Segunda-feira, 09 de Dezembro de 2019
BASTIDORES

Heróis 'anônimos': conheça o staff que ajudou no acesso do Manaus à Série C

Do auxiliar de cozinha ao supervisor de futebol, o Manaus contou com uma equipe de verdadeiros ‘craques’ nos bastidores na temporada histórica do clube em 2019



manaus_fc_arte_A592C2C8-23A8-49F3-B06E-7F07E80740F5.jpg Foto: Helinaldo Lima
15/09/2019 às 13:32

O Manaus Futebol Clube  fez história na temporada 2019 quebrando tabus de 20 anos no futebol local. O primeiro passo conquistado foi o tricampeonato do Barezão (se juntando ao famoso São Raimundo de 1997/98/99), depois veio o acesso inédito ao Brasileirão da  Série C de 2020 que fez reacender a paixão do torcedor baré por uma equipe amazonense. 

Como um grande espetáculo, a final da Série D foi um show à parte, com direito a tudo o que o amante da bola gosta. No “teatro” a céu aberto da Arena da Amazônia, os espectadores eufóricos tiraram do peito um grito sufocado há duas décadas.  “Ih, pra Série C eu já subi. E ninguém vai me segurar! Da Amazônia para o Mundo, eu vim pra te apoiar!”. 



No entanto, por trás das cortinas desse espetáculo, inúmeros profissionais cuidaram para que  tudo desse certo. Cada um na sua função, sem aparecer para o público, no silêncio da “coxia”, essas pessoas foram de extrema importância na desenvoltura de todos os protagonistas de uma peça, que poderia ser chamada de “O voo mais alto do Gavião do Norte”.

Esse esquadrão, que não entrou em campo e nem  apareceu no pôster de tricampeão amazonense, ou no do acesso, tem nome e sobrenome. São pessoas que deram duro para que o sonho saísse do imaginário da torcida e virasse realidade dentro das quatro linhas.

De certo, eles também se sentiram aplaudidos pelos 44.121 espectadores na Arena naquele histórico 20 de julho, no jogo do acesso. Mas esse verdadeiro time por trás do acesso merece mais reconhecimento, então vamos aos nomes dos nossos “craques desconhecidos”: Jeane Arcos e Roberto Cobra - auxiliares de cozinha; Marlúcia Barbosa -  chefe de cozinha; Nestor Lima - motorista; Antonio Júnior e Sidiclei Rodrigues - roupeiros; Graciliano Vilaça - massagista;  Janaílton Falcão - fotógrafo; Felipe Antônio - designer; André Tobias - assessor de imprensa; Thiago Martins - social media; Luiz Júnior -  diretor de marketing; Andrey Gama - auxiliar de fisioterapia; Régia Oliveira - fisioterapeuta; Lucas Mitoso - médico; Ângelo Márcio - gerente de futebol, e Frank Bernardo -  supervisor de futebol do Gavião.   

Experiência inesquecível

A cozinheira esmeraldina Marlúcia Barbosa, de 49 anos, relatou o início do trabalho no clube, e com o passar dos meses não só conquistou o paladar de todos os batalhadores do Verdão da capital, mas arrebatou corações daqueles que passaram a lhe chamar de ‘Tia e Mãe’.

“Comecei o meu trabalho antes que contratassem a equipe dos jogadores. E conforme a chegada de todos, percebi que todos eram ótimos seres humanos, pois não faziam acepção de pessoas. Uns me chamavam de tia, outros mãe, me abraçavam, pediam abenção. No começo do trabalho foi um pouco indefinido, pois não sabia o que iria acontecer durante a temporada. Mas logo percebi que o trabalho de toda a equipe estava dando resultado positivo”, declarou a cozinheira do Manaus, que como torcedora na arquibancada da Arena, presenciou algo mágico no dia 20 de julho.

“O momento mais especial foi presenciar a equipe do Manaus entrando para Série C, pois em cada jogo eu estava presente, torcendo pelo grupo do Manaus FC”, expressou a ‘Tia Marlúcia’, que revelou um desejo. “Espero estar novamente nessa equipe em 2020 rumo a série B”.  
Pulando da cozinha para o banco de reserva do Gavião encontramos Graciliano Vilaça, 51, que é massagista da equipe desde a estreia do Esmeraldino no futebol profissional, na Série B do Amazonense em 2013. 

Vilaça definiu o caminho de sucesso do Manaus neste ano com uma frase: “Entendemos que cada um de nós tinha que fazer o nosso melhor, respeitando a função do nosso colega e trabalhando sempre com alegria”, disse o massagista, o qual revelou momentos tensos na concentração da partida de ida válida pelo acesso, em Caxias do Sul (RS).

“Foram dois momentos: Primeiro a noite em que passamos acordados em Caxias do Sul com os foguetórios. Segundo, nesse mesmo dia quando fomos cercados por torcedores do clube adversário, ao chegar no estádio Centenário de Caxias do Sul. Foram minutos  de muita angústia  até entrarmos no nosso vestiário. Pois éramos somente três: Vilaça (massagista) , Júnior (Roupeiro)  e o motorista”, recordou. 

Há quatro temporadas como roupeiro do Gavião, Antônio Junior, 31, só quer relembrar dos momentos mágicos trabalhando no clube como o jogo do acesso, que o roupeiro afirmou ter “Passado um filme na mente, por tudo que tinha passado na temporada”, disse o “mordomo”.

Como supervisor de futebol do Manaus,  Frank Bernardo, que está presente no clube  desde a fundação, em 2013, a sensação é de dever cumprido, após batalhas difíceis para manter o Gavião Real batendo asas.

“Nossa temporada foi algo muito especial até pelo resultado final. Não foi uma temporada fácil. Tivemos algumas dificuldades, mas felizmente conseguimos realizar uma grande temporada. Nossa diretoria nos deu o respaldo necessário e conseguimos realizar uma grande trabalho”, pontuou o dirigente, que fez agradecimento especial à torcida amazonense que apoiou o Manaus nas batalhas dentro e fora de campo. 

“O trabalho foi realizado com muito sucesso, se tiver que dar um troféu seria pra o torcedor amazonense que fez o espetáculo ficar mais bonito”, destacou.

Santo ‘DM’!

Nos momentos mais decisivos da jornada histórica do clube esmeraldino, apesar de não aparecer tanto, o departamento médico chefiado por Lucas Mitoso, 27, estava atento para correr contra o tempo e recuperar atletas lesionados para as batalhas ao longo da temporada. E à frente desse trabalho duro, o médico do Verdão da Capital revelou as situações mais adversas no clube.

“Os momentos mais delicados foi quando perdemos alguns jogadores por conta de lesões, como caso do Patrick (zagueiro) que lesionou e passou jogos fora. Teve o Hamilton (meia-atacante) que lesionou o joelho e o Igor (lateral-direito) que teve uma lesão no ombro e teve de ficar de fora do jogo de ida em Caxias-RS (fase do acesso)”, explicou Lucas, que sentiu ter todo trabalho reconhecido do grupo, depois do apito final da Série D.

 “O momento mais especial foi ver a torcida nos apoiando e aplaudindo após a decisão com o Brusque na final da Série D. Isso torna maior ainda a vontade de retribuir da melhor forma ano que vem”, ressaltou o médico.

‘Será por ti Manaus’

Arena da Amazônia, um estádio que recebeu jogos da Copa do Mundo de 2014. Chamada por muitos de elefante branco, mas que passou a ter a cor verde esmeralda depois da campanha ‘Será Por ti Manaus’, comandada pelo Diretor de Marketing do clube, Luiz Junior.

“Foi um trabalho desafiador levar o torcedor ao estádio, porque o Manaus é um clube muito novo. Então o trabalho foi gerar a imagem de um time carismático e mais próximo do povo amazonense”, relatou o diretor, que admitiu surpresa ter lotado o estádio na partida do acesso, com 44.121 presentes.

“Foi surpreendente pra mim, por conta do recorde de público do futebol amazonense. Mas foi um trabalho de canalizar tudo o que aconteceu lá em Caxias-RS, e acho que isso levantou muito o espírito do povo”, concluiu.
 

News 48367672 1136721996505445 2342939255929569280 n 2dad860c 0057 4e2e b7f5 f53181960f2f
Repórter do Craque
Jornalista formado na Ufam, campus de Parintins. Estudante de pós-graduação em jornalismo esportivo na Universidade Estácio de Sá. Repórter do Caderno de Esporte ‘Craque’ de A Crítica desde novembro de 2018.

Mais de Acritica.com

Sobre Portal A Crítica

No Portal A Crítica, você encontra as últimas notícias do Amazonas, colunistas exclusivos, esportes, entretenimento, interior, economia, política, cultura e mais.