Publicidade
Esportes
SENTIMENTO

De pai para filho: laços familiares mantêm vivo amor por clubes do futebol amazonense

No Dia dos Pais, Portal A Crítica conta a história dos genitores que passaram a paixão pelo futebol baré para os filhos 12/08/2018 às 14:30 - Atualizado em 12/08/2018 às 14:41
Show familia torcida fast 1534098310
Fotos: Junio Matos
Camila Leonel Manaus (AM)

Um dos principais legados que os pais passam aos filhos é o time de futebol. Mas os ensinamentos em casa têm um sério concorrente: os meios de comunicação, internet e vídeo games que cada vez mais arrebatam os corações dos pequenos para torcerem por times que nasceram e jogam bem longe de Manaus. Seria uma realidade preocupante se não existisse os pais da resistência baré que ensinam os pequenos a valorizar as cores dos times locais.

Prova disso, foi em uma atividade da escola que Marcus Vinícius, 15, e Marilian Giovanna, 11, foram os únicos alunos que foram com uma camisa de time amazonense: os dois usando a camisa do Fast.

“Eu acho que pouca gente da minha idade conhece os times daqui e é um privilégio torcer para um time da minha cidade, ter essa identificação” , conta Vinícius, que torce para o Tricolor de Aço desde os quatro anos e sempre tem que explicar: apesar do nome em inglês, o Fast é amazonense. “Sempre pensam que é um time dos Estados Unidos porque Fast é rápido em inglês, mas falo que é daqui de Manaus”, completa.

A irmã de Vinícius, Marilian também vai para o estádio desde criança. “Eu gosto muito de ir para o estádio ver meu time ganhar. É muito emocionante”, diz a menina que entra em campo com os jogadores.

Assim como Vinícius e Marilian aprenderam a amar o Fast com o pai, Marcus Túlio Costa, ele também conta que virou fastiano pela influência do genitor. “Meu pai era da diretoria do Fast na década de 60, 70 e quando ele faleceu a gente se afastou e pelos anos 2000 se reaproximou. Eles começaram a ir para o estádio comigo não só em Manaus, mas no interior também. Já fomos para Autazes, Careiro Manacapuru. Sempre estamos juntos”, contou.

Ironicamente no momento mais feliz para os fastianos (a final do Barezão de 2016, quando o jejum de 45 anos sem estadual foi quebrado) ele não estava com os filhos, pelo menos não no estádio. “Em 2016 eu não estava em Manaus, só estavam eles e eu não vi a final, mas eles mandaram fotos, vídeos”, contou.

Amor pelo Rio Negro

Já André Soledade, aprendeu a ser rionegrino com o tio, que o levava nos estádios. O sentimento pelo Galo foi tão grande, que passou para André Aurélio, de 9 anos.

“Na primeira vez eu me senti como se estivesse na Copa. Era muito legal. Nos primeiros jogos eu gostava mais da comida, da torcida, mas depois que vi todo mundo comemorando e vibrando comecei a me interessar e veio essa paixão pelo Rio Negro, que é o que eu sempre fui”, diz o pequeno para orgulho do pai, que já ensina para a caçula, Leona Artemísia, de nove meses, o amor pelo time barriga preta.

“É gratificante vê-lo junto comigo porque quando eu vejo ele junto comigo vibrando, torcendo comigo é bem legal nesse sentido. A gente se diverte, estreita a relação pai e filho e eu acho isso muito bacana. Para um pai é legal ver os filhos torcendo pelo mesmo time que você”. O jogo mais especial eleito pela dupla foi a vitória do Galo sobre o Nacional por 2 a 1 na Arena da Amazônia, em 2017.

Um amor que vai continuar

“A nossa história não pode parar. Esse amor que vai continuar, de pai para filho e sempre será”. Os versos cantados pela torcida do São Raimundo nos jogos do time alviceleste são uma realidade para Ismael Siade, pai de Gabriel e Miguel. E fazendo jus aos cânticos, os três sempre são presença nos estádios para acompanhar o time de coração.

“Eu me sinto feliz quando vou no estádio. É tanta coisa que eu gosto que nem sei dizer, mas o melhor é ver o time ganhar mais pontos e brincar com os amigos”, diz Gabriel, de nove anos que diz que a identificação com o Tufão é “o time se esforçar para ganhar e a torcida que empurra o time”.

O pai, Ismael, explica que se tornou bucheiro aos oito anos ouvindo os jogos no rádio em 98, época do auge do time. “Comecei no radinho de pilha do papai e fui tomando gosto”, conta. Mas se Ismael começou a acompanhar o futebol baré sozinho, os filhos foram apresentados aos estádios desde criança.

“Eu frequentava os estádios e quando eles nasceram levava eles todo sábado para a Colina. Quando não podia ir porque estava trabalhando, eles sempre cobravam, Miguel foi com um aninho para o estádio e ficava engatinhando e torcendo. Eles sempre cantam as músicas, têm as camisas e ver isso é gratificante”, lembra o pai.

Publicidade
Publicidade