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Esportes
PESO MOSCA

Lutadora amazonense que pesava 102kg emagrece com o MMA e sonha com UFC

Há alguns anos, Estefani Almeida, 29, sofreu com a obesidade, mas conseguiu mudar de vida com o esporte. Agora, ela detém o cinturão do Mr. Cage 28/01/2018 às 07:05 - Atualizado em 28/01/2018 às 10:18
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Estefani vem evoluindo a cada luta e agora vai buscar novos ares para alcançar seus objetivos (Fotos: Evandro Seixas)
Jéssica Santos Manaus (AM)

Do peso-pesado ao peso mosca, a história da lutadora de MMA amazonense, Estefani Almeida, 29, impressiona. Ela chegou a pesar 102 kg, na gravidez do seu filho, depois começou a lutar MMA para conseguir emagrecer e, hoje, é uma das lutadoras de maior destaque da sua categoria no Brasil, tanto que está prestes a buscar novos ares, pois almeja chegar – em breve – ao principal campeonato de MMA do mundo, o UFC.

Estefani, que detém o cinturão do Mr. Cage há mais de um ano, está construindo uma história de sucesso na categoria peso mosca (até 53 kg) do MMA, mas, até algum tempo atrás, ninguém poderia imaginá-la lutando artes marciais mistas e, ainda por cima, nessa categoria. Estefani conta que pratica jiu-jítsu desde o início da adolescência, e que depois da gravidez do seu filho mais novo, Davi, de quatro anos, engordou muito e, por isso, decidiu iniciar no MMA.

“Sempre pesei uma média de 70 kg, mas engordei demais na gravidez do meu filho, pois sofri com ansiedade”, disse ela, que mesmo tempos após o parto, não baixava de peso. “Fiquei com 96 kg, não baixou mais, e eu fiquei desesperada porque eu estava muito fora do meu peso. Comecei a sentir vários problemas, então decidir treinar bastante pra perder peso. Fui pra academia de judô, treinei, perdi dez quilos, mas também chegou um momento em que estagnou, então comecei a fazer dieta, e, nessa mesma época, uma amiga me chamou para fazer MMA Fit, mas não era brincadeira não, era porrada mesmo (risos)”, relembra.

A lutadora conta que desde que começou a se dedicar realmente ao MMA, conseguiu enxugar bastante o seu peso. “Fiz uma luta em que bati 53 kg e 600 gramas. Mas ser lutador sem patrocínio é difícil porque precisamos manter uma dieta apropriada, coisa que não é barato fazer. Manter os treinos é ‘de boa’, mas essa parte da alimentação sempre foi difícil”, destaca.

O céu é o limite

Hoje, com um cartel de sete vitórias e somente uma derrota (para Ketlen Vieira, lutadora do UFC), Estefani almeja chegar a grandes eventos, como o UFC. “Eu treinava em Boa Vista, mas retornei a Manaus recentemente buscando evoluir. Acho que se a gente faz um trabalho certinho, sem falhas, dá certo. Dizem que eu tenho potencial de estar em eventos internacionais, e isso vai enchendo meu ego (risos). Então, agora vou para o Rio de janeiro buscar oportunidades”, conta Estefani.

 É que a lutadora amazonense foi convidada a lutar no respeitado evento WOCS, no dia 4 de março, na cidade maravilhosa, com a promessa de que, se ganhar, terá oportunidade no UFC.

“Posso conseguir até antes disso porque o Dana White estará no Rio para fazer uma seletiva nessa época também. A sede do UFC no Brasil é no Rio, traz mais visibilidade pra gente e tem eventos muito bons”, conta. Por causa disso, Estefani pretende passar um tempo no Rio treinando, e vai levar a família junto. “Estou até fazendo arrecadação de dinheiro com patrocinadores e amigos pra poder me manter lá”, explicou.

Trajetória

Estefani tem uma história de confrontos fortes no MMA. Ela lembra que treinou a nova modalidade durante um ano, e a amiga que a convidou a iniciar no esporte, Mayana Kellem, estreou nas lutas. “Pensei: - se a gente treina juntas, e eu vou parelho com ela, então, dá para eu também estrear nesse negócio”, disse a lutadora, que está completando dois anos de MMA profissional.

Estefani venceu suas primeiras duas lutas, e a terceira foi contra a reconhecida atleta do Amazonas, Ketlen Vieira, que hoje vem crescendo no UFC. Foi a única derrota de Estefani até hoje.

“Ela é mais alta, maior do que eu, e sabia que ela ia me dar trabalho, mas pensei, ela é grande, mas não é duas. Então fiz um treinamento específico pra lutar com ela, e foi uma luta muito boa. Depois da luta, nos falamos normalmente, ela me dá dicas”, revela.

Estefani se orgulha de todas as lutas que fez até aqui. “Até hoje não lutei com nenhuma galinha morta, como dizem. Já lutei com campeã mundial de jiu-jítsu, duas vezes, lutei com a Ketlen, lutei no fim do ano com a Deize Gorila, lutei com duas baianas também, muito duras, mas as venci por nocaute (risos)”.

Para conquistar tantas vitórias, Estefani se dedica integralmente ao MMA, e a rotina não é pra qualquer um. “Nossa vida não é fácil. Quando temos luta marcada, treinamos quatro vezes por dia, boxe, jiu-jítsu e artes mistas, alguns mais intensos e outros moderados. Difícil fazer outra coisa, até já tentei trabalhar, mas não consegui conciliar. Não dá pra fazer os dois, como atleta não ganho muito, mas tenho um marido que segura a bronca porque acredita no meu potencial”, explica.

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