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Copa do Mundo, um ano depois: Deveria ter sido... uma ‘revolução’ na mobilidade urbana

Projeto do monotrilho foi a grande ‘vedete’ da Copa do Mundo em Manaus: jamais saiu do papel 12/06/2015 às 11:43
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Monotrilho era promessa de uma revolução na mobilidade urbana
Camila Leonel Manaus (AM)

Entre as 12 sede da Copa do Mundo, Manaus era a cidade que apresentava um dos projetos mais modernos no que diz respeito à mobilidade urbana. Sonhava-se com o monotrilho, que interligariam as Zonas Norte e Leste ao centro de Manaus.

O projeto, proposto à época pelo então governador do Estado, Eduardo Braga, tinha a promessa de trazer maior fluidez ao tráfego da cidade, melhorando o deslocamento de passageiros e desafogando o trânsito nessas vias. O sonho de ter um sistema de transporte moderno e eficiente, no entanto, jamais saiu do papel.

O início

O projeto do monotrilho foi divulgado pela primeira vezes em fevereiro de 2009, antes mesmo de Manaus ser anunciada como cidade-sede da Copa do Mundo. À época, a expectativa era que o sistema teria uma estrutura formada por pilares e uma plataforma aérea que traria vagões que percorreriam 13 km da capital amazonense.

O projeto preliminar foi apresentado em Brasília ao então ministro das cidades, Márcio Fontes. A ideia foi bem aceita e o projeto tido como a solução para o transporte público.

Quando Manaus foi anunciada como uma das sedes da Copa do Mundo, no dia 30 de abril de 2009, o monotrilho virou o “carro-chefe” do projeto de mobilidade e era tratado como um dos principais legados do Mundial.

Trajeto

O sistema começaria a funcionar na Praça da Matriz, Centro da cidade, passando pelas avenidas Epaminondas e Constantino Nery, até chegar à avenida Noel Nutels, na Zona Norte. A expectativa era que a primeira fase fosse inaugurada em abril de 2010 e a conclusão total em dezembro de 2011.

Três anos antes da Copa de 2014. O sistema seria semelhante ao utilizado em cidades como Santiago, no Chile e Tóquio, no Japão. Outro ponto positivo seria o fato de ser um sistema “ecologicamente correto”, já que seria elétrico.

Sistema híbrido Além do monotrilho, outra proposta que prometia revolucionar a mobilidade urbana na capital baré era o BRT (Bus Rapid Transit). O sistema apresentado pela Prefeitura de Manaus à época sob comando de Amazonino Mendes, previa um projeto de integração de transporte rápido com 52 quilômetros de extensão e deveria atender, principalmente, às zonas Norte, Leste e Oeste, perfazendo um anel viário em toda a cidade e por corredores exclusivos com tarifa única única e integrada. Este projeto também não saiu do papel.



Entraves de todos os lados

Os dois projetos: BRT e monotrilho “travaram” por conta de imbróglios que iam de projeto à licitações.  Enquanto o governo estadual projetava o monotrilho, o municipal apostava no BRT. Os dois projetos foram apresentados ao Ministérios das Cidades, com objetivo de obter financiamento.

A União, porém, disse que financiaria apenas uma das propostas. A decisão do Ministério das Cidades foi por um sistema híbrido que unisse os dois projetos. A execução estava orçada em R$ 2 bilhões e a conclusão estava prevista para 2013.

Outro impasse surgido com o monotrilho foi a parte do trajeto que passaria pela parte histórica do centro de Manaus. De acordo com o Instituto Nacional do Patrimônio Histórico, Artístico e Cultural (IPHAN), no projeto, a plataforma passaria na frente de prédios históricos localizados na parte central da cidade.

O principal impasse, porém, se deu no processo licitatório da obra. Primeiro foram os atrasos na apresentação dos projetos por parte das empresas interessadas. O Ministério Público Federal também deu parecer negativo ao projeto do monotrilho, alegando que era um sistema inviável. O impasse dos projetos durou até outubro de 2013, quando as licitações da obra foram canceladas após estudos da Controladoria Geral da União (CGU) e do Tribunal de Contas da união (TCU).

Projeto com ‘grandes impactos’

Denis Minev, que no ano de 2009 era o secretário de Planejamento da Seplan afirma que o projeto encontrou do monotrilho encontrou várias “frentes de impacto”, que não foram solucionadas, o que burocratizou ainda mais o processo.

“O projeto do monotrilho é um projeto grande com razoáveis impactos de diversas frentes. Tinha a questão do impacto sobre o patrimônio histórico e uma série de frentes e amarras institucionais, além da burocracia”, disse o ex-secretário.

Minev também deixou claro que o objetivo do projeto não era retirar os ônibus, mas os transportes coletivos precisariam passar por mudanças.
“O objetivo do monotrilho nunca foi suplantar os ônibus. Pelo contrário, o objetivo era de integrar, mas as questões de integração com o sistema atual não era simples. Você teria bastante mudanças radicais nas linhas de ônibus e na forma de operar esses ônibus. Um processo bastante complexo”, explicou.

Projeto desvirtuado

O projeto do monotrilho ficou sob responsabilidade da empresa inglesa Pricewaterhouse. Porém o arquiteto João Bosco Chamma diz ter realizado estudos da cidade de Manaus e, a partir disto, concebeu um projeto de mobilidade que incluía os monotrilhos. De acordo com ele, a ideia da empresa fugiu do conceito de mobilidade para a cidade. “O governo desvirtuou um projeto e tive que lutar para que não saísse, porque seria um problema sério se esse projeto saísse”, diz.

O arquiteto afirmou que um ponto muito criticado foi o trecho que passaria pela avenida Epaminondas. “É desproporcional uma viga de concreto no meio de uma rua estreita. Agride todo o visual do Centro histórico da cidade”, explicou. No projeto de Chamma, o monotrilho formava um polígono fechado que abrangia toda a cidade de Manaus.

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