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Esportes
Rainha da superação

Do garimpo ao Rainha do Peladão, saiba a história de uma guerreira venezuelana

Fugindo da crise econômica em seu país, a representante do Napoli Manaus FC, Evelyn Marquez, se refugiou no Brasil em busca de um futuro melhor; depois de perder tudo em busca de ouro, a venezuelana tenta a sorte no concurso de rainhas 29/09/2017 às 20:58
Show eve.
Como cabeleireira, Evelyn supera a crise e a saudade da família que ficou na Venezuela (Foto: Evandro Seixas)
Denir Simplício Manaus (AM)

O Peladão sempre foi uma competição acolhedora. Boleiros de todo o Brasil e até do exterior já mostraram sua arte de jogar futebol nos nossos campos. Mas pela primeira vez o maior campeonato de peladas do mundo tem a honra de ter uma candidata da Venezuela no seu concurso de rainhas.

E ela vem de um verdadeiro celeiro de mulheres lindas. Trata-se de Evelyn Marquez, 33, que, com a grave crise econômica em seu país, se refugiou no Brasil e hoje tenta uma vida melhor como cabeleireira em um pequeno salão de beleza em Manaus.

Formada em Tecnologia da Informática, a representante do Napoli Manaus FC  é uma guerreira. Sozinha, decidiu deixar a família para trás e tentou a sorte até como garimpeira antes de chegar ao Amazonas.

“Não queria sair da Venezuela. Primeiro tentei a sorte em um garimpo, que fica na fronteira com o Brasil. Montei uma pequena empresa (exploração de ouro) ali e depois de oito meses todas máquinas estragaram. No fim, com o pouco de ouro que consegui extrair fui para Boa Vista (RR)”, lembra Evelyn comentando que contou com a ajuda de outros refugiados antes de mudar para Manaus.

Dramas até chegar no Brasil

“Graças à Deus não dormi na rua. Lá em Boa Vista fiquei numa casa onde os venezuelanos ajudam uns aos outros. Depois de algum tempo comecei a trabalhar e aluguei um quarto  junto com uma amiga. Montei um salão lá para fazer unha e tudo mais, mas percebi que era muito devagar e vendi tudo que tinha e vim para Manaus”, disse a candidata do Napoli FC lembrando que passou até fome antes de se estabelecer na cidade.

“Quando cheguei no Brasil as coisas estavam ruins também, passei alguns dias com fome. Teve dias que o salão não rendia nada. Quando cheguei tive de trabalhar para outras pessoas e às vezes tinha de escolher, ou pagava o aluguel ou comia, e foram dias bem difíceis no princípio”, comenta Evelyn.

Escolhida pelo presidente do Napoli FC, Bruno Arlen, 28, para representar a equipe da Cidade Nova II no concurso de rainhas do Peladão, a venezuelana já foi coroada várias vezes em sua terra natal.

“Participei de muitos concursos e ganhei quase todos. O único que não ganhei foi o da minha cidade, que todos os anos escolhe uma rainha, como aqui, para a disputa do Miss Venezuela”, enfatizou Evelyn, que nasceu em Cumaná, no estado do Sucre, cidade turística da Venezuela que era chamada de “Atenas venezuelana”.

Há cinco  meses em Manaus, Evelyn, que  mora no  Manoa, na Zona Norte, conta que as coisas ainda não estão bem, mas ela não perde as esperanças.

“O momento atual não é dos melhores. Aluguei um ponto em sociedade com uma amiga e montamos um salão. Também aluguei outro ponto pra montar uma barraca de frutas, mas não foi pra frente  e  tive de entregar o ponto porque não pude pagar o aluguel”, lamenta a refugiada.

O sonho de Evelyn

Mesmo após passar tantos sufocos até chegar em Manaus, Evelyn se segura em sua fé para manter a esperança em um futuro melhor.

“Nunca senti desespero, sempre senti dentro de mim uma fé de que tudo sairia bem e essa mesma fé que tenho agora é que me deixa bem. Apesar de todas as dificuldades, não tenho de chorar porque chorar não vai solucionar nada. Tenho de seguir em frente”, enfatizou a venezuelana revelando o seu maior sonho.

“Quando fui para o garimpo, meu pai me emprestou um caminhão e eu dirigia esse caminhão, mas ele  quebrou, fundiu o motor. Então, meu objetivo maior é tentar consertar esse caminhão e devolvê-lo ao meu pai um dia”, disse Evelyn emocionada confessando que seus  pais estão doentes na Venezuela.

“Tive notícias de que ele ficou doente, um problema na cabeça e sempre pergunta por mim e pelo caminhão. Isso me deixou bastante triste e tenho essa meta de poder retornar para Venezuela e devolver o caminhão como novo. Minha mãe também adoeceu, mas nem sei ao certo o que ela tem. As únicas notícias que tenho de lá são através das conversas pelo Facebook” revelou.

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