Sábado, 20 de Abril de 2019
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CONSCIENTIZAÇÃO DO AUTISMO

Mestre de Taekwondo realiza trabalho com crianças autistas em escola de Manaus

Raí Farias, 24, ensina a arte marcial coreana para 25 alunos autistas do Centro de Educação Especial Maria das Graças


08/04/2019 às 15:10

O marasmo da impaciência e falta de cuidado ainda é latente na vida de crianças autistas nos dias de hoje. E citando Santo Agostinho: “Enquanto houver vontade de lutar, haverá esperança de vencer”. No entorno desta batalha existem pessoas e iniciativas a doar-se para pessoas com o transtorno, como é o caso do faixa preta de taekwondo Raí Farias, 24, mestre da arte marcial coreana, que desenvolve trabalho com crianças com autismo no Centro de Educação Especial Maria das Graças, situado na Av. Amsterdã, Planalto, Zona Centro-Oeste de Manaus.

Atleta desde os 10 anos de idade, Raí Farias trabalha há três anos na instituição privada, e atende seis crianças autistas na empolgada turma vespertina da escola, no espaço mediano com um tatame preto, e aparatos de treinamento de Taekwondo.

“Eu trabalho com eles da mesma forma que outra criança sem autismo. Porque tudo que outra criança faz, eles têm a mesma capacidade de fazer. E a maior dificuldade deles é a parte de coordenação, mas aos poucos a gente vai trabalhando pra eles aperfeiçoarem”, ressaltou o professor Raí.

O início desafiador para Raí Farias, como professor da arte marcial para crianças autistas, pôs a prova todo aprendizado de 14 anos do jovem, acerca da filosofia do esporte de “caminho dos pés e das mãos através da mente”.

“No início foi bem difícil, porque eu tive que aprender a lidar com eles, na forma de se expressar com eles pra começar os ensinamentos do taekwondo pra eles. E a partir daí fui sempre buscando fazer algo que chamasse atenção deles, porque eles muitas vezes acabam se distraindo”, explicou o professor Raí Farias.

Animação e vontade também não faltam para o menino autista, Eduardo Valério, 9, que define o taekwondo em uma frase: “Esse é o esporte mais prático, habilidoso e o mais legal do mundo”. Mesmo como uma frase feita, as sinceras palavras do popular “Dudu” refletem o trabalho realizado na instituição.

Iniciativa de três amigos

Idealizado em 2015 por três amigos pedagogos: Sara Brasileiro, Alana Brasileiro e Bruno Santos, o Centro de Educação Especial Maria das Graças atende 33 crianças de síndrome de down e autismo.  

“A gente começou a trabalhar com educação especial na faculdade, e quando nós saímos da faculdade, chegamos a trabalhar em instituições de educação especial como abrigos, nós fazíamos trabalhos sociais. E a principio o projeto era trabalhar com reforço escolar pra aplicar o que nós tínhamos aprendido na faculdade. A partir daí a demanda foi crescendo, e a gente foi ampliando e inserindo profissionais, conforme a gente via a necessidade da criança, e hoje nós estamos aqui”, disse a pedagoga, Sara Brasileiro. 

Com o objetivo de preparar crianças para o ensino regular, a instituição educacional realiza trabalhos terapêuticos e atividades para desenvolvimento intelectual. 

“Atualmente nossa escola atende mais na parte clínica, a gente tem toda uma equipe multidisciplinar. E nós trabalhamos toda a questão de adaptação, do processo de ensino e aprendizagem, do currículo da escola regular pra criança, acompanhar bem o ensino”, concluiu.

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