Quarta-feira, 26 de Junho de 2019
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Conheça histórias de mulheres que dividem a função de mãe e técnica de atletas

O MANAUS HOJE conversou com algumas das maiores expoentes do meio esportivo para saber delas como é essa missão de ser mãe biológica  e “técnica”



1.jpg Paciência é essencial no dia a dia, diz Margareth Bahia
11/05/2015 às 11:12

O Dia das Mães são todos os dias pois, quem nos gerou merece ser homenageada sempre. Mas quando o assunto são as mamães treinadoras e dirigentes de times, essa função tem jornada dupla e até tripla, pois elas desempenham papéis de orientadoras, psicólogas e qual função for preciso para que seus atletas possam desempenhar seu trabalho da melhor forma possível. O MANAUS HOJE conversou com algumas das maiores expoentes do meio esportivo para saber delas como é essa missão de ser mãe biológica  e “técnica”.

Uma das referências do esporte amazonense, a treinadora Lilian Rodrigues Valente, 50, forma talentos no vôlei há 32 anos em uma jornada digna de uma “mãezona”. Três vezes por semana ela treina a equipe masculina da faculdade Nilton Lins, e na mesma instituição leciona Educação Física na disciplina de voleibol. Além disso, dá aulas de iniciação e desenvolvimento da modalidade na Vila Olímpica de Manaus, diariamente, das 14h às 15h, para alunos de 8 aos 17 anos.

Segundo Lilian, que já traz a valentia até no nome, a afetividade já é natural aos professores: “Na verdade o professor já tem essa questão da aproximação e da afetividade com as pessoas. Como os atletas tem essa coisa da competição e das viagens, e quando seus pais estão ausentes, isso faz com que a gente seja a mãe deles durante as atividades nas quadras e nas competições”. 

A responsabilidade é grande, comenta a profissional. Principalmente na hora das dificuldades. É o momento exato para entrar em ação a mãe, psicóloga e conselheira. “Há essa preocupação de cuidar dos atletas como se fossem nossos próprios filhos. Um exemplo é quando algum atleta adoece, ou está triste, pra baixo, ou ainda quando quer esconder algo. Nesse momento entra o senso de mãe, quando passamos a conversar. Como temos essa sensibilidade os atletas se abrem mais”.

Mas, uma das maiores peculiaridades da vida dessa competente e reconhecida profissional foi treinar as filhas Mary Ellen, 31 (ex-atleta) e Gabriela, 26 (que integra a equipe do São Sebastião). “Treinei as meninas na Associação Esportiva  Lassalista e na seleção Amazonense. Fiquei em uma situação difícil, mas mostrei meu caráter profissional. Fui justa pois, quando se trata de filhos e parentes a tendência é que as pessoas achem que há proteção. Eu sabia que haveria ciúme por convocar minhas filhas, mas eu sempre tive o grande cuidado de repassar para elas que deveria haver essa separação entre mãe e filhas”, conta Lilian.

Óbvio que, nessa época, as cobranças em quadra eram as mesmas do que com qualquer outra atleta. “As cobranças com elas eram maiores e, em algumas ocasiões, as pessoas falaram que eu estava sendo mais duras com elas do que com as outras atletas”, relembra a treinadora, que foi atleta por 12 anos e que conquistou o Campeonato Brasileiro Infanto-Juvenil Feminino pelo Amazonas em 1981 em Blumenau (SC) .

 Como técnica de vôlei, o currículo de conquistas é gigante: campeã Brasileira Juvenil Masculino em 2006 pelo Amazonas em Manaus; da Copa Norte Feminina em 1999 e 2000 pela Associaçao Esportiva Lassalista; dos Jogos Universitários Brasileiros da 2ª Divisão em 2013 em Goiânia pela Associação Atlética Nilton Lins; da Liga do Desporto Universitário Masculino em 2014 e campeã da Fase Norte-Nordeste em 2014 e 2015 também pela mesma equipe da faculdade.

E o que é mais difícil de treinar, professora Lilian Valente: homens ou mulheres? “É indiferente pois são dois gêneros dos quais aprendemos a gostar. Eu iniciei no feminino, mas o destino quis que eu trabalhasse atualmente no masculino. Agora, é fato que o feminino precisa de muito mais atenção pois elas são mais afetivas e carentes. O masculino, ele é mais despachado e os garotos são independentes. Eles obedecem menos e são mais indisciplinados. Mas a gente mostra pra eles que, pra ter sucesso, é preciso ter obediência. E, às vezes, ele pode não ser um bom atleta, mas pode ser um bom empresário, treinador e, lá na frente, ajudar o esporte, que é muito maltratado”, ensina a professora.

 Paciência é essencial no dia a dia, diz Margareth Bahia

Todos no atletismo amazonense, ou até mesmo fora dele, sabem quem é a treinadora Margareth Bahia, 46. Professora de iniciação à modalidade na Vila Olímpica, de 16h às 17h ela repassa seus conhecimentos a jovens talentos do Estado. Bem mais cedo, pela manhã ela é professora de Educação Física na escola municipal Padre José Anchieta, no bairro da Betânia, Zona Sul da cidade.

Atuando como técnica desde 1997, ela, que já foi atleta do lançamento de dardo e disco nos Jogos Escolares do Amazonas (JEAs) pela antiga Escola Técnica Federal (Etfam), diz que, atuar como treinadora é um papel que está cada vez mais difícil atualmente. E é aí que entra a “mãe-técnica” Margareth Bahia.

“Temos hoje um papel que está cada vez mais difícil porque alguns meninos que vem pra gente trazem a dificuldade da educação caseira no seu comportamento. Nem sempre sabemos se família está trabalhando nessa questão, e a gente acaba tendo que optar por fazer com que algumas crianças indisciplinadas compreendam que a vida tem regras, que há hierarquias. É preciso saber direcionar essa raiva que eles têm em prol do esporte”, destaca ela, pregando a paciência no convívio com qualquer atleta.

“Hoje em dia a criançada mudou no sentido principalmente de querer ter o comando das coisas. E é aí que entra o esporte, que ajuda a discipliná-los”, ensina a profissional, ex-presidente da Federação Desportiva de Atletismo do Estado do Amazonas (Fedaeam).

Uma das maiores recompensas da profissão, diz ela, além das conquistas nas pistas, claro, é constatar que ex-alunos seus seguiram seus ensinamentos disciplinares e, se não cresceram como atletas, desenvolveram como pessoas. “Tenho ex-alunos até fora do País cursando doutorado. É legal saber que você fez parte de uma revolução na vida de um jovem que está se transformando em uma grande pessoa”, relata ela.

Margareth é mãe de Yann, 13 anos, que é aluno dela na escolinha da Vila Olímpica. O garoto ainda é iniciante no atletismo, não compete em qualquer prova específica, mas a treinadora vislumbra, no alto da sua experiência, que ele leva jeito para as provas de fundo e meio-fundo. “Ele começou comigo esse ano pois passou a estudar de manhã e tem o tempo à tarde para a escolinha na Vila. É legal porque estou mais perto dele. Antes estava mais perto dos meus atletas. Esse ano deu pra conciliar”, destaca ela.  

Margareth Bahia já formou vários campeões brasileiros mas, entre os grandes resultados de atletas formados por ela estão o bronze no lançamento de dardo com Alexon Maximiano nos 15º Jogos Pan-Americanos de 2007 no Rio de Janeiro – com a marca de 75,04 metros. Na atualidade, ela “molda” atletas promissores como Pedro Henrique Nunes Rodrigues que, na mesma prova, tenta alcançar até o fim de junho o índice o Campeonato Mundial em Cali, em agosto. O atleta foi 3º colocado no Sul-Americano de Menores sendo mirim.

Penarol de Itacoatiara tem ‘psicóloga, amiga e mãe’

 Por outro lado, a presidente do Penarol de Itacoatiara, a empresária Patricia Serudo, 30, funciona mais como amiga e companheira do que “mãezona” dos jogadores da equipe que disputa o Campeonato Amazonense, o popular Barezão 2015.  Mesmo ainda não tendo passado pela experiência da maternidade, ela garante que busca entender o lado afetivo dos atletas atuando através do diálogo e da compreensão, buscando atenção e equilíbrio.

Segundo ela, sua finalidade não é de nenhum modo substituir a figura materna nos jogadores, mas sim dar aquele ombro amigo para pessoas que estão longe da família e, claro, das mamães.

“É um grupo de atletas onde cada um está longe das famílias, das mães, pais e familiares, ou seja, de casa. E também dos amigos. E o que a gente pode fazer é conversar um pouco com eles. Não queremos substituir a figura da mãe, mas sim tentar preencher essa lacuna existente com o distanciamento. Às vezes, por exemplo, o jogador está doente e nós nos dividimos para dar toda a atenção necessária a esse profissional”, destaca ela que, além de empresária e cartola de futebol é, também,acadêmica do 6º período de Psicologia.

 Na base da humildade, Patricia faz questão de dizer que os jogadores também recebem toda a “atenção materna” de outras mulheres como da diretora financeira do clube, Amélia Andrade, e das cozinheiras Maria e Suelen.

O Penarol de Patricia Serudo vai bem, obrigado. A equipe estaria nas semifinais do Barezão se a fase classificatória da competição terminasse hoje pois aparece em quarto lugar com 27 pontos. E, mesmo sem ser mãe, a cartola espera de “presente”, neste domingo, mais um bom resultado desta vez contra o líder invicto Nacional às 18h na Colina.

No segundo turno ainda não perdemos, e já são três vitórias consecutivas fora de casa. Pelos meus cálculos ainda não estamos garantidos na semifinal, mas podemos até mesmo terminar em segundo lugar. Vamos continuar focando no trabalho pois só dependemos de nós para alcançar nossos objetivos”, destaca a dirigente.

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