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Esportes
ENTREVISTA

'Eu sou a periferia chegando numa secretaria', diz novo titular da Sejel

Novo secretário da Sejel, Manoel Almeida, fala em soluções criativas para fortalecer o esporte no Amazonas e torná-lo rentável 29/04/2018 às 04:14
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Titular da Secretaria de Estado da Juventude, Esporte e Lazer, Manoel Almeida. Foto: Evandro Seixas
Camila Leonel Manaus (AM)

Jovem, engajado politicamente com movimentos estudantis e como ele mesmo se denomina alguém oriundo da periferia. Este é o perfil do novo titular da Secretaria de Estado da Juventude, Esporte e Lazer, Manoel Almeida. Nascido em Benjamin Constant e formado em teologia, filosofia e atualmente cursa Direito o fato de não ser do esporte não intimida o novo secretário que montou uma equipe com “preparo técnico em cada uma das áreas”.

O novo secretário assumiu a pasta há pouco tempo: no dia 6 de abril - apesar de estar na Sejel como secretário adjunto desde de fevereiro ainda na gestão de Janaína Chagas - e ele sabe que tempo pequeno é um dos riscos que sua gestão corre, já que 2018 é ano eleitoral, mas por isso, tenta compensar isso com trabalho.

Por todas as características que construíram o caminho para que chegasse à Sejel, Almeida acredita que essa é uma chance de executar as ideias que pensou desde o tempo que as ideias eram expressas em um cartaz e um pincel, como ele mesmo relembra. Os desafios, ele se diz ciente que são muitos que vão desde a infraestrutura até fortalecer o esporte de alto rendimento no Amazonas e foi sobre esses tópicos que o CRAQUE conversou com o Secretário.

Quais são as prioridades da Sejel neste momento?

Tudo é prioridade. A gente tem um governo muito curto, mas a gente elegeu algumas por segmento. Em juventude preciso reativar o Conselho Estadual de Juventude porque essa legislação prevê a criação de um Fundo Nacional, então eu preciso ter um Fundo Estadual e os municípios precisam organizar os Fundos Municipais porque para o orçamento do ano que vem o governo terá recurso para investimento em política pública de juventude. A prioridade de esporte é um calendário muito mais próximo com as federações. Existem muitos eventos privados que o estado tinha o costume de participar, mas precisamos trazer para o calendário oficial para isso eu preciso ter o diálogo da federação, ser parceiro dela e realizador. Quero entregar as obras de infraestrutura e isso é uma prioridade absoluta, mas ai demanda a lotação orçamentária. Eu não sou atleta de uma modalidade específica, mas eu sou gestor da política pública de juventude, esporte e lazer e a gente tá pensando em fortalecer cada uma das áreas. Acabei de conversar com Alfredinho (Alfredo Paes dos Santos, Secretário da Fazenda) sobre o ‘Eu quero a nota’. Quem é que não lembra a gente comprando, exigindo nota fiscal e lotado cinema estádio? Quero trazer esse sentimento de volta em relação ao futebol ver o nosso estádio lotado, torcendo pelo futebol amazonense. A gente tá muito motivado a dar condições para que o futebol do Amazonas volte a crescer. Vamos ter uma conversa com a própria Federação e discutir esse fortalecimento.

Como vai funcionar esse Fundo do Esporte?

Estamos pensando em que capitalizar o nosso fundo para que o esporte possa se financiar no estado, que eu tenha de onde tirar a passagem aérea do jovem que vai competir fora. Não adianta eu pegar e transformar a Sejel em uma grande agência de viagens. Essa não é a nossa função. Vamos continuar ajudando o atleta dentro dos padrões estabelecidos pela legislação que a Janaína fez: uma portaria que estabeleceu critérios para ser atendido e dependendo do lugar que será a competição isso tem um custo alto, então esse custo precisa sair de algum lugar e a gente precisa capitalizar o custo do esporte. A conversa já existe com a Sefaz e pretendo agir de modo criativo para que a gente possa ter uma forma de captação para que a gente seja auto sustentável com a certeza de que a gente tem o esporte resolvido pelo menos no custeio. No caso do futebol a gente tem uma portaria que cobra os valores de utilização de praças esportivas estabelecendo os valores e dentro desse roll tenho os eventos do próprio esporte, tem os jogos de times profissionais, a cobrança de quadro móvel e a gente tá pensando em como ter a isenção do quatro móvel para os jogos oficiais os times profissionais que vão jogar na Arena e praças esportivas. Tem um grupo de trabalho que está estudando o impacto econômico para gente a isenção. Hoje é uma grande reclamação dos clubes com a  gente e eu acho que eles estão no direito deles. A gente tem que investir para ajudar o futebol a se fortalecer, mas eu só posso fazer isso se tenho um estudo do impacto econômico disso e se tenho condições de pagar  sem a gente ficar dependendo de todo o recurso que temos.

Falando em Arena, quais os planos para que o estádio seja rentável?

A gente tem como missão fazer aquela Arena ser grande com vida ativa e que atraia a atenção das pessoas para dentro e que as pessoas tenham porquê pagar para estar lá dentro e a gente ta pensando num processo de visitação da Arena e nos vamos abrir alguns espaços para que sejam convidativos, que contem uma história além da Copa, além do que ela é hoje. Temos o projeto de ter ali dentro um museu com o (Roberto) Gesta. Ele tem um sonho de ter chance de contar a história do mundo pelo viés do esporte em uma parceria entre nós, a AmazonasTour e o Governo do Estado apoiando. Estou com um grupo de trabalho organizado e separamos duas salas para abrir a visitação pública e nós acabamos de receber a autorização do governador para tocar e o prazo para isso é até o fim do ano até porque sou gestor de uma secretaria dentro de um governo que tem pouco tempo para trabalhar.

Desde a inauguração da Arena, se fala nesse museu. Porque ele não saiu até hoje?

A gente pegou a Secretaria e o Governo do Estado num momento crítico e não era a prioridade. Nesse momento que estamos recuperado a nossa economia e o nosso Estado voltou a crescer, temos condições de fazer um projeto como esse. Um ano atrás era impensável porque não tinha recuso.
E a questão de grandes jogos de Séries A e B de Brasileiro. Isso está no projeto?
Uma coisa  bem bacana que a Sejel conseguiu fazer foi resgatar essa relação com a CBF que andava abalada. A Janaína conseguiu construir esse vínculo e a gente está mantendo. Viajo para o Rio para ter uma audiência com Fluminense, Flamengo, Vasco para discutir esse calendário. Temos, inclusive, um apoio do Ministro do Esporte para que a gente volte a ser palco de grandes jogos e estou batalhando para isso.

Você sempre afirmou que não tem ligação com o esporte no caso de ser atleta. Em uma pasta de esporte, como tem montado a equipe de trabalho?

As pessoas têm uma ideia que o secretário tem que ser necessariamente um atleta e nem precisava ser. Então o que a gente tá fazendo? Buscando pessoas com preparo técnico em cada uma das áreas. Tenho do meu lado um homem da natação: que é o professor Aly Almeida. Ele é meu adjunto de desporto. Tenho ao meu lado como adjunto também o Raiderson Teco, que atua vinculado com o esporte comunitário e tem uma gama de personagens com conhecimento técnico. Estou reestruturando uma área que foi retirada do departamento de esportes especiais, que trata do esporte indígena, que sumiu daqui e precisa voltar a fortalecer isso assim como o setor de esporte paralímpico. Estamos organizando a secretaria de forma técnica que entenda muito do assunto e que eu possa ouvir federação e trabalhar e atender a demanda do esporte.

Como funcionará essa questão do esporte indígena?

Temos um projeto de tiro com arco que eles trouxeram 28 medalhas e temos seis atletas que são bons, que tão competindo a nível de mundo e a gente tem no nosso cantinho organizacional para trabalhar com o esporte indígena. Tô com uma agenda para semana que vem com o presidente da Fundação Estadual do Índio para discutir as Olimpíadas indígenas do estado do Amazonas. Foi uma ideia dele e eu achei super bacana. Já é algo que acontecia. O Amazonas têm vários campeonato oficiais e outros que acontecem nas calhas dos rios e queremos montar o calendário de uma copa indígena essa turma adora futebol, mas tem outros esportes deles. Temos que ter olhar para isso e poder atrair os olhares do mundo inteiro pra cá. 

Você sempre foi de movimento estudantil, do lado que reinvidica as coisas. Como é estar do outro lado?

Eu me sinto muito grato ao governador que me deu uma chance e um desafio de fazer um trabalho revolucionário. Não é difícil, mas precisa ter gás, vontade de trabalhar, isso a gente tem de sobra. Temos uma equipe competente que queira fazer o trabalho. Tem que conhecer o estado, a geografia do Amazonas, a vida de uma periferia para que o esporte não seja para um grupo seleto, mas também para quem vive em situação de vulnerabilidade social. Então eu sou a periferia chegando numa secretaria. Eu moro no São José, sempre militei em associação de moradores, movimento estudantil. Então fui de militar sem ter um centavo  minha luta era com um cartaz e um pincel. Então eu não sou, eu estou secretário da Sejel. Não sou dono nem proprietário desse cargo. Ainda me vejo com militante e ativista e não vou sair daqui como secretário, vou sair como Manoel. Não vim para sair rico, para mudar de vida. Estou aqui dentro fazendo o que eu defendia do outro lado e essa turma de movimento estamos recebendo e conversando: isso aqui que você propôs é possível, isso não e só joga pedra quem quiser. No meu caso eu deixei de jogar pedra para ser a vidraça e se alguém jogar pedras é porque quer jogar porque as portas estarão sempre abertas.

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