra cima de um contra golpeador, aí joga na outra possibilidade, lado profissional contou, tanta provocação feita pelo Conor mexeu um pouco com a cabeça. Ele foi muito emocional e foi de encontro ao que o Conor queria. Mas teria a possibilidade de ele querer pressionar o Conor a ir pra trás e agarrá-lo, não da pra prever o que aconteceria. Sem dúvida, o ideal seria ele ter ‘cozinhado’ um pouco mais, mas não aconteceu. Erros acontecem com qualquer lutador. Nesse nível, com qualquer erro você pode ser punido.

Duas perguntas para Márcio Pontes, primeiro treinador de Aldo

Professor, você foi o preceptor do José Aldo e é amigo pessoal dele. E como o senhor, pessoalmente, acompanhou esse desfecho tão inusitado?

Primeiro, eu ainda não digeri o resultado. Outra: fiquei durante 40 minutos sem reação alguma, não conseguia. Tentei entender aquilo lá. Eu fiquei triste, abalado, todos adjetivos que dê pra frustração, eu fiquei. Mas lá atrás tem um lutador famoso, o Fedor EmilianenKo passou por situação parecida. O grande guerreiro, pra aprender a levantar, um dia tem que cair e tem que aprender como fazer. Não consegui ter reação de choro, mas fiquei pasmo. Ontem assisti a luta umas cento e poucas vezes e mesmo assim não queria acreditar.

Chegou a falar com ele após a luta?

A princípio eu mandei uma pequena mensagem porque é o momento do cara... querendo ou não, ele é o maior nome da história e acredito que não vai nem manchar a primeira colocação do ranking no mundial. Mandei bem simbólica, que estou com ele, tranquilo não vai alterar em nada. Tamo junto, grande abraço, grande beijo. Isso só serve pra gente seguir firme e forte e esperar o que é nosso.

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