Publicidade
Esportes
Craque

Conheça o lutador mirim que pretende chegar ao UFC vendendo chocolates nas ruas de Manaus

Atrás de dinheiro para participar dos campeonatos de jiu-jítsu, o menino de nove anos arregaçou as mangas do quimono e partiu para a venda de doces na rua 28/01/2016 às 15:26
Show 1
"Sempre gostei muito de artes marciais e sou fã do José Aldo", disse Ewerton
Natália Caplan Manaus (AM)

Abastecido de chocolates devidamente embalados, um sorriso tímido no rosto e muita força de vontade, Ewerton Amorim, 9, caminha pelo Parque dos Bilhares, na Chapada, em busca de um minuto de atenção.

As vendas diárias são para bancar a ida dele ao Campeonato Brasileiro de jiu-jítsu, que acontecerá em Belém (PA), de 21 a 25 de abril, e ao Mundial, em São Paulo, de 13 a 17 de julho. 

Ele pode até ser pequeno, mas já coleciona medalhas e sonha alto: quer ser um lutador profissional para ajudar a família — composta pelos pais e mais três irmãos, de 16, 15 e 2 anos. Todos o apoiam, seja na hora de produzir os doces ou de sair às ruas em busca de clientes.

A meta final? Chegar ao Ultimate Fighting Championship (UFC). “Sempre gostei muito de artes marciais e sou fã do José Aldo. Quero muito viajar para essas duas competições e vencer. Vou treinar bastante para ser um lutador de UFC e, quando eu fizer 18 anos, quero conseguir patrocínio. A primeira coisa que eu vou fazer quando ficar famoso é ajudar meus pais, minhas mães e meus irmãos”, completa o pequeno.

Prodígio

Ewerton é um menino prodígio. Com apenas seis meses de treinamento, ele conquistou o ouro mundial pela Confederação Brasileira de Jiu-Jítsu Esportivo (CBJJE), no ano passado, em solo paulista. O menino também coleciona medalhas em competições locais. Ele já está na faixa amarela e compete no peso pluma infantil.

O pai do atleta, o manobrista Elias Amorim, não esconde o orgulho ao falar do filho. Diante da determinação de seu pupilo, ele decidiu apertar o orçamento e mudar para um local mais próximo ao projeto social do mestre Fernando Braga, onde Ewerton treina, no bairro da Praça 14.

Em 2015, o professor bancou a viagem do aluno ao Mundial, enquanto Elias emprestou o cartão de crédito de um amigo para acompanhá-los. “Sou manobrista de restaurante e minha esposa é secretária do lar. Mais da metade do meu salário de R$ 800, vai para o aluguel (R$ 500)”, afirma o pai.

A pequena fábrica de chocolates foi instalada na cozinha da casa alugada. Os irmãos passam as manhãs produzindo os doces que Ewerton vende. “Fazemos e embalamos manualmente. Às vezes, as pessoas compram e falam ‘só queremos ajudar o campeão’. Ele está correndo atrás dos sonhos dele”, diz o pai.

Ewerton geralmente fica nos Bilhares entre 17h e 20h30. Caso deseje ajudá-lo basta dar uma passada no Parque e adquirir um chocolate, ou então, entrar em contato no 99250-0264 / 98817-0680.

Publicidade
Publicidade