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Esportes
Sem limites

Conheça o paratleta Jean Lopes, que supera todas as dificuldades para seguir no esporte

Jean nasceu com uma deficiência no pé esquerdo, superou limites e se tornou um triatleta de Seleção brasileira 27/02/2017 às 15:08
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Depois de várias conquistas na sua vida esportiva, Jean segue lutando para vencer todas as dificuldades, e continuar seu sonho de vitórias no triathlon (Foto: Antônio Lima/A crítica)
Jéssica Santos Manaus (AM)

 Na segunda reportagem da série “Sem Limites”, o CRAQUE conta a história de um atleta que nada, pedala e corre. Acha difícil? Pois então some a complicação de praticar três modalidades em uma à dificuldade de fazer isso tendo uma deficiência física. Jean faz triathlon e, devido a sua deficiência no pé esquerdo, supera obstáculos diários para encontrar a felicidade no esporte. Assim, ele mostra que a força de vontade ultrapassa qualquer adversidade.
Jean faz esporte há muitos anos, já conquistou muitos resultados nacionais e internacionais na natação e no triathlon, e surpreende a todos pelo seu desejo constante de desafiar os próprios limites.

História de vida
Jean Lopes nasceu com o pé torto congênito do lado esquerdo. “Tem cirurgia para esse problema, mas por descuido da família não fiz, e quando procurei saber aos 18 anos, me disseram que a cirurgia seria de risco, então não fiz e fui levando a vida assim; me acostumei a caminhar, a usar tênis, a correr, a dirigir, pedalar, e até a pilotar jet sky, então minha vida é um desafio, mas faço de tudo”, disse.
Ele começou a fazer esporte em 2003, quando entrou para a natação, através do projeto  Programa de Atividades Motoras para Deficientes (Proamde ), da Ufam. “Já tinha visto algumas competições paralímpicas, tinha vontade de nadar, só que quando conheci a professora Romina, não nadava nada, apenas o nado parafuso (risos), mas comecei a treinar, a aprender as técnicas”, relembra.

Jean Lopes começou no esporte através da natação, e logo se destacou nas competições nacionais. (Foto: Antônio Lima/A crítica)

Foi quando surgiu a oportunidade de Jean participar de uma Copa Norte de Natação. Animado, ele conquistou três medalhas de ouro. Depois, Jean foi convocado para o Campeonato Brasileiro, e para se dedicar mais, foi nadar no Atlético Rio Negro Clube. “Lá, o professor Wellington me ensinou o nado borboleta em tempo recorde, mas eu treinava todos os dias, finais de semana, com muita dedicação. Fui para a disputa do Brasileiro em São Paulo e, para minha surpresa, conquistei o Bronze. Depois disso, tive apoio da empresa da indústria em que eu trabalhava, e continuei ganhando vários títulos na natação, chegando bem próximo a participar das paralímpiadas de Pequim”, relatou.

A trajetória
Nas viagens para os campeonatos de natação, Jean acabou conhecendo Marcelo Collet, também deficiente e grande triatleta, que o apresentou a modalidade. “Eu disse para o Marcelo que eu iria encarar o triathlon e, em 2014, comecei a nadar, pedalar e correr. Minha primeira prova fora de Manaus foi em Caraguatatuba (SP), em que conquistei o sexto lugar, e recebi a convocação para a seleção brasileira de triathlon, foi tudo muito rápido”, lembra ele.

Jean se encantou pelo triathlon, destacou-se e foi representar a seleção brasileira em várias competições. (Foto: Antônio Lima/A crítica)

 E foi rápido mesmo. Jean foi competir uma Pan American Cup em Dallas e, no mesmo ano, foi medalhista de bronze no Mundial de Triathlon Paralímpico, em Edmonton, no Canadá. “Vivi momentos inesquecíveis e conquistei resultados maravilhosos nas competições”, relembra.
 Depois disso, ele ainda ficou em 5º lugar no Pan-americano do México e recebeu convite para treinar no Centro de Alto Rendimento, em São Paulo. “Recebi convite para treinar em São Paulo, mas não dá para largar tudo, deixar a família aqui”, disse.

Superando a falta de patrocínio

E, se fora de Manaus, ele teria oportunidades, na sua cidade, Jean em busca de patrocínios. “Fiquei de fora do Bolsa-atleta municipal e, com a crise, também deixei de receber o  apoio da empresa em que eu trabalho, então precisei parar de viajar para competir, mas não quero desistir”, disse.
Além da dificuldade para conseguir patrocínios, Jean tem outro problema: ele sente muitas dores no seu pé direito toda vez que corre, pois devido a sua deficiência, corre usando a lateral do pé. Então, após as competições, seu pé fica muito machucado. “Na última prova de triathlon que teve em Manaus ano passado, acabei machucando bastante o meu pé, fiquei sem treinar, e até hoje não estou totalmente recuperado”, revela.
Jean corre com dificuldades, mas não pensa em parar. Ele está fazendo tratamento com ortopedista e fisioterapeuta, e está retornando aos treinos aos poucos. “Agora preciso proteger, adaptar melhor meu pé para correr, porque eu não fazia isso antes”, explicou. Apesar dos obstáculos, Jean vai continuar no esporte. “Mesmo com problemas, quero me cuidar, conseguir patrocínio e voltar a competir”, disse ele.

O paratleta conquistou muitas vitórias na sua carreira, mas sonha em conquistar muito mais na sua jornada no esporte. (Foto: Antônio Lima/A crítica)

Três perguntas para Jean Lopes

O que te motiva a se dedicar ao esporte, mesmo com tantas dificuldades como a lesão que teve no pé?
Ainda com dificuldades físicas e financeiras, eu posso fazer o que eu gosto. Tenho esposa, filhos, meu trabalho e tenho meu esporte, que eu amo. O esporte já me trouxe muitas coisas, tanto física como mentalmente; me tirou de coisas ruins da vida. Eu me sinto bem fazendo esporte. Ir treinar, pedalar, nadar, estar nos eventos esportivos é gratificante demais.
  Como seria se você voltasse a ter apoio público ou privado para investir no triathlon?
Nunca pensei em viver do esporte. Às vezes, a gente até imagina como seria ter apoio para ser profissional, seria melhor, com certeza, melhoraria meu rendimento no esporte para competir com atletas de alto-rendimento mesmo, mas procuro fazer o melhor, com o pouco que tenho,  e vamos ver o que podemos conseguir para a temporada 2017.
O que você deseja para sua vida esportiva, aonde quer chegar num futuro próximo?
Eu gosto de desafio, minha vida é um desafio. Só o fato de eu poder fazer esporte já me deixa muito feliz. Quero muito chegar a um nível alto, ir novamente para mundiais na elite do paratriathlon, mas para isso tenho que batalhar muito, mas estou na luta, e quero que 2017 seja bom, vou correr atrás de patrocínios, e espero conseguir apoio para competir.

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