Sábado, 14 de Dezembro de 2019
ARTE MARCIAL

Projeto de taekwondo da Redenção lança rifas para 'golpear' falta de recursos

Criado há sete anos, o projeto de taekwondo da Associação Maquiné atende 70 alunos sem cobrar mensalidades



Projeto_de_Taekwondo_da_Reden__o_DCE633A8-2109-4463-8F2D-A0AE697350DB.jpg Foto: Winnetou Almeida
08/09/2019 às 20:34

Criado há sete anos, o projeto de taekwondo da Associação Maquiné, localizado no bairro da Rendenção, Zona Centro-Oeste de Manaus, atende 70 alunos a partir dos oitos anos de idade vindos de diversas localidades de Manaus. A iniciativa social é para estimular a prática de esportes, porém, enfrenta diariamente inúmeras barreiras por falta de apoio financeiro e estrutura física. 

Dentre as dificuldades enfrentadas pelo bombeiro civil e faixa preta de taekwondo, Alair Maquiné, a maioria delas está na manutenção da sede do projeto, que enfreta problemas como furtos de lâmpadas, banheiros danificados e falta de recursos para realizar os treinamentos.



“Nós temos dificuldades com materiais de treinamentos porque não recebemos apoio de ninguém. Precisamos do próprio uniforme para as crianças, que pra gente conseguir nós fazemos através de rifas. E conforme a gente vai fazendo a rifa a cada seis meses, os materiais vão ficando desgastados. E na estrutura a iluminação não é boa, até porque nós treinamos à noite, o teto é todo quebrado, e quando chove molha tudo aqui. Os banheiros também estão quebrados, nós não temos bebedouro. Não tem segurança o local, por isso que nós sempre colocamos e tiramos o tatame, e levamos pra minha casa. E tem o furto das lâmpadas, que trocamos praticamente todos os dias”, esclareceu o idealizador.

Sem cobrança de mensalidades dos alunos, Alair Maquiné não somente ensina aos pupilos a arte marcial, mas também o valor da ajuda ao próximo, com a doação de cestas básicas a famílias carentes, nas localidades do bairro da Redenção.

“Nosso trabalho aqui não tem nenhum custo. É totalmente grátis. O que eu peço pra eles, é um quilo de alimento não perecível por mês. Onde nós fazemos cestas básicas e doamos para familiares carentes. E lá na Igreja onde eu congrego, nós levamos pra lá pras pessoas que precisam. E isso é pra ensinar a eles a caridade, e não ensinar somente a arte marcial, mas mostrar pra eles como é bom ser bem educado, respeitadores, e tudo isso envolvendo a arte marcial”, ressaltou Maquiné, que iniciou o projeto em parceria com o cunhado pensando em movimentar a comunidade através do esporte.

“O projeto surgiu em uma parceria entre eu e o meu cunhado, Itamar Vieira. A gente decidiu fazer um projeto pra comunidade nessa área do Centro Desportivo Comunitário (CDC). Porque estava completamente abandonado o local e não tinha mais nenhum projeto, nada de esporte. E nós tentamos recuperar o máximo que deu pra iniciar o projeto. E nesse período de aulas que nós fomos conseguindo alunos, o meu cunhado teve que sair por causa da profissão dele, que ele é professor de educação física. E então eu dei continuidade nesse projeto”, disse.

Revelação do Projeto

Em meio ao descaso público e as batalhas para manutenção do projeto, um garoto de 15 anos mostrou-se promessa para o taekwondo amazonense. O faixa vermelha João Victor disputou pela primeira vez o Supercampeonato Brasileiro da modalidade no mês passado (agosto), no Rio de Janeiro, e conquistou a medalha de bronze. Considerado garoto prodígio, o lutador que iniciou no projeto da Redenção aos nove anos, revelou que viveu tudo pela primeira vez com a conquista e a viagem para fora do estado.

“Todo o dia aqui é uma luta, não foi só quando eu fui viajar. Então é acreditar e ter fé que tudo é possível. Então vou me dedicar todo dia pra conseguir bons resultados pra representar bem esse projeto.  Essa foi minha primeira competição nacional, inclusive, foi a primeira vez que eu viajei pra fora do estado”, concluiu João Victor.

Resposta da Semjel

De acordo com a assessoria da Secretaria Municipal de Juventude, Esporte e Lazer (Semjel), o espaço CDC da Redenção, está inserido no pacote de obras de espaços esportivos da Prefeitura de Manaus. Portanto ainda deverá ocorrer o processo de licitação, para assim ser solicitado o início das obras no local. Não foi apresentado um prazo sobre todas as fases para reforma do espaço, onde é realizado o projeto social Associação Maquiné de taekwondo.
 

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Repórter do Craque
Jornalista formado na Ufam, campus de Parintins. Estudante de pós-graduação em jornalismo esportivo na Universidade Estácio de Sá. Repórter do Caderno de Esporte ‘Craque’ de A Crítica desde novembro de 2018.

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