Quinta-feira, 17 de Outubro de 2019
PELADÃO

Ícone do Peladão, 'Picolezeiro dos Boleiros' superou o vício para empreender

'Marquinho', como é conhecido pelo público do maior campeonato de peladas da região Norte, carrega uma história de superação, além de ser presença marcada nos jogos



marco_ant_nio_CDD2823D-63D9-484E-B184-83C06E0B86E7.JPG Foto: Márcio Silva
13/09/2019 às 15:58

Beirando meio século de existência, o Peladão promove sua 47ª edição sendo, mais uma vez, um mar de histórias emocionantes. Em quatro categorias - Principal, Máster, Feminino e Peladinho -, aproximadamente 700 times movimentam campos e torcidas pela cidade de Manaus. E não pense que a atenção fica voltada somente às quatro linhas. Fora de jogo, na galera, tem gente que trata o Peladão como trabalho.

Marco Antônio da Silva, o ‘Picolezeiro dos Boleiros’, vive das vendas do tradicional picolé da massa nos campeonatos de futebol da cidade. Seja no Peladão ou em torneios de futsal, Marquinho - como é chamado pelos amigos e clientes - é quem ajuda na luta contra o conhecido calor manauara. No caso do vendedor, o trecho da música Zóio de Lula, da banda Charlie Brown, é um pouco diferente: “Meu escritório é no Peladão, estou sempre na área”.



Mudança de vida

Se hoje as vendas são motivo de sorriso, essa nem sempre foi a realidade do vendedor ambulante. O vício já foi um adversário pior do que os dias de chuva atualmente. “Há seis anos passei por uma dificuldade na minha vida devido a minha primeira separação. Precisei sair de casa e virei morador de rua mesmo. Virei viciado e no começo vendia picolé para sustentar meu consumo de drogas”, contou Marco, que ainda criança veio de Fortaleza para Manaus.

O ‘gol da virada’ veio numa tarde de Peladão. “Certo dia li o Manaus Hoje e soube que ia ter um esquenta do Peladão, no CSU do Parque 10. Bati lá com meus picolés, mas choveu muito e não vendi nada. Aí os meninos do time viram que eu estava triste e o Seu Doni, presidente do Obidense (time que disputou o Peladão na época), comprou todos os picolés”, comentou Marco que, naquela tarde, sentiu que a sorte havia mudado o rumo da sua vida. 

Para Marquinho, o sucesso no Peladão veio fora de campo. “O futebol me mudou. Naquele dia eu peguei o dinheiro e disse a mim mesmo que não ia usar droga. No outro dia amanheci bem e saí para trabalhar em outro campo. E de novo encontrei a galera que tinha tomado meus picolés no dia anterior. Ali foi o começo de tudo”, afirmou ‘O Picolezeiro dos Boleiros’, que viu a fama que o acompanha até hoje surgir um dia após a vida lhe dar uma nova chance.


Ao lado de fora das quatro linhas, Marquinho faz sucesso. Foto: Márcio Silva

Vendas em alta

Vivendo uma realidade diferente, o número de Marco já está em quase todas as listas de contato dos boleiros de Manaus. Pintou jogo, tem aquela mensagem para que o vendedor esteja do lado de fora do campo. Sucesso que o ajudou a conquistar uma nova família e viver diferente de anos atrás. “Hoje tenho uma nova casa e nova família. Procurei o lado bom do futebol, que fez eu me afastar do que eu fazia de ruim. Colhi muitas amizades”, ressaltou Marco Antônio.

Com tantas vendas, o ‘Picolezeiro dos Boleiros’ precisou inovar nas cobranças aos devedores. “Antes alguns pegavam e esqueciam de pagar. Daí comecei a pegar a foto deles e publicar no Facebook. Hoje eles já brincam dizendo que não pode ficar devendo, caso contrário, sai no ‘Face’”, brincou Marquinho, que aproveita o andamento do jogo para trabalhar e ficar na ‘resenha’ com clientes.

News l sena 96e12a4d eefe 4479 8d6c 0e0207048ea6
Repórter do Craque
Jornalista em formação na Universidade Federal do Amazonas (Ufam) e repórter do caderno de esportes Craque, de A Crítica. Manauara fã da informação e que procura aproximar o leitor de histórias – do futebol ao badminton.

Mais de Acritica.com

Sobre Portal A Crítica

No Portal A Crítica, você encontra as últimas notícias do Amazonas, colunistas exclusivos, esportes, entretenimento, interior, economia, política, cultura e mais.