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"Consigo fazer tudo que eu preciso": conheça Adelson Amorim e seu amor pelo esporte

Adelson Amorim teve os antebraços amputados na adolescência, mas superou as adversidades, e encontra no esporte um ingrediente para sua felicidade. 20/02/2017 às 18:08
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Adelson superou todas as dificuldades para seguir sua vida normalmente, nunca deixando o esporte para trás. (Foto: Antônio Lima)
Jéssica Santos Manaus (AM)

Praia, sol, brisa... É nesse ambiente que o funcionário público, Adelson Amorim, de 38 anos, gosta de estar para relaxar. Ele joga futevôlei nos fins de semana, “mas, se pudesse, estaria jogando todos os dias”, afirma ele.  

Adelson sempre teve habilidade nos pés. Desde pequeno jogava bola, vivia brincando de jogar futebol, até que sofreu um acidente. Ele perdeu os antebraços aos 14 anos. Seu pai era pedreiro na construção civil, e ele sempre ajudava carregando tijolo, fazendo massa. “Num desses trabalhos, fui descer uns vergalhões com uns ferros de uma laje, os ferros tocaram num fio de alta voltagem, e eu recebi uma descarga elétrica no corpo, sendo que queimaram realmente os meus antebraços, que precisaram ser amputados”, relembra. Adelson passou duas semanas no hospital, e ficou mais um tempo recuperando as feridas das queimaduras de segundo e terceiro grau que o corpo sofreu.

“Eu imaginei que nunca mais iria jogar bola, que nunca mais fosse fazer esporte, mas depois de dois três meses, já estava correndo de novo na rua de casa, e logo voltei a disputar os campeonatos que eu jogava antes”, relata.

Adelson lembra que aguardava ansioso para receber mãos mecânicas, e voltar a estudar. “Mas quando eu recebi, não foi bem assim, ela mais me prejudicou do que ajudou”, conta ele.

Depois disso, Adelson conta que sua escola entrou em reforma, e quando voltou foi sem as mãos mecânicas. “Quando vi, eu estava pegando minha canetinha, escrevendo normalmente, então abandonei a mão, porque ela só serviria para eu ir para o colégio. Porque, no dia-a-dia, em casa, eu comecei a me virar sozinho, fazia tudo, me adaptei, e hoje tenho meu trabalho, tenho meu carro, dirijo, consigo fazer tudo que eu preciso”, enfatiza. Adelson também já fez sua própria família. “Tenho uma filha, na verdade, acabei de me tornar avô!”, ou seja, Adelson foi percebendo que não havia limites para ele.

Adelson sempre teve o esporte presente na sua vida. Primeiro com o futebol, depois com o futevôlei. (Foto: Antônio Lima)

O futevôlei

Adelson conta que jogou futebol a vida toda antes de conhecer o futevôlei. “Eu participava de Peladão, de campeonato infantil até chegar ao amador, no bairro da Compensa”, lembra.

Foi quando ele começou a praticar o futevôlei, há cerca de 20 anos. “Eu cheguei a ir para uma etapa do campeonato brasileiro, cheguei a estar entre os melhores do Amazonas, mas depois comecei a trabalhar integralmente e a fazer faculdade, então acabei abandonando, fiquei oito a dez anos sem praticar esporte”, disse, Adelson.

O esporte sempre esteve presente na vida do esportista, mas ele conta que nessa época em que ficou parado ficou mais gordinho, sem preparo físico, até que viu que precisava voltar à ativa. “Vi que eu tinha que voltar a jogar mais, a fazer musculação, e voltei a fazer tudo isso”, conta. 

Foi assim que Adelson voltou a jogar futevôlei no ano passado. “Montamos a barraca, nos reunimos, e começamos a frequentar a Ponta Negra. Meus amigos jogam todos os dias às 16 horas, mas eu só posso vir aos sábados, porque trabalho de manhã e à tarde”, explica.

Além do futevôlei, Adelson também faz musculação, e diz que muitos equipamentos já foram adaptados para ele, e que já está conseguindo fazer bastantes exercícios para o peito e costas, principalmente. “É o que preciso fortalecer, e já estou desenvolvendo mais musculatura”, conta.

Fome por disputas

O esportista treina bem porque gosta de brincar com os amigos na praia sim, mas não perde a oportunidade de disputar torneios também. “Quando têm os torneios de futevôlei, eu jogo. Ano passado, jogamos torneios no mês de junho e no mês de outubro”, lembra.

Quanto aos torneios, ele conta que existem várias divisões de categorias no futevôlei amazonense: Série Z, iniciante, amador, profissional e máster; e que não há nenhuma para os deficientes físicos. Mas você acha que ele sente falta disso? “Não, eu jogo no meio dos caras ditos ‘normais’ (risos)”, conta, ele. Adelson diz que pode mudar de parceria de acordo com o torneio que vai disputar, mas deixar de participar, nem pensar.

Admiração

Na Ponta Negra, não faltam pessoas curiosas querendo ver Adelson jogar. “As pessoas me incentivam muito, ficam ao redor, e sempre me dizem: - poxa, você joga muito, joga muito bem, parabéns”. Mas Adelson não fica vaidoso, nem nada parecido, pois, para ele, jogar futevôlei, fazer esporte é algo simplesmente natural. “Final de semana quero relaxar, e venho até a Ponta Negra jogar futevôlei com meus amigos, simples assim”, disse.

E com seus amigos, não é diferente, todos admiram Adelson. “A ‘resenha’com meus amigos é boa, se alguém perguntar deles sobre mim, eles vão ‘bagunçar’ muito, outros vão me elogiar, mas, apesar das brincadeiras, eles têm muito respeito por mim”, finaliza.

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