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Craque

Copa das Confederações: Pimenta no olho do México é Neymar

Camisa 10 foi o destaque da vitória sobre mexicanos: ele abriu o placar e deu passe para o gol de Jô, afastando a “zica” que existia contra o adversário; jogo contra a Itália definirá 1º lugar do grupo A 20/06/2013 às 12:01
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Neymar deu trabalho para o time mexicano
paulo ricardo oliveira ---

A Arena Castelão viveu, nesta quarta-feira (19), o que se pode chamar de “Neymarmania”. O craque foi o nome do jogo na vitória do Brasil sobre o México por 2 a 0, na Arena Castelão, tomada por 50.790 pagantes. Neymar abriu o placar com um belo chute de primeira com a perna esquerda aos nove minutos do primeiro tempo, incendiando a torcida verde e amarela.

“Uh, ferrou, Neymar é um terror”, gritavam os torcedores, em uníssono, após o gol. O atacante Jô selou a vitória brasileira escorando a bola vinda de um belo passe de Neymar, que se saiu muito bem taticamente jogando mais pela esquerda. Ele foi eleito o melhor jogador da partida e ganhou um troféu da Budweiser, um dos patrocinadores oficiais da Copa das Confederações.

Além de fazer um gol e servir o companheiro no outro, o mais recente contratado do Barcelona fez excelente jogo tanto no quesito tático quanto técnico. “Fico feliz de ter sido o cara do jogo, mas o importante é a evolução que a equipe está tendo como um todo”, afirmou o camisa 10, que saiu de campo com uma faixa na coxa direita. “Não é nada não, só uma pancadinha (risos)”, declarou ele, com aquele sorriso característico e bem mais alegre que nos dias que antecederam a Copa das Confederações.

 Jô e jejum de fred

Além da atuação convincente de Neymar, o atacante Jô demonstrou boa pontaria, aproveitando bem o passe do companheiro. Em apenas 20 minutos atuando pelo Brasil na Copa das Confederações, o jogador do Atlético Mineiro já fez dois gols. Contra o Japão, Jô atuou nove minutos e fez gol. Contra o México, jogou 11 minutos e fez mais um. Fred, o titular da posição, amarga uma seca de 70 minutos sem gols no certame: “Infelizmente a bola não está chegando até mim. Eu só posso falar por mim. Vou continuar trabalhando para que na hora que tiver oportunidade fazer os gols que a equipe precisa. Aqui somos um grupo”.

Preocupação

A partida contra o México deixou alguns saldos negativos para a Seleção. O zagueiro David Luiz teve suspeita de fratura no nariz, depois de uma disputa de bola. O ferimento sangrava, mas o zagueiro conseguiu terminar a partida. O médico José Luiz Runco disse que fará um exame detalhado em Salvador, onde a Seleção enfrenta a Itália, no sábado, mas descartou que David esteja fora do jogo. “Foi mais uma pancada. Há uma suspeita de fratura, mas nada que o tire do próximo jogo”, detalhou o médico. Outro que preocupa é o volante Paulinho, que sofreu uma entorse média no tornozelo. Ele será avaliado até o próximo jogo. Neymar recebeu pancada na coxa, mas também não será problema para o técnico Luiz Felipe Scolari.

Falhas na defesa

Embora tenha sido uma vitória empolgante, que agradou ao público e desencantou Neymar, o jogo contra o México expôs falhas no sistema defensivo, o calcanhar de Aquiles de Felipão. Durante a entrevista coletiva pós-jogo, o treinador admitiu recuar mais os dois volantes para conter os avanços dos laterais adversários e também ajudar a dupla de zaga, David Luiz e Thiago Silva, que bateram cabeça. A seleção mexicana teve algumas chances claras de gol. Somente não aconteceu por falta de pontaria na finalização. Sisudos e de cara fechada, os jogadores mexicanos driblaram a imprensa brasileira depois do jogo na zona mista (por onde a delegações das seleções passam). A derrota deixa o técnico do México, José Manuel de la Torres, cambalente no cargo.

Clima esquentou entre estudantes e policiais

Mas nem tudo foi festa em Fortaleza. A alegria se resumiu apenas ao Castelão. Fora dele o clima esquentou literalmente entre a polícia e manifestantes, a maioria estudantes, que até incendiaram um carro do órgão responsável pelo trânsito na prefeitura de Fortaleza.

Assim como no restante do País, a onda de protesto assustou a cidade, transformando uma avenida que dá acesso a Arena Castelão em praça de guerra. Com cartazes em punho e palavras de ordem, cerca de cinco mil insatisfeitos fecharam ruas e se manifestaram contra a corrupção no País e também exigindo a redução do preço da passagem de ônibus (R$ 2,20) dentre outras reivindicações.

As consequências foram caos no tráfego de veículos nas vias que dão acesso ao Castelão e policiais feridos no rosto, de braço quebrado, com escoriações pelo corpo, porque foram apedrejados por manifestantes. Mas a ação foi uma resposta a uma armadilha da PM que botou a cavalaria para cima dos manifestantes e em seguida disparou bombas de efeito moral e gás de pimenta em quem tentou romper a barreira.

O governador do Ceará, Cid Gomes (PSB), de 50 anos, disse que a manifestação é legítima, mas classificou como necessária a intervenção policial como resposta à “violência” usada pelos manifestantes e também para assegurar o acesso ao estádio cearense.

“Mais de 50 mil pessoas pagaram ingresso e queriam chegar ao Castelão. O Estado deve preservar o direito de ir e vir. Mas acho essa manifestação legítima, pois já fui estudante, presidente de centro acadêmico na faculdade na época, inclusive. Sei o que é isso (protesto)”, declarou o governador, que entrou na área de acesso restrita a convidados da Fifa para cumprimentar jogadores e comissão técnica da Seleção pela vitória: “Temos é que comemorar essa vitória da Seleção. Foi uma grande festa”.

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