Terça-feira, 21 de Maio de 2019
TAL MÃE TAL FILHO

Filho segue os passos da mãe ex-jogadora do Rio Negro em busca de sonho

Vice-campeã brasileira pelo time feminino sub-17 do Rio Negro em 1997, a ex-atacante Jeane Oliveira é a principal incentivadora do filho Richard Oliveira



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Foto: Márcio Silva
12/05/2019 às 15:33

Para o jogador amador Richard Oliveira, 19, inspirações não faltam no mundo do futebol. Porém o maior exemplo para ele é a ex-jogadora Jeane Oliveira, 38, que atuou no time sub-17 feminino do Rio Negro, vice campeão da Taça Brasil em 1997. Nada menos que mãe do jovem que atua em campeonatos de bairro pela cidade de Manaus, ela é a inspiração para Batata (como ele é chamado nos campos) seguir os mesmos passos e continuar sonhando em tornar-se um jogador de futebol profissional.

“Eu a vejo como um espelho para mim. Nem passava pela minha cabeça jogar futebol, aí eu olhava meu tio jogar profissionalmente e ouvia as histórias de quando minha mãe jogou. Até mesmo ela me contou a sua experiência como jogadora. E venho batalhando bastante pra chegar aonde ela chegou, ainda mais naquela época que era tudo difícil.”, relatou Richard Oliveira. 

Fonte de inspiração para o filho, a ex-atacante do Rio Negro, apesar de morar em Manacapuru (distante a 89 km de Manaus) desde 2014 por motivos de trabalho, não deixa de apoiar o sonho de seu primogênito. “Eu espero que ele realize o sonho dele. E eu falo pra ele como é que é, o que ele tem que seguir, porque eu deixei por interesse meu de não querer. Ele ainda é novo e pode ter muitas oportunidades”, declarou Jeane.

Na busca pela realização do sonho, Batata começou aos oito anos como goleiro de futsal na escola municipal São Sebastião I, situada no Puraquequara, Zona Leste da capital, mas logo aos 15 anos trocou as quadras pelos gramados e almeja, agora, estrear como profissional na série B do Barezão deste ano.

“Eu comecei a jogar na escola, eu era goleiro de futsal, aí quase fui pra Itália, tinha oito anos e ia jogar no Torino, mas a mamãe não deixou. E fiquei treinando e acabou que eu vim jogar no campo, devido a altura não me deixar mais ficar no gol. Vim para a linha jogar na lateral direita e até hoje estou na luta. Já joguei na base do São Raimundo e quando foi pra assinar o contrato profissional com eles pra jogar a série B do Amazonense aconteceu de eles não jogarem mais e ainda não pude realizar esse sonho de jogar o profissional. Mas esse ano eu tenho umas propostas boas para, se Deus quiser, jogar o Barezão da série B. Ou pelo Amazonas, que tá começando esse ano, ou pelo Pará Amazonas, que é um clube que vai começar agora também e tem um bom projeto”, explicou o jogador Batata.

Lembranças

Enquanto Richard Oliveira ainda inicia a caminhada no futebol, Jeane recorda o começo da sua jornada no esporte, até os grandes feitos vestindo a camisa do Rio Negro.

“Eu jogava pelo Corinthians daqui do Puraquequara, aí teve um torneio que selecionou duas pessoas do nosso time, e eu fui uma das escolhidas pra ir pra Seleção do Amazonas e aí fiquei treinando, e daí teve outra peneira para escolher as jogadoras que iam participar da Taça Brasil sub-17 pelo Rio Negro na cidade de Cabo Frio (Rio de Janeiro)”, relatou a ex-atacante do ‘Barriga Preta’ onde começou a jogar aos 16 anos em 1997 e largou o mundo da bola em 1999.

Entregue às melhores lembranças, Jeane Oliveira revelou momentos inesquecíveis ao lado de suas companheiras de time em confrontos épicos e até mesmo a derrota na final para o poderoso Radar Esporte Clube, do Rio de Janeiro. 

“Eu lembro que nós enfrentamos a Formiga, a Milene Domingues e nós ganhamos do Corinthians. Só perdemos na final mesmo. Quando eu fui daqui eu não era titular, aí nos treinos lá e eu fiquei só um jogo sem jogar. Fiz só um gol lá, que foi contra o Corinthians na terceira fase da competição, e a gente ganhou de 3 a 2. E a partida mais emocionante que nós jogamos foi a final contra o Radar Esporte Clube, lembro que o coronel Ilmar, que era nosso técnico, conseguiu o campo pra gente treinar lá, e aí lembro bem no dia da final que elas chegaram num ônibus bem bonitão, e nós fomos num ônibus da polícia. E no jogo, se eu não engano, foi 7 a 1 pra elas”, recordou a ex-jogadora.

Mudança de Planos

E nessa relação familiar futebolística, a grande curiosidade é que a ex-atacante do Galo teve de pendurar as chuteiras no ano de 1999, devido à gravidez de Richard. E num tom bem humorado ‘Batata’ promete seguir o mesmo caminho da mãe no futebol, só que dessa vez no profissional. “É verdade ela parou de jogar por causa de mim, mas eu vim aí pra abençoar a vida dela, já pensei que ela poderia ter continuado, mas ela não tinha mais condições. Ela estava em um momento muito bom da carreira dela, mas eu vou dar continuidade nesse legado que ela deixou no futebol”, finalizou o jogador Richard Oliveira .

Repórter de A Crítica

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