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Esportes
Longevidade no esporte

Terceira idade e esporte: conheça pessoas que adoram realizar grandes desafios

Conheça a história de pessoas que já passaram dos 60, mas deixam muita gente "no chinelo" quando o assunto é praticar esporte 27/02/2017 às 15:08
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Pedro Panilha, 69, passou pelo alcoolismo na juventude e fase adulta, mas, depois dos 40, mudou de vida quando começou a correr. (Foto: Euzivaldo Queiroz/A crítica)
Jéssica Santos Manaus (AM)

Existe um limite de idade para praticar esporte? Vamos conhecer histórias de pessoas que já passaram dos 60 anos, praticam esportes para afastar doenças, ter melhor qualidade de vida e, também, para superar grandes desafios em competições que a maioria dos “novinhos” não se atreveria a fazer.

 Mulher de ferro

Sherre é triatleta e gosta de participar de competições de longa distância. (Foto: Antônio Lima/A crítica)

A americana Sherre Nelson, 62, reside em Manaus há 36, e diz que nadava desde criança. Quando veio morar na cidade, continuou com seus treinos de natação. “Sempre nadei, participava de competições da universidade e de provas entre clubes”, disse ela. Sherre só nadava, até conhecer o triathlon - esporte em que o atleta precisa, alem de nadar, pedalar e correr.  Foi aí que Sherre incorporou treinos de ciclismo e corrida a sua rotina.  

“Comecei a treinar com o grupo “Marcio Soares Sports”. Hoje posso dizer que completei alguns desafios”, disse ela. Sherre treina quase todos os dias e tira um dia de descanso. Nada, corre e pedala e, em alguns dias, pratica mais de uma modalidade. 

Sherre sabe exatamente quantas competições fez, e foram três: meio Ironman;  Challenge Amazônia; uma maratona; nove Sprint triathlon; três  aquathlon e um duathlon. O Ironman 70.3, ou meio Ironman, é uma competição que começa com 1,9 km de natação, segue com 90 km de ciclismo, e termina após 21 km de corrida. Um baita desafio, certo? Pois para ela é apenas parte de sua rotina de atleta.  “Eu adoro provas longas, elas requerem bastante preparação, mas são muito boas de fazer”, disse.

Sherre pensa nas próximas competições que pretende fazer. “Ainda não decidi, mas, em 2017, gostaria de completar o Ironman de Panamá City, Flórida”, disse. Um desafio gigante de completar 3.8 km nadando, 180 km pedalando e 42 km correndo.

Quando ela pensa em tudo que o esporte lhe trouxe, lembra:  O esporte e os desafios me mantém ativa e com saúde, então pretendo continuar praticando triathlon por muitos anos, disse Sherre.
A família da triatleta viu nela uma inspiração, e começa a seguir seu exemplo. “Meu filho e minha filha estão fazendo triathlon, cunhados também, e ainda tenho duas sobrinhas que estão começando. Então, em setembro deste ano, estamos planejando fazer um triatlon em Washington DC, com sete membros da família Nelson. Vamos ver se conseguimos reunir todo mundo”, diz Sherre.
 
Correr e motivar


O amazonense Pedro Panilha aos 69 anos é fanático por maratonas, mas nem sempre foi assim. Ele começou a beber e a fumar aos 15 anos, e aos 20 era considerado alcoólatra. Com filhos e esposa, ele deixava de sair com a família para ir beber. Aos 40 anos, ele chegou a pesar 120 kg, e foi diagnosticado com colesterol e triglicerídios altos, hipertensão, arritmia, diabetes e depressão. Foi quando Panilha reagiu, começou a correr, e viu sua vida mudar para muito melhor. “Eu achava que a vida era só beber e beber, mas conheci pessoas boas, profissionais que me ajudaram, e fui superando etapas e descobrindo a corrida na minha vida”, relembra.

 

Pedro coleciona medalhas conquistadas em diversas cidades do Brasil e do exterior. Ele prefere as meia-maratonas. (Foto: Euzivaldo Queiroz/A crítica)

Pedro fez trilhas, corridas difíceis, e já finalizou mais de 10 maratonas (42km), nos seus quase 30 anos de corridas. “Experimentei muitos tipos diferentes de corridas, vivi muita coisa boa, e continuo tendo objetivos, porque acho que nossos sonhos nunca devem morrer”, disse.

A relação com sua família foi apenas uma das coisas que melhorou. “Hoje eles entendem meus sonhos, me incentivam”, disse. A família dele não o acompanha nas corridas, mas “é uma grande alegria antes de sair e quando chego em casa, vê-los felizes comigo; eles sabem que meu mundo é a corrida”, enfatizou.

As provas preferidas de Pedro são as mais difíceis. Seu objetivo hoje é quebrar seu recorde pessoal na maratona de São Paulo. “Considero essa maratona a mais difícil do Brasil, e gostaria muito de concluir a prova em menos de quatro horas, esse é meu maior sonho”. Pedro pretende se dedicar para essa maratona e para a meia-maratona do Rio, mas também em fazer uma corrida fora do país. “Queria fazer uma maratona na Argentina ou no Chile antes de morrer, mas vou com calma porque se não, gasto todo meu dinheiro com corridas (risos)”, justificou.

Recomendações para a 3ª idade

A médica geriatra Marília Lobo afirma que as atividades físicas para idosos são muito importantes para o fortalecimento da musculatura – que vai sendo perdida com a idade -, para o controle de doenças crônicas e articulares, para a resistência aeróbica e, também, para a saúde psíquica. “O esporte traz múltiplos benefícios, ajuda na melhor socialização e afetividade, além de tudo, por isso, é um santo remédio”, enfatiza Marília.
Mas para iniciar nas atividades físicas, o idoso precisa saber como está sua condição de saúde. “É importante que a pessoa idosa faça uma avaliação médica prévia, uma avaliação clínica completa, um histórico das atividades físicas que já praticou durante a vida, todos os exames necessários, para que se possa avaliar o estado funcional da pessoa. Médico e paciente devem escolher juntos qual exercício físico a pessoa idosa deve fazer, pois a atividade ideal é aquela que além de necessária, traz prazer e atende ao desejo do idoso; deve ser algo que a pessoa goste de fazer”, afirma Marília Lobo.
Ela também alerta que é importante observar que nível de exercício físico a pessoa pode fazer, leve, moderado ou alto. “Claro, sempre com o acompanhamento adequado de um profissional, e com o acompanhamento médico antes de iniciar a atividade e, também, durante, regularmente”, afirma a médica.

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