Publicidade
Esportes
Craque

Diretor-presidente da FVO explica motivo da Arena da Amazônia não receber mais jogos da Série A

Flamengo, Vasco e Botafogo jogaram ano passado no estádio da Copa e trouxeram lucros. Esse ano, a Arena ficou sem jogos da Série A e o motivo seria um “acordo” da CBF 28/08/2015 às 18:06
Show 1
Aly Almeida, diretor-presidente da Fundação Vila Olímpica de Manaus
Denir Simplício Manaus (AM)

Linda, imponente e inviável. Mesmo assim, a Arena da Amazônia “bebia” na fonte dos grandes jogos do Brasileirão. Flamengo, Vasco e Botafogo traziam algum lucro para o estádio multiuso no ano passado, mas a fonte secou. A confirmação de que nenhuma partida oficial do Campeonato Brasileiro deste ano será disputada na Arena foi como um “balde de água fria” nas pretensões da administração do estádio, que sonha com a autossustentabilidade do local.

“Ninguém quer vir pra cá”, a declaração  do diretor-presidente da  Fundação Vila Olímpica (FVO), Aly Almeida, vem seguida de uma revelação: a Confederação Brasileira de Futebol (CBF) teria feito um “acordo” com os clubes da Série A para não aceitarem a mudança dos locais dos jogos por menos de R$ 1 milhão, mesmo não sendo os mandantes das partidas.

Segundo  Almeida, a informação foi dada por um empresário que estaria interessado em trazer três jogos do Santos para Manaus. De acordo com o mandatário da FVO, o dito empresário - cujo nome Almeida diz não lembrar - é um ex-dirigente do futebol brasiliense, e teria desistido de usar a Arena por conta do tal acordo.

CBF/Clubes x Arena

“O mando de campo antigamente era do Time X e te trazia na marra. Tu eras obrigado a vir. Hoje, o Time X não pode fazer isso. O Time X tem de pagar uma taxa pro time grande. Foi isso que o cara me explicou”, relatou Aly Almeida, explicando o motivo pelo qual a Arena não foi procurada para receber jogos do Brasileirão 2015.

O presidente da FVO  fez questão de enfatizar que não confirma o acordo Clubes/CBF e que apenas ouviu as declarações do empresário que procurou a Arena. Segundo Aly, os times de menor expressão é que traziam os chamados grandes para jogar no estádio. Foi o caso do Resende que vendeu seu mando de campo  e trouxe o duelo com o Vasco, pela Copa do Brasil, pra Manaus no ano passado.

Mesma situação do Oeste-SP, que preferiu jogar com o Cruzmaltino, pelo Brasileirão  Série B, na Arena. Até mesmo o Flamengo -  na época dirigido por Vanderlei Luxemburgo - trouxe o confronto com o Vitória-BA para a Arena. Mesmo enfrentado as  críticas do treinador, que dizia que Manaus era quente e longe demais.

A reportagem do CRAQUE entrou em contato com a CBF para saber a posição da entidade sobre o suposto acordo, mas até o fechamento desta edição, não obtivemos resposta.

Único evento

Em janeiro deste ano, a Arena foi palco do torneio Super Series. No gramado, três gigantes do futebol brasileiro: Flamengo Vasco e São Paulo.  Mesmo  com uma forte presença das três torcidas em Manaus, o evento teve público abaixo do esperado.

Custos

Com custos de manutenção que ultrapassam os  R$ 600 mil/mês, a FVO tenta amenizar os gastos com  o estádio alugando a Arena para shows, visitas e até pedido de casamento. “Hoje, vamos ter uma renda maior numa agenda de shows. Mas se nós trouxéssemos pra cá um Flamengo e Atlético Mineiro,  só os 10% ‘matava’ toda a renda desses shows todos”, pontuou Almeida, explicando que os jogos de futebol com times do Sudeste traziam mais lucros pra Arena da Amazônia do que o aluguel do espaço para shows.

Futebol Baré não ajuda

As únicas partidas oficiais disputadas na Arena da Amazônia em 2015 tiveram o Nacional como protagonista. O Leão da Vila Municipal é o único representante do Amazonas no Brasileirão da  Série D  e também a equipe que mais jogou na Arena. Foram cinco partidas no ano: Dois contra o Vilhena-RO (Copa Verde e Série D), as finais do Barezão com o Princesa do Solimões e o duelo com o Remo, também pelo Brasileiro.

O público total nos cinco jogos do Naça foi de 25.044 pagantes. Bem abaixo do  maior público pagante na Arena -  Botafogo e Flamengo, no ano passado, levou 39.561 torcedores a pagarem ingresso para ver o clássico carioca. Questionado se necessariamente a utilização da Arena por clubes locais passava pelo fortalecimento do futebol do Amazonas, Aly Almeida foi taxativo.

“O governo deu dinheiro e deu os estádios...  Jogavam aí em campo de barro. Hoje, jogam em campo de qualidade. A colaboração do governo do Estado é de 80%; a dos clubes é fazer jogador, que é 20 (%)...  não fazem”, disse o presidente da FVO, lembrando que o Estado liberou uma verba R$ 2,5 milhões aos clubes locais nesta temporada.

“O governo já fez 80% pelo futebol. Agora falta o futebol fazer por ele mesmo”, apontou Almeida, lembrando do Nacional, único representante local com chances de tirar o futebol Baré do ostracismo atual. “Quem era pra trazer bons jogos pra Arena era os clubes locais. Aí o Nacional em vez de ir pra Série C, que já iria ter jogo melhor, está é fora da competição. Só luz divina que salva o Nacional”, pontuou Almeida.

A diretoria nacionalina não confirmou, mas caso o Naça perca o duelo com o Rio Branco-AC, amanhã, na Arena, poderá levar a última partida da Série D, contra o Náutico-RR, no estádio da Colina.

Publicidade
Publicidade