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MULTIFUNÇÃO

Conheça atletas que ralam nos treinos, no trabalho e ainda brilham nas competições

Eles são grandes atletas, mas não só treinam e competem: trocam o dia pela noite para trabalhar 07/10/2018 às 22:09 - Atualizado em 08/10/2018 às 17:21
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Fotos: Antônio Lima e Winnetou Almeida/A crítica
Jéssica Santos Manaus - AM

Quando pensamos num atleta campeão, imaginamos que ele se alimenta com qualidade, treina intensamente e possui boas noites de sono; mas, diferente dessa realidade, Douglas Rodrigues, Vander Cruz e Boby Marley são atletas que trocam a noite pelo dia, e, ainda assim, dão muito trabalho para seus adversários.

Douglas Amaral (Checkmat/Clube Aníbal) tem 26 anos, pratica jiu-jitsu desde os 14 e, no campeonato amazonense, ele reina na sua categoria: meio-pesado, faixa marrom, adulto. “Sou campeão amazonense por oito vezes consecutivas. Não tem pra ninguém aqui”, afirma Douglas, sem falsa modéstia. Além disso, Douglas também representou o Estado e o país no Mundial de Abu Dhabi do ano passado e no Sul-americano, onde conquistou o bronze. Assim, quem ouve falar dos seus resultados e vê a técnica e o preparo do atleta nem imagina como é a sua rotina e o tamanho da sua força de vontade para encará-la com um sorriso no rosto.

Ele trabalha com segurança pessoal privada, de meia-noite às sete; de manhã cedo, sem descanso, vai para a faculdade de educação física; à tarde, dorme por duas horas e vai treinar jiu-jitsu e musculação em seguida; depois, descansa mais duas horas até ir trabalhar novamente. “É bem corrido, mas eu sou guerreiro e nunca desisto dos meus sonhos”, disse ele. Esse baita esforço diário que Douglas faz não é à toa. “Quero me destacar em provas lá fora, no Sul-americano e no Mundial dos Estados unidos, meu maior objetivo”, disse.

Combústivel de sobra 

Vander Cruz já venceu muitas provas de triathlon no Amazonas, chegando entre os primeiros, e já venceu provas como o Internacional de Santos e o Sesc Triathlon, na sua categoria. Mas se engana quem pensa que Vander pode se dedicar ao esporte como um campeão; isso porque ele trabalha como frentista num posto de gasolina, das 18h até as 6h do dia seguinte, e mesmo assim, ainda encontra energia para treinar.

“Vou pedalando de casa, chego lá uma hora depois, tomo banho, me arrumo, e às 17h30 tenho que estar na pista. Depois do trabalho, vou pedalando novamente até o clube para nadar das 7h às 8h, e depois retornar pra casa”, conta Vander, que dorme apenas três a quatro horas por dia. “Não consigo dormir mais que isso. É por causa dessa rotina que não estou treinando como antes, o corpo não aguenta”, ressalta o triatleta.

 Vander conta que quando era mais novo não teve apoio, e agora, aos 41 anos, é ainda mais difícil, então enfatiza que, apesar dos seus grandes resultados, treina por amor ao esporte. “Hoje treino por qualidade de vida, saúde e porque sempre gostei do esporte, das amizades. Essa é a minha vida. Objetivo no triathlon não tenho mais, faço triathlon por amor”.

Ele disse também que sua prioridade é a família. “Meus sonhos serão os sonhos do meu filho agora, que está se destacando no futebol. Vou buscar dar a ele tudo que eu não tive para que a carreira dê dele”, destaca.

Pedal e pizza 

O ciclista Boby Marley briga pela liderança da categoria principal do Campeonato amazonense, a elite, mas também leva uma vida agitada, pois precisa conciliar seu emprego numa pizzaria – onde fica até altas horas –, com os treinos de ciclismo. “Entro no trabalho às 17h e trabalho até as 23h, durante os dias de semana, e nos finais de semana fico até meia-noite”, conta ele, que precisou alterar seu horário de treino para seguir ganhando provas.

“Antes, gostava de treinar bem cedinho, mas tive que arrumar um tempo pra descansar, então meus horários de treino agora são entre 10h às 13h, horário de muito sol. Mas é o que gosto de fazer, e ainda sobram umas duas horas pra almoçar, descansar e voltar para o trabalho”, resume Boby.

Nos dias de competição nos fins de semana, Boby precisa ter bastante força de vontade. “Fui me adaptando devagar, é bem complicado. Sábado passado, eu saí do trabalho 0h, voltei de bicicleta pra casa e dormi 1h da manhã, e tive que acordar às 5h pra competir, mas mesmo assim deu tudo certo”, conta o ciclista que ainda subiu ao pódio.

Assim como Bob, vários ciclistas trabalham na mesma pizzaria graças ao chefe deles, Valdir Oliveira, que é apaixonado por ciclismo. “Somos seis ciclistas trabalhando aqui. Acho importante que esses meninos façam esporte e tenham um trabalho também. Isso os mantém longe de coisas ruins”, ressalta.

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