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Esportes
Invasão amazonense

Do futebol baré para a Europa, amazonenses invadem o campeonato da Polônia

Em busca de oportunidade no esporte bretão e de proporcionar melhores condições de vida, uma leva de jogadores amazonenses tentam a sorte no futebol da Polônia 02/10/2017 às 14:08 - Atualizado em 02/10/2017 às 16:22
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Craques barés invadem o campeonato polonês (Arte: Thiago Rocha)
Denir Simplício

O dia 1º de setembro de 1939 ficou marcado na história da humanidade como a data em que as tropas de Hitler invadiram a Polônia dando início a Segunda Guerra Mundial. Passados quase 80 anos após esse fatídico episódio, a Polônia está sofrendo uma nova invasão, dessa vez de jogadores de futebol do Amazonas.

Ao todo são seis atletas barés que estão disputando o Campeonato Polonês nas mais diversas divisões. E todos eles são recrutados por um ex-jogador de futebol carioca, que atuou no Vasco, América-MG e até no futsal do Barcelona, da Espanha. Ronnie Tavares Garcia, 37, já levou vários jogadores de todo o Brasil para tentar a sorte não apenas no futebol da Polônia, mas na Alemanha também.

“Quando eles chegam ficam em meu alojamento por 30 dias sendo avaliados por mim. Depois disso os encaminho para os clubes”, disse Ronnie, que revelou já ter enviado olheiros para observar atletas no Peladão e no Campeonato Amazonense.

“Na verdade eu que escolho quem vai vir. Como agora estou morando por aqui (Polônia), vejo link dos jogadores e, de acordo com o que me pedem, os recebo. Antes tinha uma pessoa para observar o Peladão e Amazonense pra mim”, disse.

Os combatentes barés

Dentre os amazonense que estão atuando na Polônia estão o volante Leonardo, no GKS Warta, da 5ª Divisão; o atacante Helder, no Czarni Przybymierz, da 6ª Divisão; o volante Alex, no Victoria Ruszow, da 5ª Divisão; o volante Damião, no Lusco Luban, da 5ª Divisão, o atacante Ruan, no Java Otok, da 7ª Divisão, e Pelezinho, no Polonia Glubczyce, da 3ª Divisão polonesa. Além do batalhão amazonense na terra do papa João Paulo II, temos o meia Arlison, no LSV Neustadt Spree, da 7ª Divisão do futebol alemão.

Um dos mais conhecidos entre os atletas barés na Polônia, o lateral Pelezinho fala da experiência na Europa.

Pelezinho e Ronnie Tavares na Polônia (Foto: Acervo Pessoa)

“Estou indo muito bem graças a Deus. Tive essa oportunidade de mostrar meu futebol aqui na Polônia e estou aproveitando”, comentou o jogador, que já vestiu a camisa do Princesa neste ano.

“Não é fácil, aí a gente pega um calor de 30, 35 graus e aqui um frio que chega a negativar. Isso é a parte mais difícil, mas tranquilo”, revelou o volante Alex. Para o volante Damião, 22, que já passou pela base do Fast, Nacional e Tarumã, a saudade da família é grande, mas o atleta luta por melhores condições de vida para os parentes.

Damião em ação nos campos poloneses (Foto: Acervo Pessoal)

“Quando temos uma pessoa séria igual ao Ronnie lutando por nós, fica fácil em pensar apenas em jogar. Saudades eu sinto da família, mas vim por eles”, pontuou o jogador que está há três meses na Polônia.

Dos campo de pelada para a Europa

A prova de que o Peladão é um dos caminhos para o sucesso no futebol está na história do volante Alex, 21. O jogador jamais atuou em nenhum time profissional do Estado e foi descoberto pelos olheiros de Ronnie na disputa do maior campeonato de futebol amador do mundo.

"Sim, joguei o Peladão pelo Chelsea Canaranas. Quando surgiu a oportunidade de jogar por um time grande do Peladão, o Unidos da Glória, acabei me machucando e tive que operar o joelho", relembra Alex enfatizando que preferiu estudar em arriscar a sorte entre os profissionais no Amazonas.

Alex saiu do Peladão direto para a Polônia (foto: Acervo pessoal)

"Eu sempre fui ciente da minha realidade, então eu estudava, fazia faculdade e trabalhava. Até aparecer essa oportunidade", disse o volante, que também atua como zagueiro e está a um ano e meio na Polônia.

Pai de Davi Lucca, de 3 anos, que está em Manaus, Alex, que já fala bem o idioma local, afirmou que está bem adaptado ao futebol polonês e dá pra manter a família mesmo atuando longe de casa.

"Hoje em dia já posso dizer que estou estável aqui. Tenho um filho e graças a Deus todo mês o dinheiro dele tem", concluiu o amazonense. 

 

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