Domingo, 05 de Dezembro de 2021
Crise

Dirigente do Iranduba revela detalhes sobre desgaste com patrocinadora

A gota d´água entre as duas partes ‘caiu’ ontem (9), quando mais uma vez, ao tentar contato com representante da Startup israelense Vegan Nation, o Hulk ficou sem previsão alguma de recebimento da quantia em débito - equivalente a um ano e quatro meses sem depositar um ‘tostão’ na conta do clube



WhatsApp_Image_2020-06-09_at_23.08.26_25FE4188-F8B7-4D23-8D69-F8B21BFF00EE.jpeg Foto: Denir Simplício
10/06/2020 às 10:46

Em Fevereiro de 2019, o Iranduba tomou a decisão de entrar numa parceria com a Vegan Nation - empresa multinacional de serviços de alimentos veganos. Desde lá, se arrasta uma relação desgastada e cheia de falhas. Principalmente, por consequência do não cumprimento de acordos por parte da patrocinadora. A gota d´água entre as duas partes ‘caiu’ ontem (9), quando mais uma vez, ao tentar contato com representante da Startup israelense, o Hulk ficou sem previsão alguma de recebimento da quantia em débito - equivalente a um ano e quatro meses sem depositar um ‘tostão’ na conta do clube. 

Em contato exclusivo com o CRAQUE, o diretor de futebol Lauro Tentardini desabafou a respeito da complicada situação pela qual o Verdão passa. Ele não esconde a agonia pela falta de comprometimento da multinacional, que causa danos graves às jogadoras - não recebem desde Fevereiro - e família de todos os envolvidos com o Hulk. 



“Preciso de uma posição. Hoje (9) é o último dia para pagar meu aluguel. Até hoje não tive nada concreto da Vegan Nation. Toda semana, a posição da empresa fica para depois. Eu tenho família, não sou só eu que vou acabar na rua. A comissão técnica e eu estamos com salários atrasados desde o ano passado”, desabafou o dirigente, que é um dos responsáveis pela comunicação com a empresa. 

O principal entrave para os pagamentos é justamente a validação das ‘Vegan Coins’, moedas virtuais que ainda não possuem valor de mercado no Brasil, devido a motivos burocráticos. O contrato com a startup foi feito inicialmente para durar um ano, com opção de renovação - que foi feito -, com acordo para sanar quaisquer dívidas no dia 30 de Março de 2020. 

“Não aconteceu nada do que foi acertado. Essas cryptomoedas consistem basicamente em dinheiro sem valor algum, porque ainda não conseguiram lançar na bolsa. Sempre existe um novo planejamento para esse lançamento, que nunca é cumprido”, comentou Lauro a respeito do maior empecilho para ‘desafogar’ as finanças do Iranduba. 

Imbróglio

Para entender melhor todo imbróglio, é necessário saber alguns nomes que estão diretamente ligados ao atual cenário: primeiro, o presidente da Vegan, Isaac Thomas. Depois, seu vice-presidente de negócios,  Roberto Rosemberg. Por último, os empresários que intermediaram o contrato entre Iranduba e a startup: Dahlson Bisker e Fernando Bisker. 

“O Sr. Isaac Thomas não me responde. Só fala com o presidente e nos últimos dias estou com problema para contatá-lo. Todos os prazos que nos passaram foram passados sem nenhum pagamento. É muita cobrança. Eles realmente estavam fazendo a propaganda das moedas, mas não conseguem lançar e consequentemente não nos pagam”, destacou Lauro, que ainda revela ter sofrido censura por parte da startup. 

“Não podia recorrer à imprensa porque sofria chantagens a respeito do pagamento. Primeiro o prazo era Maio, depois Setembro (em 2019), depois Março (2020) e por aí vai. Ameaçam que se a gente falar, não vão pagar, porque são ameaças ao Thomas”, disse o indignado dirigente, que vive esse ‘inferno’ desde o início da relação. 
Vale lembrar que devido ao atual cenário, o clube que disputa a Série A1 do Brasileiro Feminino já perdeu quatro jogadoras -Júlia Beatriz, Taba, Nathy, Alice -, e a auxiliar técnica Renata Costa.

Segue o rolo

De acordo com Lauro, em conversa por aplicativo com Roberto Rosemberg, a situação é ainda pior do que se imagina. Até mesmo o vice-presidente de negócios da empresa está com salários atrasados e culpa a pandemia pelo não lançamento das Vegan Coins. Segue trecho da troca de mensagens: 

“Estou com aluguel atrasado há quatro meses. Tive que vender meu carro. Tomaram o meu apartamento em São Paulo. Tô tão ferrado que não consigo voltar ao Brasil (atualmente ele faz o intermédio da comunicação entre Brasil e Israel). Estava controlando tudo de perto e ia lançar a moeda, mas veio esse Corona (Covid-19)…”, desabafou Rosemberg. 

O vice de negócios da Vengan Nation ainda culpa os empresários Dahlson Bisker e Fernando Bisker, alegando que os mesmos, deram ‘calote’ na startup e não foram verdadeiros com o presidente Isaac Thomas. 

“Estou processando eles, mentiram. Foram as pessoas que fecharam com o Iranduba (em 2019). Já disse ao presidente que se soltar o nome deles, vem pagar voando! O Fernando mora nos EUA, mas vai ao Brasil direto, é milionário. O Dahlson fugiu de Manaus para Belém! Até a Vegan Nation roubaram e mentiram ao Thomas”, disse Rosemberg em mensagem à Lauro. 

Nas mãos do ‘Presida’

Por fim, o diretor de futebol do Iranduba ressalta que uma ação judicial por parte do clube só pode partir do presidente Amarildo Dutra, mas que se dependesse apenas dele, já teria movido processo. 

“Eu já teria feito isso, antes mesmo da renovação de contrato com eles. Não sei exatamente o que o presidente pretende, ele acredita que em algum ponto ainda haverá pagamento”, concluiu sobre a decisão do clube de, por enquanto, não levar o assunto à Justiça.

Até o fechamento desta matéria, o caderno CRAQUE não conseguiu contato com a Vegan Nation, que através de sua assessoria alegou problemas diante do fuso horário israelense.

News whatsapp image 2019 06 21 at 16.12.51 7cbfadd4 8d2b 47cf a09e 336b83276e71
Repórter de A CRÍTICA

Mais de Acritica.com

Sobre Portal A Crítica

No Portal A Crítica, você encontra as últimas notícias do Amazonas, colunistas exclusivos, esportes, entretenimento, interior, economia, política, cultura e mais.