Segunda-feira, 14 de Outubro de 2019
Craque

De aluno ‘gazeteiro’ a atleta estudioso, Marinho conta sua trajetória no futebol amazonense

O atleta, de 35 anos, terceiro personagem da Série “Guerreiros do Futebol Baré”, hoje vê os estudos como fundamentais para a estabilização profissional e realização pessoal fora dos campos



1.jpg Marinho formou em 2013, conciliando os estudos com o futebol
03/02/2015 às 09:16

Ele não era bom aluno na escola. Filho de um professor de história e de uma economista, sempre foi cobrado nos estudos. No entanto, a paixão pela bola não falava, gritava mais alto. Faltando aula para participar de jogos e peladas, reprovou dois anos na escola. Mas, pelo jeito, esse tempo ficou para trás.

Mario Marinho, 35, o terceiro personagem da Série “Guerreiros do Futebol Baré”, hoje vê os estudos como fundamentais para a estabilização profissional e realização pessoal fora dos campos. Tanto que, mesmo sem nunca ter parado de jogar futebol, se formou na faculdade de Educação Física.

Dedicado, ele se dividia entre os compromissos do futebol e a faculdade, trancava o período no curso quando precisava viajar para jogar uma temporada fora e hoje, já graduado, planeja fazer uma especialização na área de fisiologia do esporte. “Hoje não abro mão de estudar por causa do futebol”, diz ele.

Aos 17 anos, Marinho saiu de casa de casa atrás do sonho de jogar bola. Morou dois anos em sua cidade natal, Belém do Pará, onde jogou pelas pelas categorias de base de Remo e Paysandu, antes de voltar pra Manaus e se profissionalizar pelo “América de seu Amadeu Teixeira”, como gosta de falar.

Sob condição
Criado no Alvorada, bairro com grande cultura de futebol em Manaus, Marinho “driblava” os pais na infância para jogar futebol. Acompanhado de perto pelos pais, escondia as provas quando tirava notas baixas para não ficar de castigo sem jogar bola. “Na minha família, todos sempre foram muito estudiosos e eu só tinha direito de jogar se fosse bem na escola”, recorda.

Nos domingos, o bate-bola acontecia em geral na quadra do Colégio Pró-Menor Dom Bosco, onde ele chegou a jogar com o colega de infância, hoje ídolo mundial do MMA, José Aldo. O padre responsável pelo colégio, no entanto, também tinha as suas regras para permitir o uso da quadra. “Só jogava futebol quem assistisse à missa”, contou o jogador.


Jogador quer fazer especialização na área esportiva

Motivação para acordar
Mas nada disso era problema. Ele, que dizia morrer de preguiça para ir para a aula de manhã durante toda a semana, acordava mais cedo que todos na casa, comprava pão, fazia o café e corria para a missa, na expectativa do jogo que sucederia a cerimônia dominical.

“Minha mãe ficava danada”, lembra ele, o mais velho dos três irmãos e o último dos três a formar em um curso superior (o do meio é formado em jornalismo e o mais velho, engenheiro elétrico). “Abri mão de muita coisa para viver o futebol”, contou o jogador.

Caseiro
Entre os estudos e o futebol, no entanto, Marinho tem duas paixões: a namorada Cláudia e a filha Pietra. É com elas que passa a maior parte do tempo livre. “Sou caseiro, não curto muito balada. Às vezes um show, quando muito. Prefiro pegar um cinema”, diz ele.


Em 2013,Marinho comemora gol em vitória sobre o Nacional

Muitas histórias no ‘planeta’ futebol
Em 2005, Marinho comemora dez anos do histórico título de campeão estadual do Grêmio Coariense. Era a primeira vez que um time do interior ganhava a competição e o jogador sagrava-se artilheiro da competição. “Ganhamos os dois turnos em cima do Nacional e ainda fui artilheiro do campeonato com 11 gols”, recorda, orgulhoso, o jogador.

Conseguiam a classificação para disputar a Série C do Campeonato Brasileiro e, no ano seguinte, fizeram excelente campanha na competição nacional. “Ficamos em nono lugar; perdemos praticamente para a malária”, diz o jogador, referindo-se ao acometimento de vários jogadores do time pela doença tropical. “Jogamos quatro vezes com o Rio Branco (AC) naquela competição. Ganhamos três. Na que valia mais, perdemos nos pênaltis”, lamenta o jogador, que chegou a jogar sem saber que também estava doente.

“Só vim sentir os sintomas depois”, disse o jogador, também muito lembrado pelo gol “de bunda” contra o Nacional, que deu o título do primeiro turno ao Penarol, que conquistaria o campeonato naquele ano.

Mas a sorte de Marinho mudou em 2010, quando o jogador foi convidado a atuar em Hong Kong. “É sonho de qualquer jogador atuar fora do país. Conhecer outra cultura, outra língua, foi uma experiência e uma conquista incrível. Fomos campeões da liga e conquistamos a vaga para a Champions da Ásia”, orgulha-se ele, que também passou por mais bocados na profissão. Perguntando sobre qual a maior roubada teria se metido no futebol, contou essa história.

“Em 2001, eu e o Vidinha foos chamados pelo Atlético de Três Corações-MG, a cidade de Pelé. Fiquei alojado em um corredor abaixo das arquibancadas. Ficamos três meses sem receber e quando decidimos ir embora, só pagaram a passagem para a rodoviária de Brasília. O Vidinha teve que quebrar o cofrinho que guardava para dar ao filho para compramos a passagem de volta”.

Ao ser perguntado se ainda sonha com algo no futebol, Marinho não faz de rogado. “Quero ser campeão na Arena da Amazônia em 2015, levantar o primeiro troféu de um time amazonense no estádio da Copa do Mundo”, revelou.

Perfil do atleta

Nome: Mário Marinho, atacante do Tufão

 Idade: 35

Naturalidade: Belém do Pará

Posição: Atacante

Títulos na carreira: Campeão matogrossense de 2003 pelo Cuiabá; campeão amazonense em 2005 pelo Grêmio Coariense e Campeão Amazonense de 2011 pelo Penarol.

Curiosidade: Marinho joga com o número 23, uma referência ao Salmo 23, cujo versículo mais famoso diz: “O Senhor é meu pastor e nada me faltará”


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