Segunda-feira, 11 de Novembro de 2019
SONHO OLÍMPICO

karateca amazonense enfrenta batalhas dentro e fora do tatame no México

Whitney Paloma está morando há três meses na cidade de Puebla de Zaragosa (MEX), junto com o marido Dagoberto Costa e a filha mais nova Ashley



WhatsApp_Image_2019-10-04_at_18.32.45_AFD9163F-710C-4440-B788-20D8328EE99C.jpeg Foto: Divulgação
13/10/2019 às 08:00

A karateca amazonense, Whitney Paloma, 23, tem um objetivo claro: retornar à seleção de caratê após quatro anos e, assim, chegar às Olimpíadas de Tóquio, no ano que vem. Para alcançar as metas que se propôs a cumprir, ela precisa disputar competições de nível internacional para somar pontos no ranking e foi pensando nisso que ela se mudou há três meses para a cidade de Puebla de Zaragoza (local a 129km da capital mexicana, Cidade do México), juntamente com o marido, Dagoberto, e a filha mais nova, Ashley .

O primeiro triunfo da karateca em solo mexicano aconteceu no dia 1° de outubro quando conquistou o ouro no Aberto Internacional de Karatê, na cidade de Monterrey. Na competição, ela venceu três atletas mexicanas para subir ao lugar mais alto do pódio na categoria sênior, até 50kg. Apesar da vitória, Whitney tem outro adversário diário: a falta de recursos. Mesmo com dificuldades para se manter tão longe de casa, ela não desanima.



 “A maior dificuldade é me manter como, a alimentação saudável, musculação e treinamento. Custo é bem alto aqui e vou dando meu jeito de treinar sozinha na academia em que meu marido dá aula. Pois somos de modalidades diferentes. E o sonho olímpico, eu sei que minha hora vai chegar. Se não for em 2020, será em 2024”, explicou a atleta amazonense.
Para se manter em alto nível, além do apoio do marido como sparring, ela conta que improvisa em casa mesmo já que não tem como treinar nas academias mexicanas.

“Meus treinamentos como a parte física é com o Márcio Soares que é preparador físico do lutador de MMA, Ronaldo Jacaré, e me deu total apoio, onde fizemos todo o trabalho por aqui  durante dois meses e antes do Aberto. Então a partir daí meu condicionamento físico melhorou bastante. Já o treino das técnicas de karatê, treino sozinha em casa nos sacos, ou eu pego meu marido de cobaia. As academias aqui estão bem caras, então eu uso o que tenho”, contou Whitney.

Arrecadação

Antes da viagem, Whitney tentou arrecadar fundos através de uma ‘vaquinha’ na interne. A meta era conseguir R$1,2 mil para ajudas nas despesas de locomoção, equipamentos e alimentação, porém, ela atingiu apenas R$500, ou seja, 41% do valor estipulado. O choque de realidade foi substituído pela alegria da repercussão do feito, um misto de sentimentos positivos e negativos da atleta.

Com uma mistura de tristeza por ter recebido pouca ajuda, e alegria pelos vários compartilhamentos nas redes sociais do seu primeiro ouro no México, a faixa preta de caratê comentou a respeito desse misto de sentimentos.

“A repercussão foi positiva e agradeço quem ajudou dessa forma, compartilhando, mas na realidade fiquei bem triste por achar que tinha muitos amigos e perceber que no final eu só conhecia muita gente. Nos endividamos muito para eu cumprir minha palavra de que iria para esse evento e , que no final, acabou dando certo”, ressaltou.

Sem pensar em desistir, Whitney ainda acredita na generosidade das pessoas, e vê com bons olhos a possibilidade de realizar uma nova vaquinha virtual para custear o próximo desafio na North America de Karatê, no dia 4 de dezembro, também em terras mexicanas.

“Sim, pretendo fazer outra arrecadação para o evento de dezembro. Tendo em vista que nessa tentei patrocínio em várias empresas e não consegui nada. Acredito que situações como essa causaram desinteresse pelo esporte em muitas pessoas. Talento a gente tem, mas a falta de um patrocinador que acredite em nós para levar isso adiante que é o ruim. Eu não tenho material e essa viagem saiu bem cara pra gente”, desabafou a karateca.  Enquanto o patrocínio não vem, a ajuda da família tem sido essencial para se manter no México em busca do sonho de voltar à seleção. 
“Em relação à minha família, e sim, eles dão total apoio e acreditam que a minha hora vai chegar. Vamos continuar trabalhando e orando a Deus para que as coisas dêem certo”,  completou.

Ela não para

Além de se dedicar aos treinos e à família, Whitney usa toda a disciplina das artes marciais para focar na realização de outro sonho: o de passar na prova da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB). Formada como Bacharel em Direito desde janeiro deste ano, ela não passou no exame da ordem na primeira tentativa. Focando na próxima oportunidade, ela não largou os estudos e segue se preparando, conciliando com a rotina no México.

“Em relação ao exame da Ordem, eu estudo aqui. Tenho meu cronograma de estudos e meu horário apenas para isso, afinal não estudo só para o exame da Ordem”, explicou.
 

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Repórter do Craque
Jornalista formado na Ufam, campus de Parintins. Estudante de pós-graduação em jornalismo esportivo na Universidade Estácio de Sá. Repórter do Caderno de Esporte ‘Craque’ de A Crítica desde novembro de 2018.

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