Sábado, 20 de Abril de 2019
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NOVO PRISMA

Remo amazonense se reinventa para sobreviver e se manter forte

Hoje, o principal investimento dos dirigentes é no remo como esporte que traz qualidade de vida e diversão, deixando a competitividade em segundo plano


03/02/2019 às 10:59

  “Tudo flui e nada permanece”. É o que diz a tese mais famosa do pensador antigo, Heráclito (535-475 a.C.). Para ele, o universo anda num eterno fluir e, por isso, “ninguém se banha no mesmo rio duas vezes”. Quando vamos mergulhar uma segunda vez, já não somos os mesmos e o rio também não é. Essa conhecida metáfora pode ser aplicada a história do remo amazonense, e não por causa do rio da frase, mas porque o remo do presente não é o mesmo do passado. Ele evoluiu para sobreviver.

Se antes o remo era voltado para revelar jovens talentos e levá-los a competir profissionalmente, hoje, ele vem sendo difundido como um esporte completo e divertido, que traz saúde, sendo uma excelente prática para qualquer pessoa.

Raphael Xavier, presidente da Federação Amazonense de Remo (FAR), explica como modificou a sua forma de trabalho. “Como não temos nenhum incentivo de nenhuma esfera, começamos a trabalhar de forma comercial para que a federação pudesse continuar existindo. Assim como os profissionais da natação, da corrida, do triathlon, que começaram a vender o produto deles, nós começamos a vender o nosso porque vimos que o remo é um esporte muito completo; já saíram várias pesquisas dizendo que o remo é o esporte que trabalha mais grupos musculares, então, apresentamos o esporte para o público”, explicou.

O presidente da Federação conta também que hoje as pessoas praticam remo visando a saúde e também competições, por que não? “Hoje temos competições Máster a nível nacional, divididas por diferentes faixas etárias, competições para equipes mistas também, e isso tem atraído as pessoas a virem treinar, a se apaixonar ainda mais pelo remo. Nosso lema aqui é que todos nós somos atletas”. 

Assim, os remadores da federação planejam ir “em peso” ao Brasileiro Máster, que será no Rio de Janeiro, no mês de julho. E, em Manaus, eles também já possuem calendário. Serão três etapas de regatas e três de remo indoor. “Estamos treinando para o Brasileiro, mas também teremos nossas regatas, nosso campeonato estadual, com nossa equipe, e também teremos um turma de crossfit participando, vão se filiar a nós, e fazer seu clube de regatas, então teremos dois clubes participando, e uma rivalidade a mais”, disse Raphael. 


Só falta a base  
Hoje, a Federação de Remo não conta com atletas de alto rendimento, mas o presidente da Federação afirma que pretende incentivar a base no futuro. 

“Nós já fomos a terceira potência nacional, mas hoje nós não temos mais atletas de base e de nível profissional. Este ano, buscamos iniciar um trabalho para fomentar mais essa parte da iniciação e desenvolvimento de atletas também, mas falta um planejamento porque as crianças precisam de alimentação e transporte”, disse ele.


 

Crossfit ajudou 
O remo também não é mais o mesmo porque hoje também oferece uma opção fora d’água para os amantes das academias. Raphael conta que aproveitou o sucesso do crossfit para promover o remo indoor. “Fomos às turmas de crossfit, que possuem uma máquina de remo, e fizemos oficinas para os alunos, que muitas vezes não sabiam utilizá-la. Vimos que remo e crossfit andam em paralelo, e deu certo”.


Raphael explica que o remo indoor, praticado nas academias e também na academia da sede da Federação, na praia da Ponta Negra, é importante, por possibilitar o treino em qualquer condição do tempo. “Quando o rio está mexido, marolado, nós fazemos a aula no remo indoor porque ele é um simulador completo, só não te dá o condicionamento de equilíbrio, mas dá a precisão da puxada”. No futuro, a ideia da federação é realizar workshops e mais aulas gratuitas sobre o uso da máquina de remo indoor.

Mulheres chegam com tudo

Quem se aproxima do Rio Negro logo cedo, na Ponta Negra, vê no horizonte os remadores desfrutando da esplendorosa natureza ao mesmo tempo em que trabalham o físico. Mas, hoje, esses remadores, são, na sua maioria, mulheres, e se engana quem pensa que o remo é um esporte muito difícil, que exige força demais, etc. As mulheres do remo amazonense são de todas as faixas etárias, dos 10 aos 70 e poucos anos, de vários níveis, iniciantes ou experientes, mas são todas dedicadas ao esporte e concordam que o remo trouxe muitos benefícios para suas vidas.   
Carmem Abreu praticava caminhadas, academia e chegou a tentar o treino funcional na praia, mas encontrou o esporte perfeito no remo. 

“Praticava outras esportes, mas o remo é o esporte ideal para mim, foi onde me encontrei. Além de trabalhar toda a minha musculatura, meu preparo físico e também meu equilíbrio, é um esporte prazeroso por estarmos sempre em contato com a natureza, com o nosso rio lindo, logo cedo, então é muito bom”, disse ela.

Quem também está praticando remo é Ada Herszon. Ela é alemã, mas vive há 50 anos em Manaus, foi atleta de tênis na juventude e, hoje, acabou descobrindo o esporte do filho, Daniel Herszon, que pratica a modalidade há muitos anos. 

“Estou iniciando o quarto mês no remo e estou me sentindo muito bem, é um esporte lindo, gosto muito e sempre admirei o esporte porque meu filho rema há mais de trinta anos, mas eu acompanhava de longe”, relembra Ada. Até que no ano passado, ela decidiu se unir ao grupo de remadores da Ponta Negra. “Tomei coragem, disse a mim mesma que nunca é tarde demais, e vim”, enfatiza. 

 Ada disse que o remo já está trazendo vários benefícios para sua vida, incluindo “mais agilidade e um prazer enorme de remar nesse nosso rio... É muito bom isso! E também estou tentando perder um pouco de peso (risos), e posso dizer que o remo é um esporte completo, mexe com as pernas, com os braços, com tudo, então estou muito satisfeita”, disse ela.


Segundo Raphael, 95% da turma que pratica remo hoje na academia de remo da Federação Amazonense são mulheres, em busca de saúde e lazer.
 

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