Terça-feira, 18 de Junho de 2019
HANDEBOL BARÉ

Piolho: conheça a história do ex-atleta amazonense e seu amor ao handebol

Piolho brilhou nas quadras amazonenses nas décadas de 70 e 80 e onde repassa seus conhecimentos como professor de educação física



WhatsApp_Image_2018-12-17_at_15.38.22_4B682AEE-8433-4505-9369-11B0765318CE.jpeg Foto:Lucas Medeiros e divulgação
17/12/2018 às 15:39

As brincadeiras de rua e a inspiração nos irmãos mais velhos foram a base para o começo da trajetória de Raimundo Inácio, 56, no handebol. Filho do seu Jorge Pinto e Dona Geralda Pinto, o “Piolho” nasceu em Manaus no ano de 1962. Aos 10 meses de vida mudou-se para o município de Parintins, localizado a 534 quilômetros de Manaus, na divisa com o estado Pará, por motivo de trabalho do seu pai.

Com 10 anos de idade voltou à terra natal, e partir daquele momento finalmente o handebol, esporte pouco conhecido na década de 70, entrou na vida de Raimundo Inácio através de incentivo e convite dos irmãos Mario Gugu e Bosco, onde conheceu o técnico de handebol, Lúcio Albuquerque, em 1972. Nos primeiros treinamentos surgiu o apelido de “Piolho” pelo corpo franzino e a cabeça grande. O “batismo” do mais novo atleta do time de Handebol do Olímpico foi feito pelo treinador da equipe. Raimundo Inácio jogava na época com jovens de 15 anos, e, ao todo, ficou por 36 meses no grupo.

Mesmo com o porte físico inferior aos colegas de treinamento da equipe Olímpico Clube, a rapidez e habilidade na armação esquerda e central era inegável aos olhos de Lúcio Albuquerque. E aos 15 anos foi convocado para primeira seleção amazonense juvenil de handebol onde jogou até os 18 anos, e disputou os jogos escolares brasileiros.

Ao atingir a maioridade, a fama por suas habilidades de jogador de Handebol Raimundo Inácio o fez ser contratado, em 1979, pela Fábrica Evadin (produtora de aparelhos eletrônicos) para competir a memorável Olimpíadas Operárias, realizada na década de 80 com a participação de equipes de empresas de todo o Brasil no mês de maio. A competição ainda é nostálgica para Piolho.

“A cidade parava para assistir as competições. A presença das empresas no dia da abertura, sempre em primeiro de maio (Dia do Trabalhador), contava ponto para classificação final, era uma grande festa. As empresas grandes, para reforçar suas equipes contratavam atletas para compor o quadro de funcionários. Imagina cinco ou seis ônibus indo para a torcida animar. E ainda deixavam o pessoal em casa após os jogos. Então era assim o handebol na minha época em que jogava”, disse.

Durante nove anos Raimundo Inácio jogou como atleta profissional, mesmo assinando contrato como técnico, a função era de esportista oficial e até mesmo garoto propaganda da empresa.

A carreira como atleta de fábrica foi vitoriosa, o grande reflexo disso tudo são os cinco títulos consecutivos de 1981 a 1985 das Olimpíadas atuando pela empresa. Esta fase na vida de Piolho virou a vitrine para o então jogador de handebol e o fez chegar à seleção Amazonense adulta e a sonhada vaga na seleção do Brasil. O fator decisivo para se destacar foram as habilidades que possuía e os campeonatos brasileiros que disputou, como o título de campeão brasileiro adulto em 1988 pela seleção amazonense principal.


 

Piolho é Seleção 

“Eu tinha entrado para faculdade de Educação Física e, lembro que estava no aniversário de uma atleta de handebol. Os convidados, sabendo disso, me seguraram e rasparam meu cabelo como em um trote de iniciação. Na semana seguinte, chegou a convocação para seleção brasileira de handebol. Foi uma emoção inexplicável”, conta Piolho. 

Em 1983, com 21 anos a vida de Piolho seguia uma jornada de excelência, pois além da aprovação no vestibular para cursar Educação Física foi chamado pela primeira vez para seleção brasileira júnior de Handebol. Na época a equipe treinava para disputar a Copa Latina no Marrocos, porém os planos mudaram de curso e devido a iminente guerra civil no país, a competição foi suspensa. No ano seguinte, 1984, Raimundo Inácio recebeu a convocação para disputa do campeonato Sul-Americano pela seleção brasileira principal. Mas o destino mais uma vez foi traiçoeiro e o jovem atleta após 15 dias de treinamento acabou cortado da equipe juntamente com outros jogadores.

“O mais importante pra mim  foi conseguir chegar até a seleção brasileira”. Mesmo sem poder ter jogado um jogo oficial pelo Brasil, Raimundo Inácio guarda com muito carinho os registros com os colegas e o documento de convocação para a seleção. A única frustração foi não ter jogado, mas o reconhecimento do seu talento e seu trabalho como atleta teve a recompensa merecida ao chegar na seleção brasileira de Handebol.

De jogador a Professor 

Formado em 1987 como profissional de Educação Física pela Universidade Federal do Amazonas (Ufam), Raimundo Inácio sempre teve a convicção de que não viveria apenas como jogador de handebol. 

No ano de 1988 devido a uma crise financeira teve o contrato encerrado com a empresa Evadin e seguiu a nova trajetória como professor de Educação Física. Em 34 anos na vida educador físico, já escreveu dois livros com parcerias de colegas e o irmão João Bosco da Costa Pinto. O professor Piolho também comandou o time de handebol do Colégio Ida Nelson por 21 anos.

O ditado popular ‘o bom filho à casa torna’  pode resumir a jornada de Raimundo Inácio. Atualmente ele é mestre na área de Educação Física,e há 10 anos leciona no Instituto de Ciências Sociais, Educação e Zootecnia-Ufam,campus de Parintins.

Você deve ter  indagado: será que ele gostava mesmo de ser chamado de Piolho?  Acredite, o apelido jamais incomodou. “Sempre me chamaram mais pelo apelido, do que pelo meu nome. Na verdade toda minha vida e  carreira é marcada pelo apelido Piolho", finaliza o professor.


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