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Depois de ser demitido do Tarumã, Fernando Lage abre o jogo: ‘Eu mereço mais respeito’

Lage foi dispensado após a derrota, sábado, em casa (Borba, a 150 quilômetros de Manaus), por 2 a 1 para o Fast Clube, na estreia do Amazonense 28/02/2013 às 15:39
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Lage foi demitido na primeira rodada do Estadual
Paulo Ricardo Oliveira Manaus (AM)

Carismático e sempre sorridente, o angolano Fernando Lage, 41, era a imagem da desolação, ontem, do saguão do hotel Mônaco, quando fez um desabafo sobre sua demissão sumária do comando técnico do Tarumã. “Eu merecia mais respeito em razão do todo o sacrifício em Borba. Nesses 30 dias como treinador do Tarumã, eu fui também mordomo, massagista, psicólogo, preparador físico, conselheiro, resolvi questões burocráticas no dia do jogo contra o Fast Clube, enfim, fiz tudo que podia pelos jogadores e pelo clube. Éramos uma família”.

Lage fora dispensado após a derrota, sábado, em casa (Borba, a 150 quilômetros de Manaus), por 2 a 1 para o Fast Clube, na estreia do Amazonense, sob a alegação de erro de esquema tático e economia na utilização do banco de reservas. Ele, porém, tinha uma estatística favorável de amistosos: venceu a seleção de Autazes por 3 a 0, e empatou com o Nacional de Borba (1 a 1) e com a seleção de Autazes (1 a 1). “Mas como você adota um esquema tático eficaz sem os jogadores que eu pedi que a diretoria contratasse? Não tínhamos peças de reposição à altura. Eu havia dado uma lista de seis dispensas, mas a diretoria não o fez. Eu havia pedido a contratação de dois zagueiros e um meia-atacante, mas não houve as contratações”.

O treinador reclamou que não teve nem a chance de se defender antes da demissão. Logo após o jogo, o angolano foi chamado pelo comando do clube e avisado da dispensa. O presidente Policarpo Rios, o diretor de futebol João Mendes Fonseca, o Janjão, fizeram “as honras da casa”. Conforme Lage, nem Policarpo e nem Zezinho Correa, vice-presidente e nem Gerson Meireles, diretor jurídico, queriam sua demissão, mas Janjão foi a voz mais influente na decisão. “Como pessoa, sempre fui muito bem tratado por todos. Mas digo que a demissão foi injusta como treinador, por tudo que fiz pelo clube”.

Lage vai passar 15 dias descansando em Iranduba – clube que ele próprio levou às semifinais do segundo turno do Estadual – na casa de Dirceu Vasconcelos, ex-presidente do daquele clube. Mas o descanso pode ser interrompido. Enquanto falava com exclusividade ao CRAQUE, recebeu uma ligação da diretoria do Rolim do Moura, da Primeira Divisão de Rondônia cuja competição começa dia 17 de março. “Eu queria trabalhar em Manaus e provar que eu estava certo. Que quem me demitiu estava errado. Mas se a proposta for boa, viajo logo para Rondônia”.

Qual a real motivação da sua demissão do comando técnico do Tarumã?

Ainda não compreendi muito bem essa demissão. Foi injusto por todo sacrifício pelo qual passamos em Borba. Eu segurei os jogadores na hora que eles queriam vir embora para Manaus, porque algumas vezes faltou café da manhã e jantar para os jogadores, para mim. Também segurei as pontas, quando os jogadores dormiam no chão, porque não havia a cama na casa cedida pela prefeitura de Borba ao clube. Essa parceira entre o Tarumã e Borba, aliás, só existe na palavra. Passamos algumas dificuldades naquela casa. E aí por causa da derrota na estreia eu fui demitido. Mas eu já sabia que seria demitido desde quinta-feira. Estava tudo certo.


E por que a parceria entre a prefeitura de Borba e o Tarumã não funcionava?

A prefeitura ficou de dar hospedagem e alimentação para os jogadores e comissão técnica. Mas havia problema até de falta de água na casa que cederam para a delegação. Havia 22 pessoas numa casa de cinco quartos. Às vezes tínhamos que tomar banho com garrafa Pet. Sempre houve almoço, mas às vezes não havia café da manhã ou jantar. Jantávamos às 18h do dia e só tomávamos café 8h da manhã do dia seguinte. Quando queríamos acessar a Internet, tinhamos que pedir da diretora de uma creche que nos cedia.

Esses eram os problemas da casa. E as dificuldades para treinar?

Eram muitas. Somente tínhamos duas bolas e um jogo de colete para treinar. Começamos o mês com apenas nove jogadores, depois chegaram outros três, depois mais dois e assim foi até a estreia contra o Fast Clube. Quando eu começava um trabalho com um grupo, tinha que voltar atrás e recomeçar para termos o mesmo nível físico e técnico. Eu apresentei uma lista com seis dispensas por falta de qualidade técnica, mas a diretoria não dispensou ninguém. Sugeri a contratação de dois zagueiros e um meia-atacante, mas não fui atendido. Então fui demitido por usar o esquema tático errado? Eu vivo de futebol. Sei as qualidades dos meus jogadores e o esquema tático ideal para cada jogo.

Qual o seu futuro como treinador?

Vou passar 15 dias em Iranduba, na casa do Dirceu Vasconcelos, ex-presidente do clube para relaxar a cabeça e pensar no que fazer. Queria ficar no futebol amazonense e provar que quem me demitiu estava errado. Eu fiz história no Iranduba no ano passado com um elenco simples, de jogadores desconhecidos e a maioria de Iranduba. Eu faria história também no Tarumã, desde que a diretoria fizesse as contratações que eu pedi.

O Tarumã lhe pagou?

Sim. O dr. Policarpo foi correto em me pagou tudo certo. “Lage mostrou um comprovante com salário de R$ 3,7 mil mais R$ 300 de bônus por 30 dias de trabalho). Não há reclamação.

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