Domingo, 15 de Dezembro de 2019
Entrevista Ping Pong

Ex-Flamengo, Junior Baiano fala sobre o atual momento do rubro-negro carioca

Jogador da chamada ‘geração raiz’ e colecionador de títulos, Junior Baiano também conversou com A Crítica sobre a Arena da Amazônia



junior_0925C1E5-22E0-4537-A629-A2687435A722.JPG Foto: Márcio Silva
21/04/2019 às 08:37

Revelado nas categorias de base do Clube de Regatas do Flamengo, no início da década 1990, Raimundo Ferreira Ramos Junior, o Junior Baiano, ultrapassou literalmente todos os tipos de barreiras no futebol. Seja na conquista de títulos, ou até mesmo nas atuações “emblemáticas” nos jogos disputados vestindo a camisa rubro-negra,  o jogador se destacou como um dos ídolos na história do clube carioca, principalmente pelas ‘faltas carinhosas’ contra os adversários que enfrentou, tornando-se marca registrada de sua carreira como profissional.

Junior Baiano não fez história apenas no Flamengo. Com passagens por grandes clubes como Vasco, São Paulo, Palmeiras e Internacional, o ex-jogador também conseguiu conquistar títulos importantes como Copa Libertadores da América (99), e a extinta Copa Mercosul (98) defendendo o Palmeiras; a Recopa Sul Americana (94) pelo São Paulo e Campeonato Brasileiro pelo Vasco no anos 2000. 



O ‘Rei da Categoria’ também defendeu as cores da seleção brasileira participando do título da Copa das Confederações em 1997, e no ano seguinte foi vice-campeão mundial.  Com 49 anos de idade, o ex-zagueiro e ídolo da massa rubro-negra dessa vez encara novos desafios na carreira: o de técnico. Junior esteve em Manaus no último dia 12 para o lançamento do projeto ‘Duelos na Arena’. Em solo baré, o ex-jogador bateu um papo exclusivo com o CRAQUE e compartilhou pontos de vista sobre o seu clube do coração dentro e fora de campo.
 

Com relação à tragédia no Ninho do Urubu, qual seu posicionamento com a postura do clube no atendimento as famílias que perderam entes queridos? E que mensagem você pode deixar aos sobreviventes?

Minha opinião sobre o clube é difícil de falar até porque cada um nesse momento tem o seu lado, pois nós perdemos crianças, adolescentes com sonhos, muitos já encaminhados, e outros tentando se firmar. Fiquei triste porque morei na concentração também por muito tempo e quando aconteceu eu só pensei no meu filho (Patrick de Oliveira) que jogou na base do Flamengo, e em relação às famílias e aos sobreviventes, a única coisa que eu posso falar é que é difícil, mas a vida segue, e a gente só tem que orar pra que essas crianças estejam num bom lugar e que a vida não para.

Você poderia fazer um comparativo histórico com relação à época que você foi jogador para o atual momento financeiro do clube?

Na minha época a gente recebia salário atrasado, mas o estádio era lotado nos jogos, iam muito mais pessoas no estádio do que hoje. A estrutura nossa não era tão boa como é hoje, e os salários nem se fala, mas a vida é assim, é a evolução, e não é só no futebol assim como em outras áreas também. E no futebol hoje eu fico feliz que esteja nessa crescente dando mais valor aos atletas.

Na sua época no Flamengo você conquistou títulos muito importantes como Campeonato Brasileiro, Copa do Brasil e Campeonato Carioca. Mas desde 2013 o Flamengo não ganha um título de expressão e pelo fato de chegar em finais e bater na trave, criou-se a moda do ‘cheirinho’ devido os últimos vice-campeonatos. Qual sua opinião a respeito disso?

Nós ganhamos vários títulos, vários anos, sem renovar contrato de ano em ano, e a gente não era tão valorizado como é hoje. E com relação ao cheirinho, como torcedor do Flamengo, eu vejo que as outras torcidas não tem tanta criatividade como a torcida do Flamengo tem, então eles aproveitam o momento ruim do time pra tirar onda, e isso que é o bom do futebol, a zoação das outras equipes, mas quando o Flamengo ganha também eles ficam um pouco tristes, e isso que é o maneiro do futebol. 

O Flamengo revelou grandes jogadores nas categorias de base, mas de forma precoce esses atletas têm seguido para a Europa com pouco tempo de passagem no time profissional. Você acredita que isso pode atrapalhar no desenvolvimento dos jogadores?

O Flamengo na verdade voltou a revelar grandes jogadores, pois ficou um tempo sem revelar. De uns três anos pra cá, o Flamengo vem revelando jogador que ainda consegue jogar no time profissional do Flamengo. Isso que é o mais importante, que esses atletas da base sabem o que é jogar no clube, porque já conhece a torcida, então quando você revela e os atletas jogam no profissional, eles jogam com mais que os que vêm de fora. E na verdade o sonho de qualquer jogador é jogar na Europa. Hoje tem essa facilidade de você sair mais cedo e os clubes de lá de fora com o dinheiro que tem, fica impossível de um clube grande aqui segurar um jogador como esse. Então isso é a evolução do futebol e isso não vai parar.
 

Nos últimos anos o Flamengo não conseguiu render o que esperava na Libertadores da América. Com o atual elenco milionário e com nomes de destaque do futebol brasileiro. Você já jogou a Libertadores e conhece as particularidades da competição. Sendo assim, como você vê a possibilidade de título do Flamengo na edição deste ano?

A Libertadores é complicada, e assim, eu penso que o time do Flamengo pra Libertadores ainda não é uma equipe bem preparada. Acho que o clube deveria contratar jogadores já acostumados com essa competição continental, e eu acho que do meio pra frente é uma grande equipe, e tem que se organizar. O Flamengo tem uma boa equipe pra disputar todas as competições, mas o jogo da Libertadores é bem diferente, é difícil e o Flamengo tem que se preparar pra isso.

Como jogador que atuava na defesa, por que você acha que a zaga do Flamengo tem sofrido gols na maioria dos jogos? O fator experiência na jovem dupla do time pode pesar nesse quesito? O que você pensa sobre essa questão?

Eu acho que é pela maneira que o Flamengo joga, o Flamengo é um time que joga pra frente, é um time que sempre procura o gol e um time que ataca muito deixa espaço atrás. Isso é uma coisa normal. Os gols eles vão tomar, mas tem que melhorar o setor de marcação, porque quando o time toma gol sempre a culpa é dos dois zagueiros e nunca do lateral, do goleiro, do meio campo. Mas o Flamengo é um time que joga pra frente e isso vai acontecer. Vai tomar gols e isso é uma coisa normal pelo estilo de jogo do time do Flamengo.

Qual sua opinião sobre a possibilidade do Flamengo trazer jogos do Brasileirão desse ano para Manaus?

Eu acho legal, porque uma arena como essa tem que ter grandes jogos, na verdade eu torço pra que aqui tenha uma equipe que participe na elite do campeonato brasileiro porque eu já vim jogar aqui e muitas vezes eu vi a paixão do torcedor daqui, e tendo uma equipe profissional na série A vão vir equipes de outros lugares, então eu torço pra uma equipe daqui, ou duas, ou mais possam entrar no cenário nacional do futebol.

Quais as suas expectativas com relação ao atual time Rubro Negro na temporada?

Campeão de tudo! Tô torcendo pra seja campeão de tudo, e a gente já vai começar a vencer pelo Carioca.

Como foi a sua experiência como treinador de futebol? Você deseja seguir com esse novo desafio na carreira no cenário futebolístico?

Fiz parte de dois times (Santa Helena e Itumbiara), e o futebol é algo engraçado, porque quando a gente começa a trabalhar, as pessoas falam uma coisa, mas quando a gente chega lá é totalmente diferente. Por exemplo, quando comandei o Itumbiara no campeonato goiano esse ano, você não pode disputar esse campeonato pagando um salário baixo pra um jogador. Mas independente disso eu vou continuar nessa nova fase como treinador (atualmente ele está sem time), e eu acho que é legal a maneira que eu trabalhei, até porque você tem que começar pelos pequenos e depois chegar num clube grande.

 

*Por Gabriel Ferreira, reporter do CRAQUE/Jornal A crítica

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