Publicidade
Esportes
Craque

Diário de Copa: Um ano depois, repórter de A Crítica relata invasão chilena ao Maracanã

Experiência vivida no jogo entre Espanha e Chile, que valeu a classificação chilena e a eliminação da então defensora do título de campeã mundial 17/06/2015 às 19:49
Show 1
Cerca de 50 chilenos conseguiram ter acesso às arquibancadas do Maracanã
Felipe de Paula Manaus (AM)

Antes do meio dia, os arredores do estádio do Maracanã já estavam lotados para o jogo de Espanha e Chile. Em barulhenta maioria, os chilenos estavam empolgados com a boa estreia da seleção diante da Austrália. Já a torcida da Espanha, que então defendia o título de campeã mundial, chegava mais timidamente, talvez abalada com a goleada (5 a 1) que a Roja sofrera na estreia para a Holanda.

Aos poucos, a massa vermelha - os primeiros uniformes de ambos os times são desta cor - dominava os bares e restaurantes do entorno do Maracanã, praticamente monopolizando as mesas onde os jornalistas que trabalhariam no jogo também buscavam se refugiar antes da partida. A comida do Maracanã, além de cara, era padrão-Fifa, ou seja, tinha até uma cara bonita, mas era intragável!

Restou-me, portanto, escolher um dos botecos onde se aglomerava os “hinchas” chilenos ostentando canecas de cerveja e onde, para o alívio do meu ouvido, já cansado do onipresente chi-chi-chi-le-le-le, uma caixa de som tocava Led Zeppelin. Comi uma pizza e voltei ao Centro de Mídia do Maracanã, uma espécie de quartel general de veículos de comunicação de todo o mundo.

Escolhi uma mesa longe dos repórteres asiáticos - me incomodava ouvi-los falar tanto e não entender nada! - e liguei meu computador para acompanhar o noticiário da Copa na Internet. Mas eis que, de repente, um barulho estrondoso de pessoas tomou conta da sala. Me levanto e vejo uma multidão de pessoas correndo desesperadas, seguranças logo atrás e, os jornalistas, que costumam estar espertos e apontar suas câmeras com rapidez e oportunismo, atônitos diante da invasão da massa chilena, que tinha furado o bloqueio policial do Maracanã, arrombado a grade que dava acesso ao estádio e entrado pela Centro de Mídia.

Jornalistas tentavam proteger seus pertences e seguranças capturar os invasores, que furavam as paredes temporárias do estádio em busca de uma saída para o campo. Cerca de 200 chilenos invadiram o estádio, e uns 50 conseguiram acessar as arquibancadas.O fotógrafo de A Crítica na ocasião, Bruno Kelly, capturou o momento em que este grupo acessou pelo campo a arquibancada. Porém, um dos invasores tropeçou na cadeira em que ele se posicionava de pé, afim de fazer melhores ângulo para a cena, e o derrubou. Meu companheiro de equipe acabou machucando a região lombar e quebrando a lente de sua câmera.

Mas a pior queda do dia ficou mesmo para a equipe da Espanha, que, campeão mundial em 2010, foi dominada pelo Chile de Vargas e Vidal e, ao perder por 2 a 0, deixava precocemente a competição mais importante do futebol mundial.


Publicidade
Publicidade