Segunda-feira, 17 de Junho de 2019
Presente x Futuro

Goleira do Iranduba conhece promessa juvenil que busca futuro na mesma posição

Goleira que ficou famosa por atuar em um time de meninos, em amistoso, realiza o sonho de conhecer o paredão do Iranduba, a goleira Rubi, que deu vários conselhos à jovem, considerada promessa do futebol amazonense



_ASL0286.JPG (Foto: Antônio Lima)
08/04/2018 às 17:33

Nascida em Santo André, ABC Paulista, Rubi Suzie, 30, é goleira do Iranduba. Júlia Raphaella, 11 anos, nascida em Manaus, joga em um projeto formado por alunos do Colégio Militar da Polícia Militar. A semelhança entre elas? As duas jogam na mesma posição: o gol.

Rubi é conhecida da torcida amazonense desde 2016 quando desembarcou para defender o Hulk; Júlia ficou conhecida em janeiro deste ano, ao jogar um amistoso contra a Escolinha do Santos e ser a única menina jogando entre os meninos. Na última semana, o Portal A Crítica promoveu o encontro entre o presente e o futuro do futebol feminino. O encontro foi motivado por um comentário de Rubi na publicação manifestando o desejo de conhecer a pequena goleira.

“A história dela parece muito com a minha. Tem muito dela em mim porque a gente sofre muito preconceito por gostar de jogar futebol com os meninos. Os nossos pais de cara não aceitam, falam pra gente fazer outras coisas até eles verem que realmente é isso que a gente gosta”, explicou a arqueira do Iranduba que deixou um conselho para a jovem goleira: não desistir.

“O conselho que eu dou é para ela não desistir dos sonhos se realmente é isso o que ela quer e que ela possa colocar nas mãos de Deus, que Ele abençoa os nossos sonhos. E se dedicar a cada dia, não escutar as vozes negativas que vem querer nos desanimar. Muitas vezes já ouvi coisas pra tentar me desanimar. Então que ela possa continuar buscando o sonho dela. Eu sei que tem muito preconceito e a gente tem que estar provando o tempo todo que somos capaz”, aconselhou Rubi.

Apesar de jogar entre os amigos, Júlia diz que as vozes negativas já aparecem e que ela tem uma tática para não deixar que aquilo passe. “Eu tento fazer que aquelas palavras negativas sejam positivas para mim. Em casa eu tenho uma parede e eu treino em casa para no jogo fazer certo e peço ajuda de Deus para Ele me dar paciência porque jogar com os meninos não é fácil. Toda vez sempre tem alguém reclamando: ‘porque tu não fez isso certo?’”, desabafa.

Mas não foi só de conselhos que a resenha foi feita, Júlia também aproveitou para tirar suas dúvidas com Rubi.

“Aquelas bolas encaixadas... Como tu consegue pegar?”, perguntou Júlia. “A gente treina bastante essas situações de jogo porque goleiro tem que ter muita explosão, muita potência e isso é com o tempo, com trabalho específico que a gente faz bastante. A gente trabalha muito”, respondeu Rubi.

Outra semelhança entre as duas também é o gosto por defender penalidades. “Eu comecei a pegar pênalti desde o começo, quando era uma pelada que a gente estava só brincando. Eu olho para a bola e não para o jogador. Eu olho só para a bola e onde ela for eu só me jogo”, relembra a pequena arqueira.

Os pênaltis que Rubi defendeu foram no Campeonato Brasileiro: três ao todo nos jogos contra o Corinthians, Audax e Sport. Ela tem suas táticas para ter sucesso nessa hora decisiva. “Tem várias técnicas. Eu gosto de observar os jogos, as batidas de pênalti, como o jogador vai para a bola.. é questão de costume saber onde ele vai bater. Alguns que são acima da média e viram o pé na hora que vai cobrar então eu assisto muito vídeo de goleiro e cobranças de pênaltis e isso vai somando no nosso dia a dia”, explicou.

Começou jogando handebol

É isso mesmo. Como as colegas achavam Rubi muito boa para jogar handebol na linha, era mandada para o gol e foi descoberta por um treinador quando tinha 15 anos. Mas Rubi gostava mesmo de jogar futebol.

“Eu jogava no meio dos moleques. Acho que é a história de todas as meninas que começaram a jogar futebol com meninos, ai o treinador da escola viu que eu tinha talento para ficar no gol e me colocou no gol e nunca mais saí”, conta. Rubi conta que aos 17 anos quase parou de jogar, mas que uma proposta do Santos a fez ter certeza que era o caminho das luvas que ela seguiria.


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