Quarta-feira, 17 de Julho de 2019
FENÔMENO

Campeão mundial de halterofilismo, paratleta amazonense de 17 anos mira nos Jogos 2024

Lucas Manoel venceu o Mundial no México em 2017, bateu o recorde brasileiro Júnior na semana passada e agora foca as Paralímpiadas 2024



Lucas_Manoel_Medalha_49504529-1399-4E60-9C4C-343682E518E5.jpg Fotos: Winnetou Almeida
29/12/2018 às 17:54

Quantos quilos um rapaz deve levantar para mostrar quão forte é? O paratleta amazonense Lucas Manoel, 17, é campeão mundial de halterofilismo, na categoria Júnior até 49 quilos, e não precisa provar nada a ninguém sobre sua força, pois já venceu desafios gigantes mesmo antes de nascer, mas vive para mostrar ao mundo o seu talento e amor pelo esporte.

Lucas possui deficiência na perna direita, adquirida devido a uma infecção no fêmur, ainda na barriga de sua mãe. “Eu tinha só sete meses, fizeram um parto de emergência, colocaram minha perna no soro, tentaram recuperá-la, mas disseram que eu precisaria de um milagre para sobreviver, e estou vivo (risos)”, conta ele, que não só está vivo, como firme e forte.

Sua mãe, Graciete dos Santos, conta que o esporte mudou a vida do seu filho, antes um menino triste. “Ele sempre foi uma criança ativa, mas tinha aquela tristeza interna, e depois que ele foi convidado pelo professor Getúlio Filho para conhecer a Vila Olímpica, aos 14 anos, acabou gostando de verdade do levantamento de peso, e o esporte levantou a autoestima dele, que agora é um menino sempre alegre e disciplinado, inclusive nos estudos”, destaca ela.

Grande trajetória

Logo no seu primeiro ano como atleta de halterofilismo, ele conquistou o 2º lugar na categoria Júnior do campeonato brasileiro; no ano seguinte, início de 2017, ele ficou também em 2º lugar nos Jogos Parapan-americanos, e conquistou, no mesmo ano, no México, seu título mais importante: campeão mundial Júnior, conseguindo levantar 100 kg. Em 2018, ele manteve o brilhantismo ao conquistar o vice-campeonato na categoria Júnior e a terceira colocação na categoria Adulto, no Regional das Américas, realizado em Bogotá, na Colômbia, levantando 112 quilos – recorde brasileiro Júnior. Lucas só perdeu para o atleta da casa, que levantou 113 kg, e agora o amazonense está determinado a superar essa marca. “Eu ia fechar com 115 ou 117 kg, só que eu queimei duas tentativas de 107 kg, e consegui levantar 112 kg na última chance, mas quero superar essa marca de 113 kg, que é o recorde das Américas, e manter o meu título mundial em 2019”, anuncia.

Ano que vem ele terá um calendário recheado com a Copa da Ásia, em Dubai, depois dois campeonatos regionais no Brasil, o Brasileiro, o campeonato mundial, no Cazaquistão – para o qual ele já está classificado – e ainda o Parapan-americano, no Peru. E, no ano seguinte, tem Paralímpiadas. “Mas só vou para os Jogos Paralímpicos se eu for o cara dos caras, e ainda está difícil, estou mais cotado para 2024”, ressalta.

Futuro brilhante pela frente

Atleta da Seleção brasileira, Lucas treina na Vila Olímpica com o professor Getúlio Filho, que o revelou e vê nele um atleta promissor. “Para nós, ele é um fenômeno porque deu resultados em pouco tempo de treino; já é campeão mundial, está muito bem, mas ele é preparado não para 2020, mas para Paris 2024, até porque tem 17 anos ainda. Então, ele vai passar por uma evolução natural, sem pressa, aproveitando o que ele tem de melhor”, explica seu técnico.

Apesar de possuir resultados fantásticos, Lucas não possui patrocínio. “É difícil o esporte ter incentivo, e o esporte paralímpico tem menos apoio ainda. Os empresários não apoiam, mas temos as passagens cedidas pela Sejel e, a partir do ano que vem, ele deve receber a Bolsa do Governo Federal, e vai poder se alimentar melhor. Para nossos atletas aqui, precisamos principalmente das passagens para as competições mesmo”, disse.

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