Segunda-feira, 30 de Novembro de 2020
CENÁRIO

Desabafo: diretor do Iranduba escancara dívidas e teme pelo futuro do clube

Perto do rebaixamento, equipe com os maiores feitos da história do futebol feminino do Amazonas acumula dívidas de quase R$ 2 milhões



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06/10/2020 às 13:42

Com a aproximação do primeiro rebaixamento de sua história, o Iranduba vive momentos de descaracterização. As meninas que chegaram a levar 25 mil pessoas à Arena da Amazônia, nas semifinais do Brasileirão de 2017, trouxeram a Copa Libertadores da América para o Estado em 2018 – o único clube do Amazonas que jogou a competição continental – e foram octacampeãs do Barezão entre os anos de 2011 e 2018, hoje vivem as consequências do calote que sofreu de sua ex-patrocinadora master.

O diretor de futebol do Iranduba, Lauro Tentardini disponibilizou à reportagem da A Crítica os números do déficit acumulado da equipe amazonense. Segundo o dirigente, os cofres do Hulk tem um rombo de R$ 1.742.983 milhões. Deste montante, R$ 973.283 mil são em dívidas trabalhistas, R$ 538 mil são em empréstimos, R$ 80 mil em aluguel, R$ 62 mil em passagens aéreas, R$ 42 mil em hospitais, R$ 22 mil em duplicatas e R$ 22 mil em transportes.



“É uma situação muito triste, eu sempre quis falar sobre essas dívidas e eu nunca falei porque o presidente (Amarildo Dutra) me dizia que ia só manchar a imagem do clube. O Iranduba nunca foi ajudado por governo de Estado ou prefeitura, até tivemos a prefeitura de Iranduba dando uma ajuda, mas foi por pouco tempo. E quando a gente toma um calote do patrocinador, a situação fica muito difícil”, disse o dirigente.

Intervenção dos conselheiros

Lauro desabafa sobre a falta de contribuição dos conselheiros do clube, que segundo o diretor, não chegaram a depositar nenhum dinheiro na vaquinha online lançada no dia 11 de junho, que tinha como meta arrecadar R$ 900.000 mil reais e conseguiu até esta terça-feira (6), um total de R$ 4.955,96 mil reais. Esse valor não seria capaz de pagar nenhuma das dívidas citadas acima.

“Não tem um conselheiro do Iranduba que tenha doado cinco ou 25 reais para a vaquinha do clube, e tem uma lista exercendo essa função dentro do clube. É nesse sentido que eu falo, na hora que tu pede algo para algum desses conselheiros, tudo é difícil, colocam uma série de dificuldades, falam que não gostam do presidente, que estão em crise por isso e aquilo, entre outras coisas”, desabafou.

Lauro também lembra de um episódio em que os conselheiros reclamaram da escalação da atacante Elisa, que jogou no Iranduba entre os anos de 2016 e 2019. O diretor disse que esses membros criticavam constantemente a forma de jogar que o técnico do Hulk na época, Adilson Galdino, escolhia para o seu grupo.

“Quando o técnico era o Adilson, a gente estava em segundo lugar no Campeonato Brasileiro e eles viviam reclamando do trabalho dele. Teve uma vez eu que eu estou no jogo contra a Ferroviária-SP, e entrou a Elisa, Iranduba perdendo de 2 a 1, e um destes conselheiros falou que agora que ela tinha entrado que o Iranduba não faria mais nada. Pois a Elisa foi lá e fez o gol. Então, por que eles faziam isso? Pois nunca confiaram no trabalho da gente, se perguntar quantas vezes o Adilson ouviu que o time tinha que jogar para frente, que o jeito de jogar não estava certo, sendo que a gente ia lá e ganhava? E mesmo assim todo mundo se metia”, revelou.

“A pior coisa que aconteceu para o Iranduba foi ter sido semifinalista da Libertadores e ter colocado 25 mil pessoas na Arena, pois desde aí cresceram o olho. E aqui não falo do presidente, mas de quem achava que o Iranduba gerava muita receita. Começou a aparecer um monte de gente se dizendo dirigente do clube, na Libertadores a gente olhava para os camarotes e estava lotado, todo mundo queria ser dirigente do clube, o que eu mais ouvia era pessoas dizendo que eu tinha que ser só diretor de futebol, que eu trabalhava muito, aí falavam que tinha que colocar fulano no marketing, não sei quem na comunicação, e em ‘N’ funções queriam empurrar pessoas”, disse Lauro.

Os bastidores da busca por sobrevivência

O dirigente diz que nenhum dos membros do conselho deliberativo do clube participou da negociação com o presidente do 3B Sports, Bosco Brasil Bindá, e que se não fosse pelo seu esforço, o clube não teria condições nem de terminar o Campeonato Brasileiro.

“Na hora de dar a cara à tapa e buscar por recursos, ninguém aparece, se não fosse eu ir atrás do Bosco, não teríamos nem time para continuar o brasileiro. Mas eu fico feliz, pois se não fosse pra eu procurar o Bosco, e alias, agradeço muito à ele e as meninas do 3B, que toparam o desafio, o Iranduba não ia nem terminar o campeonato, ia acabar sendo punido e iria fechar compulsoriamente”, afirmou.

Possível aposentadoria do futebol

Com seu contrato próximo do fim, Lauro Tentardini diz que não sabe se o Iranduba continuará vivo após todos esses episódios, e que nem sabe se existe interesse do clube em renovar o vínculo com ele. Independente da posição do clube, Lauro diz que seu pensamento já em largar o futebol.

“Meu contrato acaba de qualquer jeito. Não sei se o clube continuará e nem se terá interesse em renovar. E também não sei se ainda quero saber de futebol. Acho que já fiz bastante coisa. Peguem Iranduba de 2011 a 2015, nunca havia ganho jogo fora de casa, nunca havia classificado, nunca havia liderado campeonato. A Bia (supervisora do Iranduba e esposa de Lauro) conta que simplesmente teve um ano que acabou campeonato e disseram que no dia seguinte tinham que tirar todas as atletas do alojamento, e se não fosse o Edu Lima arrumar uma casa para ela e as outras atletas, todas estariam perdidas. Então, são estas pessoas que antes comandavam Iranduba, e receber crítica deles é algo que simplesmente não aceito”, concluiu.

Precisando de um milagre para se manter na primeira divisão, o Iranduba ainda tem mais dois jogos para realizar (Kindermann-SC e Palmeiras-SP) e tendo que tirar uma diferença de quatro pontos para o primeiro time fora da zona de rebaixamento, o Minas Brasília-DF, equipe que o Hulk perdeu por 2 a 0 na tarde desta segunda-feira.

Repórter de A Crítica

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