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Coração dividido: judoca amazonense cogita deixar o estado em busca do sonho olímpico

Atual campeã da seletiva olímpica brasileira de judô, a amazonense que perdeu bolsa negada pela prefeitura admite receber interesse de clube gaúcho. "Meu coração fica muito dividido". 24/11/2015 às 16:05
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Rafaela Barbosa durante treino da Seleção Brasileira de Judô
Felipe de Paula Manaus (AM)

Com o coração dividido entre o amor ao Amazonas e a necessidade de se preparar em alto nível para conquistar uma vaga nas Olimpíadas do Rio em 2016, a judoca amazonense Rafaela Barbosa, que acabou de conquistar o vice-campeonato brasileiro de clubes pela equipe gaúcha do Sogipa/Oi, concedeu uma entrevista ao CRAQUE para falar da luta por reconhecimento em sua cidade natal, o árduo caminho que trilha para ser uma atleta olímpica e sobre a competição de clubes, na qual lutou com a campeã olímpica Sarah Menezes.

Atual campeã olímpica da seletiva olímpica do Brasil - realizada em dezembro de 2014, a atleta, que é membro da seleção brasileira e tem quatro títulos sul-americanos, perdeu o benefício do Bolsa Atleta Municipal, instituído por meio de lei, cujos critérios a atleta atende com sobras. Assim como ela, outras campeãs como a judoca Rita de Cássia Reis, que há duas semanas conquistou a primeira medalha amazonense em mundiais de judô – o bronze no Campeonato Mundial de Abu Dhabi, nos Emirados Árabes, também perderam a bolsa.

Como foi a experiência de lutar com uma campeã olímpica?

Lutar com ela foi uma experiência muito grande, até porque ela é rodada no mundo todo, já participou de várias competições, é titular da seleção brasileira e é a atual campeã olímpica.Eu comecei ganhando, comecei bem, tava com shudô na frente, mas a luta foi andando e eu não consegui entrar com meus melhores golpes. Fiz excelentes golpes durante a luta, mas infelizmente a experiência dela contou um pouco mais, daí eu caí e fui imobilizada, mas foi por muito pouco. Mesmo assim eu estou muito feliz por bater de frente com uma atleta tão importante e saber que mesmo estando em Manaus, sem apoio, eu estou crescendo. E cada vez mais eu quero isso: evoluir.

É verdade que você foi convidada a defender Sogipa/Oi, do Rio Grande do Sul? E está pensando em ficar por aí?

Na verdade sim, bastante, porque eu não estou tendo mais apoio em Manaus, e eu sou seleção principal, era pra ter um investimento. Eles insistem em dizer que não. E a mídia, a CBJ (Confederação Brasileira de Judô), o próprio Sogipa tem me dado um apoio imenso, muito mais que o meu próprio estado, que eu defendo há anos. Eles confiaram no meu judô, estão querendo me levar pra lá, estão me incentivando, e isso me faz pensar: será que vale a pena ficar num estado em que eu não sou valorizada? Eu estou bem chateada e pensando nessa possibilidade. Está complicado ficar em Manaus!

Que avaliação você faz da sua participação no Campeonato Nacional de Clubes, aí em Goiânia-GO?

A minha avaliação pessoal: eu estou lutando muito bem, parelho com atletas importantes, de grandes clubes, de cidades muito mais avançadas, e eu estou batendo de frente, isso é sinal que dá pra eu chegar, ir muito mais além. Em Manaus, além da falta de treino, de incentivo financeiro, é um déficit muito grande a distância (para outros centros competitivos).

E quanto a sua trajetória para chegar aos Jogos Olímpicos?

Avaliando (quanto a) as Olimpíadas, eu te garanto que seria muito pior se eu tivesse recursos pra viajar, pra fazer treinamento, principalmente pra lutar as competições, porque as competições são as mais importantes, onde a gente ganha ponto pra ranquear, e sem competir como é que a gente vai ranquear? E está ficando cada vez mais difícil. Ficou mais difícil depois que foi encerrado o bolsa atleta e as coisas estão complicadas devido à crise; então realmente está muito ruim de chegar numa posição tão grande por causa disso.

E o que você vai fazer agora, após essa importante competição em Goiânia?

Agora eu vou voltar pra Manaus e vou recuperar as lesões das competições, e ainda tem os jogos que fui chamada pra lutar em São Paulo, então estou sendo muito requisitada, graças a Deus, e muitos clubes grandes estão me chamando e estou muito feliz, aproveitando essa fase, e ainda tenho uma competição em dezembro. Vou lutar essa competição em dezembro e voltar de férias em janeiro. Pretendo voltar com tudo pras olimpíadas.

Como é pra você ser uma atleta amazonense e provavelmente tendo que abrir mão de competir no estado por questões de incentivo? Como fica o coração?

Meu coração fica muito dividido, né, porque eu quero ficar perto da família, dos amigos, do estado, porque querendo ou não, eu amo meu estado apesar das dificuldades. Eu queria que me valorizassem mais, como atleta, como pessoa, como cidadã, mas é uma coisa que não ocorre, então eu fico muito dividida entre meu sonho de olimpíadas, meu sonho de atleta, e o pessoal, o emocional, então eu fico com a cabeça a mil.



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