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Esportes
‘Jogo do Avatar’

Crianças especiais participam do ‘Jogo dos Sonhos’ no CMEE Vidal Araújo

Conduzidas por atletas do Fast Clube e do Abílio Nery, crianças com paralisia cerebral se emocionaram com uma partida de futebol 24/11/2016 às 10:23 - Atualizado em 24/11/2016 às 11:35
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Craques da equipe de futsal do Abílio Nery e do campo do Fast Clube se transformaram em "avatares" das crianças especiais numa linda festa pela solidariedade (Foto: Winnetou Almeida)
Denir Simplício Manaus (AM)

“Toda vez que faço um gol dá vontade de sair correndo e pulando de tanta alegria”. A declaração contagiante do pequeno Francisco Lucas, 16, soaria até banal se não fosse vinda de um garoto que sofre de paralisia cerebral e está confinado em uma cadeira de rodas pelo resto da vida. Então como comemorar um gol? Como festejar a maior alegria do futebol? Fácil! Por meio dos sonhos. Mais precisamente do “Jogo do Avatar – o Jogo dos Sonhos”.

Numa ação solidária inédita no Amazonas, alunos com paralisia cerebral do Complexo Municipal de Educação Especial (CMEE) André Vidal de Araújo, na Zona Centro-Sul de Manaus, disputaram ontem, uma partida de futebol pra lá de especial. Conduzidos por atletas do Fast Clube – campeão amazonense de 2016 -, e do Abílio Nery – campeão amazonense de futsal desta temporada, as crianças proporcionaram muita emoção e se emocionaram com o evento que marcou o fim do ano letivo na escola.

‘Avatares’

Em sua maioria cadeirantes e com dificuldade na fala, os alunos entraram em quadra acompanhados dos jogadores profissionais. Antes, porém, cada qual escolheu seu “avatar”, aquele responsável em ser as pernas das crianças durante a partida, como explica um dos idealizadores do evento, o professor Alexandre Romano, 41.

“Nós pensamos no Avatar, em alusão ao filme, que é aquele cara que não ‘tem as pernas’, mas vai pra outro mundo através do seu avatar. E na verdade quando eles estão com o avatar, eles estão em outro mundo, porque eles se imaginam lá”, revelou Romano completando que a força das crianças para jogar vem do coração.

Atletas de Abílio Nery e Fast Clube foram avatares das crianças com paralisia (Winnetou Almeida) 

“O Jogo do Avatar é na realidade um sonho porque as crianças com paralisia cerebral nunca poderiam ter uma vida normal. A questão da mobilidade é mínima, mas cognitivamente eles são preservados. E pensando nisso criamos essa atividade pensando: se a cabeça funciona, o coração vai. E nós adaptamos esse esporte para que eles pudessem ter, na sua percepção cognitiva, a vivência de jogar futebol”, pontuou o professor.

ArtilheiroUm dos “artilheiros” no duelo de ontem, Cledenir Meireles Júnior, 22, não via a hora de estar em campo na partida desta quarta-feira. Mesmo se comunicando por meio de sílabas, o aluno comentou com a mãe, Nilza Bentes Meireles, 40, o desejo de estar em campo no Jogo dos Sonhos.

“Ele estava ansioso por esse jogo. Meu filho teve uma grande melhora pelo fato da interação com os alunos e colegas dele. Ele se sente muito mais motivado em vir pra escola, pra praticar o futebol de cadeira, que é uma coisa nova pra ele. E, como ele gosta muito de futebol, isso foi a realização de um sonho pro meu filho”, disse a mãe de Cledenir, aproveitando para falar da melhora do filho com a prática esportiva.

Partida festiva emocionou atletas e crianças na quadra da escola Vidal Araújo (Winnetou Almeida)

Visivelmente emocionado ao final da partida festiva, Emerson Nunes, 24, pivô do Abílio Nery, falou sobre o evento e da sensação de proporcionar alegria para as crianças da escola André Vidal de Araújo. “Ainda não tinha participado de um jogo tão emocionante como esse. Só tenho de agradecer a Deus pela oportunidade que Ele nos proporcionou. É uma sensação incrível saber que nós temos saúde e às vezes reclamamos tanto da vida, e com um gesto tão simples assim a gente faz uma pessoa tão feliz como essas pessoas”, disse.

O Jogo do Avatar – o Jogo dos Sonhos teve duração curta, mas que ficará eternizada na memória dos participantes. Em quadra o resultado da disputa entre Abílio Nery x Fast Clube foi o empate em 2 a 2, no entanto, os maiores vencedores do dia foram as crianças e seus avatares, que puderam sentir a emoção de serem conduzidas e conduzir seus sonhos por um mundo melhor.

Toda a emoção do capitão

Entre os jogadores de Abílio Nery e Fast Clube estava o capitão do Tricolor de Aço na campanha da quebra do jejum de 45 anos sem títulos do Rolo Compressor. Roberto Dinamite passou sua abraçadeira, a mesma usada na final do Barezão Centenário, para o aluno especial Cledenir Júnior, que ficou mais orgulhoso ainda de ser o comandante em campo.

Dinamite emprestou para Cledenir a braçadeira de capitão da final do Amazonense (Winnetou Almeida)

Passada a emoção da partida, Dinamite agradeceu a oportunidade de participar do evento solidário. “Isso aqui é uma experiência única. São nesses momentos que a gente vê a sensibilidade e o amor que nós temos com o próximo. Só tenho de agradecer a Deus por Ele ter colocado esses momentos únicos na minha vida e sentir emoção tão bacana, tão legal, que é participar de um jogo desses, que é tão especial para essas crianças”.

riador de um projeto para crianças que já dura dez anos, o volante de 31 anos, sabe muito bem a importância de ações como a realizada pelos professores da escola André Vidal de Araújo. “Tenho um projeto social em que cuidamos de 60 crianças. Claro que todas são especiais, mas defino as crianças dessa escola como anjos, que, queira ou não queira, acaba nos emocionando”, revelou o capitão apontando a partida em que foi avatar como mais uma conquista em sua carreira. “Estou muito feliz por esse momento tão especial de estar participando desse evento. Esse é mais um troféu e é um dos que tem mais valor na minha vida”, concluiu Dinamite.

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